Domingo, 14 de junho de 2026, 04:52h
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As estimativas são assustadoras: mais de 61 mil novos casos no período de um ano que compreende 2016/2017, conforme o Instituto Nacional do Câncer. O número refere-se ao câncer de próstata, uma doença que atinge um em cada sete homens, principalmente os mais velhos, geralmente com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40. Essa é a terceira principal causa de morte entre a população masculina.
O novembro azul, campanha nacional criada pelo Ministério da Saúde, busca estimular, principalmente durante este mês, a busca por um profissional de saúde especialista para fazer os exames de prevenção, ainda cercados de preconceito.
Ignorar os exames preventivos que devem ser realizados a partir dos 50 anos é quase uma cultura do brasileiro. Foi o que fez Valmir Sandin, de 66 anos, pedreiro há 35, que, em 2007, só buscou auxílio da medicina quando começou a sentir dores na barriga e nos rins ao mesmo tempo. “Achei que era meu problema de coluna e me mediquei para isso”, relembra. As dores não cessaram e ele foi aconselhado a procurar um urologista. Infelizmente, o resultado não deixou dúvida e era tarde demais para uma reversão do quadro: estava com câncer maligno de próstata.
A cirurgia foi realizada e, a seguir, também o tratamento com quimioterapia e radioterapia. A doença não afetou a parte emocional, o que é comum com a causa principalmente da depressão, algo que nem ele sabe explicar o motivo, já que se mantém alegre e bem disposto ao caminhar cinco quilômetros por dia, por exemplo. “Vivo feliz. A possibilidade da morte não me assusta. Entendo que desde que nascemos estamos prontos para partir”, declara Sandin.
O Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Piratini, é referência em urologia para a região. Com dois médicos à disposição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a entidade oferece 120 consultas por semana. Sobre a doença, o médico Michel Falcão Bredow explica que a próstata é uma glândula localizada entre a bexiga e a uretra, e tem como função produzir grande parte do esperma.
Ele também esclareceu que esse câncer não apresenta sintomas em sua fase inicial e, por isso, destaca-se a importância dos exames preventivos a partir dos 50 anos para a população masculina em geral, e 45 anos para os afrodescendentes ou para quem tiver casos na família. “Prevenir é importante porque, em caso de diagnóstico positivo na fase inicial, a possiblidade de cura está na casa dos 90%. Quando não há a prevenção, 20% dos tumores já são detectados em fase avançada, ou seja, maligna”, explicou Bredow.
Mas o médico concorda que, mesmo que venha reduzindo, ainda há um preconceito com relação ao principal exame: o do toque retal, que junto com o PSA, enzima produzida pela próstata, aponta a existência da doença. “Os homens estão começando a entender que, assim como as mulheres, precisam cuidar da saúde, mas as brincadeiras em torno do exame de toque e também o machismo, que já reduziu, acabam por atrapalhar”, apontou.
O profissional reforçou a importância do teste do toque, pois, conforme ele, em alguns pacientes o exame de PSA dá normal e quando chega o resultado do teste realizado através do ânus algumas vezes aparece alguma alteração. Bredow reforçou que, quando diagnosticado positivo, há várias etapas de tratamento que não curam, mas que permitem que os pacientes sigam a vida normalmente.
Redator: Tradição Regional
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