Sexta, 12 de junho de 2026, 03:42h
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Servidores percorreram a cidade tentando sensibilizar executivo e legislativo sobre a situação
Indignados com os frequentes atrasos e parcelamentos de salários, servidores da Santa Casa de Jaguarão realizaram, na manhã de segunda-feira (12), uma manifestação pelas ruas da cidade. Até o momento eles ainda aguardam 30% do salário de janeiro e o salário de fevereiro, além do pagamento de férias. Os médicos que recebem através do Plano Operativo estão com os salários em dia.
Com cartazes, apitos e balões pretos, os funcionários saíram da frente do hospital e seguiram em direção à Câmara, onde foram recebidos pelos vereadores da bancada do PT - Miriam Coelho, Oberte Paiva e Janaína Lameiro -, os únicos que estavam presentes no momento.
De lá, o grupo saiu e, em frente ao prédio da Prefeitura, continuou a manifestação pedindo o pagamento do salário aos servidores. Na primeira tentativa de ser recebido pelo executivo, o grupo foi informado de que o prefeito Fávio Telis e o chefe de gabinete estavam em Brasília. O secretário de Saúde, Rogério Cruz, e o presidente do Legislativo, Enio Riggati, também estavam em viagem, cumprindo agenda no Palácio Piratini, em Porto Alegre, tratando sobre o tema dos repasses para o hospital.
O vice-prefeito Henrique Knorr estava na Prefeitura e saiu logo que o grupo chegou, sem falar com ninguém. Após meia hora em frente à Prefeitura e depois de realizar uma intervenção ao vivo na Rádio Meridional FM, relatando a indiferença com que estavam sendo tratados, uma comissão de funcionários conseguiu ser recebida na Prefeitura pelo procurador do município e assessores. Enquanto os demais funcionários do hospital aguardavam na entrada da Prefeitura, o vice-prefeito retornou ao prédio e, ao falar com alguns servidores, disse que não sabia do assunto.
Conforme o relato de uma funcionária do hospital que estava na comissão, Knorr participou da reunião que já estava acontecendo e afirmou que gostaria de agendar uma conversa com os servidores, já que, segundo ele, havia muita coisa que ele gostaria de saber, mas não recebia informações. Ainda de acordo com a servidora, não houve nenhuma resposta concreta por parte do executivo.
Trabalhadores alegam que estão sendo humilhados
Durante a caminhada, vários servidores relatavam o drama enfrentado pelos trabalhadores do hospital e suas famílias. Em conversa com algumas funcionárias que preferiram não serem identificadas, elas contaram que os trabalhadores estão passando dificuldades para comprar alimentos para suas famílias, como também para pagar aluguel, contas de água e luz, pensões alimentícias, entre outras obrigações.
Vários trabalhadores afirmam estar enfrentando problemas de saúde e sentem-se constrangidos com diversas ligações que recebem por atraso de dívidas e consequente pagamento de juros. “Essa mobilização também é para mostrar aos nossos credores que não recebemos. Fomos informados de que receberíamos uma parte, no dia 9 de fevereiro, e não saiu, por isso hoje estamos aqui. Essa situação vem piorando e há mais de um ano temos muita dificuldade de manter diálogo com o prefeito”, relatou uma servidora, destacando ainda que, no dia 9, funcionários receberam um vale de R$ 50 e, a pedido de uma equipe de funcionárias da cozinha, alguns receberam também dois quilos de arroz.
Além do atraso dos salários e falta de diálogo, os trabalhadores reivindicaram a questão da segurança, já que, na tarde do último domingo (11), o armário dos funcionários foi arrombado durante a tarde e foram furtados diversos pertences.
Prefeitura aguarda recursos do Estado
O secretário de Saúde, Rogério Cruz, esteve em Porto Alegre, junto com o presidente da Câmara, Enio Riggati, onde foram recebidos pelo secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Branco. Na oportunidade, Branco garantiu que o recurso para a folha de pagamento dos funcionários estaria depositada na manhã de quarta-feira (14), porém, até o início da tarde - fechamento desta edição - o recurso ainda não havia sido depositado.
Em relação ao recebimento de cerca de R$ 700 mil do Estado no final de fevereiro, o secretário disse que o recurso foi destinado à Secretaria Municipal de Saúde e será usado para os programas e ações da pasta. “Os recursos são relativos ao que o Estado devia ao município de 2015, 2016 e 2017. 2013 e 2014 ainda não pagaram. Estamos mantendo muitos programas com recursos próprios”, afirmou Cruz.
Ainda, segundo o secretário, foi feita uma nova contratualização com o Estado, aumentando em média um valor de R$ 700 mil, o que irá depender da produção.
Redator: Tradição Regional
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