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Na última década, o número de pessoas com os diabetes tipo 1 e 2 no Brasil subiu 61,8%, de acordo com números do Ministério da Saúde. O público mais afetado são as mulheres – 1 em cada 10 está diagnosticada com a doença. Maiores índices de sedentarismo e de obesidade fazem delas as principais vítimas do diabetes, afirmam especialistas.
Para o médico João Eduardo Nunes Salles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, as doenças são irmãs. “O aumento do diabetes se dá basicamente pelo aumento da obesidade e do sedentarismo, é a mesma relação. As pessoas morrem de medo de ter diabetes, mas não tem medo da obesidade”, alerta.
Caroline Amaral da Silva, 33 anos, viveu a rotina da aplicação da insulina e os efeitos do diabetes tipo 1, por 14 anos com o marido, período em que durou o casamento. Isso foi motivo de preocupação com o filho deles, Guilherme, hoje com 15 anos, que realizava exames periódicos para acompanhar as taxas de açúcar no sangue, mesmo que os médicos consultados assegurassem que, quem teria a possibilidade de desenvolver a doença seriam os filhos de Gui, como é chamado, ou seja, os netos de Caroline.
Gui sempre gostou de doces, até que em 2013, passou a ter uma rotina diferente. Ingeria muita água e urinava acima da média, inclusive durante a madrugada.
“Ele era muito ativo, andava muito de bicicleta então, associei a sede a isso e o urinar acima da média também a grande quantidade de água ingerida”, relembra a mãe.
Rotina alterada, mas nada de preocupação com os sintomas até que, um dia, após o natal de 2013, o garoto foi dormir na casa da avó paterna que, por ter criado um filho com a doença, teve outra visão do que presenciou.
“Ela me ligou e disse: Carol, eu acho que o Gui está com o açúcar alto, está tomando muita água, passou a noite urinando em excesso e está com a boca seca”, relembra.
Levado ao hospital, foi submetido a um teste de HGT, sigla usada para definir o hemoglicoteste, que mede o nível de açúcar no sangue. Resultado: 536, o suficiente para provocar coma, então, assim como o pai, Gui estava com o diabetes tipo 1. A internação foi imediata no Hospital de Piratini e, a seguir, em uma unidade em Pelotas.
A insulina aplicada não fez efeito. Com isso, o próximo passo foi levá-lo a um endocrinologista, profissional da medicina especialista no tratamento da doença. Ele trocou o tipo de insulina e Gui voltou para casa para, a partir dali, viver uma vida de alterações.
“No início foi difícil, doía e eu que adorava doces não poderia mais comer. Lembro que chorei muito, pois passei anos vendo meu pai se perfurando para aplicar insulina. Um dia, ele aconselhou que eu realizasse a auto aplicação e, a partir dali, perdi o medo e hoje eu mesmo me aplico cinco vezes por dia”, conta o garoto, que leva uma vida normal, pratica esportes e se mantém inserido socialmente, sem algum problema devido à doença.
Como a insulina fornecida na Farmácia Básica não faz efeito no organismo do filho, um dos problemas que a mãe enfrenta é o custo da mesma.
“Custa mais de R$ 1 mil por mês. Tentei na justiça, através do Estado, o que vou ter que fazer outra vez, mas perdi. Hoje ele faz o tratamento adequado porque há uma pessoa na cidade que doa todos os meses o medicamento ideal, mas isso não será para sempre”, preocupasse a mãe.
Redator: Tradição Regional
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