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13-01-2017

Médicos podem parar atendimentos na Santa Casa de São Lourenço do Sul

Foto: Cristian Iepsen/JTR Com defasagem e repasses em atraso, Santa Casa acumula dívidas superiores a R$ 22 milhões

Profissionais estão com três meses de salários atrasados e podem parar no início de fevereiro


O atendimento na Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul poderá ficar comprometido no início de fevereiro. Isto porque os médicos do corpo clínico irão paralisar os serviços caso a administração não efetue o pagamento dos salários atrasados. No dia 4, a Assessoria Jurídica do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) protocolou, a pedido dos médicos, uma notificação extrajudicial ao presidente da Santa Casa, José Ney Lamas, informando que, se a quitação não ocorrer, os atendimentos serão suspensos.



Profissionais de anestesia, cirurgia geral, radiologia, pediatria e os plantonistas estão sem receber há três meses (outubro, novembro e dezembro). O prazo dado pelos médicos é de 30 dias, encerrando no dia 3 de fevereiro. A medida foi tomada em virtude da situação financeira precária pela qual passa a instituição.


A situação da casa de saúde lourenciana é semelhante a tantas outras no Rio Grande do Sul. “Quase um caos”, resume Lamas, ao falar dos tantos hospitais com problemas. Ele conta que teve reunião com os médicos, apresentou a situação da Santa Casa e afirmou que os profissionais poderiam mesmo parar os atendimentos se não receberem todo o valor em atraso. “Estamos tentando resolver, principalmente com maior aporte de recursos do Estado e até com financiamento. Estamos fazendo até o impossível, mas temos limitações, não é fácil”, lamenta o presidente da instituição.


Atualmente, o Estado deve R$ 800 mil à Santa Casa, além de um restante dos repasses de dezembro e todo montante de janeiro, ainda não pago. A entidade ainda não pagou os salários dos mais de 200 funcionários relativos a dezembro. A situação só não é pior, na avaliação de Lamas, pelo esforço da gestão e o entendimento dos médicos e demais profissionais quanto ao momento de crise que atravessa a saúde.


R$ 22 milhões em dívidas


A instituição acumula dívidas que passam de R$ 22 milhões em imposto de renda, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e conta patronal. Para o presidente, o maior problema das casas de saúde não é apenas atrasos em recursos, e sim a defasagem de cerca de 40% nos procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele explica que para um gasto de R$ 100 com paciente, o SUS paga apenas R$ 60. Ao longo dos anos, a defasagem faz acumular os problemas financeiros.


Em sua avaliação, a necessidade é de rever esses valores, além do governo perdoar as dívidas dos hospitais com impostos, como fez com clubes de futebol. “Foi feito para o futebol e o governo vai ter que perdoar as dívidas dos hospitais”, reclama Lamas, fazendo outra crítica: “O Brasil quer viver como rico, mas é um país pobre. Quantos milhões foram roubados em corrupção? Isso vai ter que ter fim”.


A tentativa da Santa Casa, agora, é de aumentar o aporte de recursos junto ao governo do Estado. Para isso, a secretária municipal de Saúde, Arita Bergmann, deve agendar uma audiência com o secretário de Estado, João Gabbardo. “Admiro muito a Arita e ela tem muito bom relacionamento, grande prestígio na Secretaria do Estado. Ela nos ofereceu esta parceria e vamos buscar o aumento dos recursos”, diz o presidente, esperançoso em uma solução. Ao falar da necessidade de manter todos os atendimentos normalmente, ele revela que a instituição atende pacientes de vários municípios, é referência em algumas especialidades para a região e apenas em 2016 realizou mais de 146 mil atendimentos. “Uma Santa Casa não pode parar”.


Redator: Tradição Regional



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