Segunda, 22 de junho de 2026, 09:18h
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Instalados com barracas e contando com a doação de alimentos de moradores, grupo passou as noites de segunda (2) e terça-feira (3) no local
Sindicato da categoria alega atraso nos vencimentos dos meses de novembro, dezembro e mais o 13º salário
Parte dos funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) aderiu ao estado de greve na tarde de segunda-feira (2). O Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde de Pelotas, entidade que representa a categoria, alega atraso nos vencimentos dos meses de novembro, dezembro e mais o 13º salário.
Como forma de protesto, um grupo instalou barracas em frente ao prédio, na rua José Albano de Souza, no Centro, e passou as noites de segunda (2) e terça-feira (3) acampado no local. Uma faixa foi estendida em frente ao HCC com a mensagem: “Estamos em greve por falta de salário”.
A greve funcionará em forma de rodízio, sendo que 30% de profissionais técnicos e auxiliares de cada setor permanecerão trabalhando, enquanto os outros 70% estarão totalmente paralisados. Os profissionais em atividade irão priorizar os casos de urgência e emergência. Hoje, a casa de saúde possui cerca de 240 trabalhadores.
Para o Sindicato, o estado de greve é por tempo indeterminado, até que os profissionais recebam os vencimentos devidos.
Novo contrato com o Estado
A direção do Hospital de Caridade admite que a situação é difícil e que o governo do Estado está com os repasses em dia até o momento. O cenário foi agravado pelo fim do contrato de prestação de serviços com o Estado em outubro de 2016, o qual repassava cerca de R$ 700 mil mensais à instituição. O convênio não foi renovado por uma suposta ausência do Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) do prédio. Um novo contrato deverá ser firmado nos próximos dias e terá validade de 12 meses.
Estado soma R$ 180 milhões em dívidas com Hospitais Filantrópicos
O cenário de crise na saúde é geral entre os municípios gaúchos. A Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul divulgou nota oficial na última semana e estima que 245 Santas Casas e Hospitais Filantrópicos estão sofrendo com a falta de repasses de cinco meses de programas específicos, algo em torno de R$ 36 milhões ao mês, por parte do governo estadual. Diversas instituições estão apresentando problemas para o cumprimento de obrigações.
Uma pesquisa recente realizada pela entidade, junto aos hospitais associados, traduz a dura realidade. O levantamento mostra que 60% das instituições não têm como pagar a folha de dezembro, que vencerá hoje (6), 39% está com pagamento de férias atrasadas, 27% ainda não cumpriu com o pagamento do 13º salário e 42% está com salários de outros meses atrasados.
A entidade que representa os hospitais que atendem mais de 70% do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado e empregam 60 mil trabalhadores aguarda uma posição oficial da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) para quitação da dívida.
Médicos da Santa Casa de São Lourenço do Sul podem paralisar serviços
O atraso de pagamentos na área da saúde não ocorre apenas em Canguçu. O atendimento na Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul poderá ficar comprometido no início de fevereiro: os médicos do corpo clínico irão paralisar os serviços caso a administração não efetue o pagamento dos salários atrasados. Na quarta-feira (4), a assessoria jurídica do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) protocolou, a pedido dos médicos, uma notificação extrajudicial ao administrador da Santa Casa, José Ney Lamas, informando que, se a quitação não ocorrer, os atendimentos serão suspensos. Profissionais de anestesia, cirurgia geral, radiologia, pediatria e os plantonistas não receberam os vencimentos dos últimos três meses. O prazo dado pelos médicos é de 30 dias, encerrando em 3 de fevereiro.
A medida foi tomada em virtude da situação financeira precária pela qual passa a instituição. Conforme o administrador, a dívida do hospital já supera R$ 22 milhões e os repasses do governo do Estado, em torno de R$ 800 mil por mês, estão atrasados. Lamas informou ainda que a instituição também recebe cerca de R$ 450 mil da Prefeitura Municipal, mas o déficit mensal da instituição gira em torno de R$ 650 mil.
Redator: Tradição Regional
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