Domingo, 21 de junho de 2026, 20:15h
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Cinco especialidades médicas estão paradas, com atendimento apenas de urgência e emergência
Médicos da Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul paralisaram os serviços no dia 3, devido ao atraso no pagamento das remunerações. Especialistas de cinco áreas (anestesia, radiologia, pediatria, cirurgia e ginecologia) não estão realizando atendimentos, a não ser nos casos de urgência e emergência. “Mesmo depois de ter recebido repasses do governo do Estado, o hospital não saldou nenhum atraso”, critica o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), que mobiliza a categoria.
A medida foi adotada após expirar o prazo de 30 dias da notificação encaminhada à direção da Santa Casa, na qual o SIMERS cobrava a regularização dos pagamentos dos salários de quatro meses atrasados. A intenção é manter a greve até a quitação dos salários de outubro, novembro e dezembro, esclarece a entidade médica. “A situação poderá ficar pior, pois os honorários de janeiro vencem nos próximos dias”, prevê o Sindicato.
Em janeiro, o administrador da Santa Casa, José Ney Lamas, havia informado ao SIMERS que a dívida do hospital já superava R$ 22 milhões. Os repasses da Secretaria Estadual da Saúde seriam de cerca de R$ 800 mil por mês e estavam atrasados. Lamas informou ainda que o déficit mensal da instituição gira em torno de R$ 650 mil.
Ao JTR, o administrador lamentou que o maior problema da saúde seja o déficit nos valores repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cobrindo apenas 60% dos custos com cada paciente, ficando ao hospital o custo dos outros 40%. Para ele, essa é a causa de uma bola de neve que só aumenta os problemas das instituições de saúde.
Nota da Santa Casa
A direção da Santa Casa emitiu uma nota de esclarecimento à imprensa, dizendo respeitar a decisão da classe médica através do seu Sindicato. “É público a situação financeira da instituição, e não obstante os esforços para a manutenção das atividades, o déficit histórico nas suas contas, tem inviabilizado as ações de equilíbrio financeiro. A Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul reconhece o atraso de quatro meses dos honorários médicos. A instituição propôs o pagamento de dois meses, não havendo acordo até o presente momento”, diz a nota.
A direção também alega manter aberto o diálogo com a classe médica, buscando uma solução que atenda a justa reivindicação dos médicos e a imediata normalização das atividades. “Reiteramos a população lourenciana e também de outros municípios do qual o hospital é referência, que a administração trabalha incansavelmente pela solução deste episódio e informa que a porta de entrada de urgências e emergências continua com os atendimentos”, finaliza a nota.
Prefeitura repassa recursos à instituição
Na terça-feira (7), José Ney Lamas esteve reunido com o prefeito Rudinei Harter e o procurador geral do município, Henrique Crespo, para falar sobre a crise financeira da instituição. No encontro, Lamas falou que a Santa Casa está em estado de insolvência, pois chegou a um ponto que “não dá mais para manter a máquina como está”.
Uma das ações visadas foi a contratação de um profissional administrativo, com experiência em gestão hospitalar para que seja realizada uma análise e busca de soluções. O prefeito falou sobre o repasse que ocorreu no dia, no valor de R$ 918.379 mil, o que mostra a disposição da administração, mesmo com dificuldades financeiras, em permanecer com os repasses em dia.
Harter também se colocou à disposição para auxiliar nas soluções dos problemas da Santa Casa, como, por exemplo, ir em busca de recursos tanto em Porto Alegre como em Brasília. Salientou ainda sobre algumas ações que estão sendo desenvolvidas pela Secretaria de Saúde, como uma melhor qualificação no atendimento da rede básica de saúde municipal, que tem como finalidade desafogar o Pronto Socorro. A atual administração ainda está estudando outras medidas na qualificação das Unidades Básicas de Saúde do município, estudando a possibilidade da colocação de médicos residentes em saúde da família, através de um programa que está sendo desenvolvido juntamente com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
Redator: Tradição Regional
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