Quinta, 18 de junho de 2026, 19:22h
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Profissionais que atendem jovens não escondem o horror quando o assunto é um fenômeno relacionado ao suicídio adolescente. Trata-se do “jogo Baleia Azul”, que está se espalhando mundo afora pelas redes sociais. Especula-se que mais de uma centena de suicídios na Rússia e até alguns casos no Brasil tenham ligação com a brincadeira macabra, uma espécie de gincana com tarefas a serem cumpridas ao longo de 50 dias.
As “missões” seriam orientadas por um curador, que verificaria se os resultados alcançados pelos jogadores são satisfatórios, e apresentaria graus de dificuldade variados: assistir a filmes de terror, acordar de madrugada, desenhar baleias no corpo usando lâminas cortantes, criar inimizades e se automutilar. O 50º e último desafio seria o de tirar a própria vida. A repercussão do jogo Baleia Azul entre adolescentes tem preocupado professores e gestores de escolas do Rio Grande do Sul. Algumas instituições começaram a fazer atividades para alertar os estudantes sobre os riscos do desafio, que inclui mutilações no corpo e até o suicídio.
O JTR convidou a psicóloga Josiane Milech, graduada pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), para falar sobre a influência do jogo entre jovens e adolescentes. Em 2013, ela apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre os sentimentos e relações ligados ao Facebook. Segundo a pesquisa aplicada na época, 31,6% dos entrevistados apresentava níveis moderados ou graves de ansiedade. Os números também revelaram índice de dependência da rede.
Com consultório estabelecido em Canguçu, a profissional faz uma série de observações sobre a relação entre pais e filhos, e como uma conversa franca em casa pode ajudar no desenvolvimento de jovens e adolescentes. “Engana-se quem pensa que o jogo da Baleia Azul é algo que surgiu somente agora. Arrisco a falar que este macabro jogo chama a atenção da população justamente para um problema que existe há muito mais tempo: o suicídio de adolescentes”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a morte de jovens precisa deixar de ser um tabu e necessita ser pensada, discutida e combatida, não somente pelos especialistas, como também pela população. “Este desafio atrai justamente os adolescentes com sintomas depressivos. Desta forma, é necessário entender que ninguém em plena saúde mental entraria nesse jogo mórbido. As tarefas começam com objetivos simples, como desenhar uma baleia azul numa folha de papel, mas segue um progresso mórbido, como cortar os lábios, furar a palma da mão, ‘desenhar’ com lâmina uma baleia em seu antebraço e, como desafio final, o jogador deve se suicidar”.
Segundo a psicóloga, com a rotina de vida corrida e a consequente falta de tempo para as relações familiares mais próximas, os pais precisam estar atentos para interferir e acompanhar a vida agitada da gurizada. “Os pais precisam redobrar o cuidado com os filhos, ter cautela com o adolescente, olhar para ele, procurar entender o que está se passando nesta fase. Como resposta, ele dará sinais de que tem algo de errado acontecendo. A mensagem que eu gostaria de transmitir é: Não se preocupe com a Baleia Azul. Preocupe-se com o seu filho”.
Os participantes do jogo são adolescentes que têm, em média, de 12 a 14 anos, com tendência à depressão. As estatísticas declaram que tirar a própria vida já é a segunda principal causa de morte em todo o mundo para pessoas com idade entre 15 e 29 anos. Apenas acidentes de trânsito matam mais. De acordo com a OMS, 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Para cada caso fatal, há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas, por isso, a necessidade de debater o assunto. “Apesar de o transtorno depressivo ser uma das principais causas do suicídio, é preciso considerar que não existe uma razão única que faça alguém decidir se matar. O suicídio é um assunto complexo, ainda mais quando referenciamos os adolescentes, pois o suicídio juvenil é ainda menos estudado e compreendido pelos especialistas”, alerta Josiane.
Dicas da psicóloga na relação com os filhos:
1) Acolha o seu filho
“Os jovens precisam buscar pessoas em quem tenham confiança para compartilhar os seus anseios. Permita que eles revejam suas expectativas em relação aos pais, mantendo uma relação de confiança e cumplicidade, apoiando-os em suas “sofridas frustrações e angústias”.
2) Entenda o adolescente
“Por estar vivendo uma fase evolutiva de desenvolvimento mental, muitas vezes, ele não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual está exposto e, por isso, é importante o diálogo franco”.
3) Fique de olho
“Alguns apresentam mudanças rápidas de comportamento e isso pode ser sinal de que algo errado pode estar acontecendo. Desta forma, por mais que os “problemas” dos adolescentes possam parecer bobos e irrelevantes para nós, os adultos, a gurizada pode estar sofrendo por algo que não consegue lidar”.
4) Procure por profissionais habilitados
“Muitas vezes, pessoas próximas têm boa intenção e querem ajudar emitindo a opinião de que ‘o adolescente está passando apenas por uma fase e vai superar isso’. Ao lidar com a situação desta forma, a família minimiza o problema. É preciso ter mais cuidado com o caso. Se existir uma desconfiança por parte dos pais, família ou escola, procure o serviço público, uma avaliação psiquiátrica, ou uma orientação e atendimento de um profissional de Psicologia”.
Onde buscar ajuda?
Centro de Valorização da Vida
Oferece ajuda por telefone, chat, Skype, e-mail e presencialmente.
Telefones: 141 (24 horas, para todo o país) e 188 (gratuito, apenas para o RS)
www.cvv.org.br
www.facebook.com/cvv141
Redator: Tradição Regional
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