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08-08-2017

Pelotas: SIMERS denúncia muro construído em unidade de cuidados paliativos

Em busca de uma alternativa para a redução do espaço físico da unidade Cuidativa, que oferece atendimento na área de cuidados paliativos, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) esteve em Pelotas na manhã desta terça-feira (8), em conjunto com a Associação Brasileira em Defesa dos Usuários do Sistema Único de Saúde (Abrasus). 


De acordo com os médicos que atuam no local, há um mês a reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) ordenou a construção de um muro no pavilhão em que o projeto é desenvolvido, sem qualquer diálogo sobre o assunto. Com isso, a área disponível passou de 700 m² para apenas 200 m², espaço insuficiente para o desenvolvimento de todas as atividades. Doutro lado da divisória, hoje são guardados documentos de arquivo morto do hospital universitário.



Conforme explica a médica Julieta Fripp, coordenadora da Cuidativa, a unidade busca promover a qualidade de vida e promover a ressocialização de pacientes crônicos e atenção às necessidades dos terminais. “Com o apoio de uma equipe multidisciplinar, amenizamos os sintomas, mas não só. É uma extensão do atendimento domiciliar promovido pelo Programa de Internação Domiciliar e Interdisciplinar (PIDI) e pelo programa Melhor em Casa. Queremos resgatar essas histórias de vida e oferecer um suporte que essas pessoas não costumam encontrar em outros locais", ressalta.


De segunda a sexta, além do atendimento ambulatorial, são desenvolvidas rodas de conversa, acupuntura, reiki, oficina de plantas, meditação, dança circular, pet terapia, pilates e exibição de filmes. O objetivo é que o paciente e também a sua família possam participar atividades que tirem o foco da doença e que ofereçam novas perspectivas.


Para a vice-presidente do SIMERS, Maria Rita de Assis Brasil, é inaceitável que um projeto como esse tenha seu espaço reduzido sem qualquer tipo de conversa ou entendimento do que ele representa. “Poucas vezes vi um serviço que permitisse uma integralidade tão grande do atendimento em saúde. Trata-se de uma rede de cuidados que precisa ser fortalecida e servir como exemplo e não ser enxugada. Vê-se aqui a materialização de um modelo humanizado de assistência que deveria ser regra”, pontua.


Para entender os cuidados paliativos


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dez pessoas no mundo, somente uma recebe a assistência necessária de melhoria da qualidade de vida e alívio do sofrimento. “Existe uma tentativa de se colocar data para iniciar o cuidado, mas ele começa quando se tem o diagnóstico, quando não mais se muda o curso da doença, quando ela é crônica”, salienta a coordenadora do Programa de Cuidados Paliativos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Lucia Mirante Moreira dos Santos.


A ideia é iniciar antecipadamente a assistência e não só pensar esse cuidado quando o paciente se encontra em estado terminal. Conforme explica Lucia, o fato de não curar não significa que seja preciso deixar de tratar o enfermo. Aliviar a dor e permitir mais qualidade de vida também é oferecer tratamento.


É ainda uma forma de evitar que esses pacientes passem mais tempo do que o necessário em hospitais já lotados, longe da família e do conforto de casa. Trata-se de um conceito que envolve uma equipe multidisciplinar de saúde, que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas e terapeutas ocupacionais. Os profissionais ensinam, cada um dentro de sua área, mas sempre de maneira interligada, como os próprios familiares podem dar assistência ao enfermo. Esse cuidado fortalece a relação e oferece mais leveza ao dia a dia.


Redator: Assessoria de Imprensa



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