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01-09-2017

SAMU em Canguçu: o desafio de salvar vidas

Foto: Felipe Madeira/JTR Os profissionais se dividem em rotinas de plantão para atender chamados que podem significar a salvação de uma vida

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Canguçu conta com nove profissionais capacitados para atuar no atendimento de emergências no município. São quatro técnicos em Enfermagem, quatro condutores socorristas e uma enfermeira responsável que se dividem em rotinas de plantão para atender chamados que podem significar a salvação de uma vida.


A base de atendimento fica junto ao prédio da Secretaria Municipal de Saúde (rua Franklin Máximo Moreira, no Centro) e os plantões são diversificados: os condutores atuam 24 horas corridas, enquanto a carga horária dos técnicos em Enfermagem é de 12 horas e, a enfermeira responsável, cumpre oito horas diárias.



Para comandar todo o pessoal, é preciso capacitação e organização. Esses são os requisitos apresentados por Aline Barbosa, enfermeira responsável técnica e assistencial do SAMU. Ela é especialista e pós-graduada em Urgência e Emergência pelo Grupo Hospitalar Conceição e instrutora em Atendimento Pré-Hospitalar pela Associação Cristã de Moços (ACM) - Região das Hortênsias. “No atendimento, a maior dificuldade encontrada, geralmente, é identificar com clareza sobre a causa da ocorrência e o local onde aconteceu. Essa dificuldade se dá pela falta de precisão, pois a pessoa que liga está passando por um momento de angústia e preocupação. As ligações para o telefone 192 caem em uma Central de Regulação de Urgências, em Pelotas. E, de lá, são direcionadas para a nossa unidade em Canguçu para que possamos prestar o atendimento”, comenta.


Essa Central Reguladora atende diversas cidades vizinhas e é ela quem realiza a triagem de grau de risco e repassa as ocorrências para as cidades de origem enviarem uma ambulância ao local. Aline ressalta a importância de esperar o atendimento com paciência, tendo em vista o grande número de ligações recebidas todos os dias. Isso gera uma “fila de espera” e as ligações que estão no aguardo reproduzem uma música de fundo.


Este cenário, em meio ao nervosismo comum daquela situação, faz com que as pessoas desliguem o telefone para ligar novamente em seguida, na tentativa de conseguir atendimento de forma mais rápida. Isso acaba sendo um erro, uma vez que as novas ligações entram no final da fila e aumenta ainda mais o tempo de resposta de um atendente do outro lado da linha. “Durante o atendimento pelo 192, é importante que o informante esteja próximo da vítima e repasse todos os sintomas e sinais ao médico atendente com a máxima exatidão possível, colaborando com a triagem. Também é preciso informar um ponto de referência do local em que se encontra, como número de telefone para contato, para evitar possíveis atrasos gerados pela dificuldade de localização do endereço”, observa Aline.


Entre as causas mais comuns de chamados ao SAMU estão: falta de ar, infarto e acidente de motocicleta. Este último ocorre com grande frequência no interior do município, segundo Aline, motivado pela vasta extensão rural dos cinco distritos e pela falta de conscientização do uso do capacete. “É comum, no interior, as pessoas irem de motocicleta e sem capacete até o comércio que fica perto de casa. Isso coloca em risco a vida do condutor. Em muitos atendimentos, o capacete estava na cena do acidente, mas não estava sendo usado”.


A enfermeira aponta, ainda, para o grande número de chamados para atendimento psiquiátrico. Em cada plantão, o SAMU de Canguçu conta com uma ambulância, com unidade básica para atendimento, enfermeiro, técnico de enfermagem e condutor socorrista. Em casos de emergência próximos à unidade, Aline sugere iniciar o contato com a central telefônica 192, enquanto a equipe se prepara para o atendimento, que precisa ser liberado pela Central. Segundo as normas do SAMU, não pode ser deslocada uma ambulância sem o aval do médico atendente. O descumprimento desta medida é passível de punição.


Em situações em que há um acúmulo de pedidos de ajuda, a Central costuma entrar em contato com a Secretaria da Saúde de Canguçu para que o setor encaminhe uma ambulância para dar início imediato ao primeiro atendimento, enquanto os profissionais do SAMU não retornam do outro chamado. “O maior desafio é prestar um serviço com qualidade e agilidade para atender e preservar a vida, realizar o transporte do paciente com qualidade até o Hospital, ter a consciência de que o primeiro atendimento é essencial e, se não for realizado de forma adequada, poderá acarretar em problemas futuros”, destaca.


O SAMU 192 é um serviço gratuito e funciona 24 horas.


Quando chamar o SAMU 192?


- Na ocorrência de problemas cardiorrespiratórios


- Em casos de intoxicação exógena


- Em caso de queimaduras graves


- Na ocorrência de maus tratos


- Em trabalhos de parto onde haja risco de morte da mãe ou do feto


- Em casos de tentativas de suicídio


- Em crises hipertensivas


- Quando houver acidentes/traumas com vítimas


- Em casos de afogamentos


- Em casos de choque elétrico


- Em acidentes com produtos perigosos


Redator: Tradição Regional



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