Quinta, 11 de junho de 2026, 06:54h
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*Com informações da Assessoria de Imprensa
Nos últimos dias, todos os olhares se voltaram em torno da caótica crise que tem assolado o Hospital de Caridade de Canguçu (HCC). A falta de recursos e repasses para manter os serviços é um dos principais dilemas que tem tirado a tranquilidade da casa de saúde.
O HCC é referência a cidades como Santana da Boa Vista, Morro Redondo, Cerrito, Arroio do Padre e interior de São Lourenço do Sul e responde por uma média de 50 a 60 internações por mês; cerca de 90% delas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Na manhã do dia 18 de abril, o Hospital suspendeu temporariamente novas internações na área da Pediatria. Em entrevista, o presidente da casa de saúde, Delaci Borges, explicou que a suspensão se deu pela ausência de funcionários que entraram com atestado médico.
No dia 19 de abril, quando ocorreu a suspensão, 20 dos 68 técnicos em Enfermagem estavam afastados das atividades. Segundo uma das líderes da categoria, Luciara Lira, inúmeros funcionários iam para o plantão e acabavam chorando, sem condições emocionais para o meio de trabalho. Com isso, os servidores que continuaram atuando passaram a lidar com a sobrecarga de trabalho.
Na terça-feira (24), os funcionários do Hospital de Caridade de Canguçu decidiram em assembleia da categoria por entrar em greve a partir de quinta-feira (26). Na pauta, os funcionários reivindicam o pagamento do décimo terceiro salários de 2016 e 2017, além de dois meses de atraso de salários, férias e demais direitos. O grupo cobra também por explicações da atual gestão a respeito do futuro da casa de saúde.
Em outubro do ano passado, o HCC anunciou em uma sessão na Câmara de Vereadores a possibilidade de fechamento. Na época, as dívidas estavam na casa dos R$ 30 milhões. Só para os médicos, entre honorários e Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), a pendência era cerca de R$ 3,5 milhões.
Desde agosto de 2016, o hospital fechou os dez leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) geral devido à escassez de recursos, principalmente, para pagamento da equipe. Até o começo deste mês (abril), nenhuma cirurgia estava sendo realizada, fossem eletivas ou de urgência.
A crise dos números
Segundo Borges, a diretoria se reuniu no dia 18 para discutir possíveis ações. Neste mês foi liberado um incentivo do Estado referente ao mês de janeiro, no valor de R$ 180 mil, mas houve um desconto de R$ 142 mil, referente a uma negociação da antiga gestão, restando ao caixa somente R$ 28 mil.
Neste contrato, o Estado repassava uma quantia a mais para a instituição, mas além das metas de produção estabelecidas, essa diferença deveria ser devolvida ao Estado no futuro.
Em dezembro do ano passado, o gestor Mário Fonseca comentava sobre a expectativa de obter uma linha de crédito de R$ 4,7 milhões, para poder quitar ao menos uma parte das dívidas. A proposta era que a Caixa Econômica Federal comprasse as dívidas da instituição no Banrisul e do Banco do Brasil, reduzisse os juros e estendesse o prazo, reduzindo assim a parcela, possibilitando a casa ficar com um saldo positivo de R$ 150 mil no caixa por mês.
Segundo o presidente, esse saldo seria usado para pagar os médicos e a reposição da farmácia, mas a possibilidade foi descartada devido às dívidas vencidas no Banco Central, um impeditivo para a tomada de qualquer empréstimo.
“Nossa bandeira sempre foi pagar o pessoal para depois pensar nas demais alternativas. O que tinha que ser feito,foi feito. Mas o governo não nos repassa o recurso. Nossa folha de pagamento gira em torno de R$ 300 mil/mês. O HCC para funcionar da maneira como ele está hoje (reduzido) precisa de, no mínimo, R$ 600 mil por mês, isso descartando as contas de água e luz”, explicou Delaci.
Os desafios da gestão
“Praticamente todas as dificuldades que estamos passando, não surgiram da nossa administração, mas vem de um longo histórico de financiamentos”, falou o presidente da casa.
Com a atual situação, o Pronto-Socorro passou a ser o único setor da casa a receber atendimentos de caráter emergencial. Os demais atendimentos ficarão a cargo do Pronto Atendimento, mantido pela Prefeitura de Canguçu, no Centro.
O chefe do Executivo, Marcus Vinícius Pegoraro (PMDB), assegura que a situação financeira da Prefeitura não permite ampliar os repasses já efetuados, no valor de R$ 238 mil por mês para cobrir atendimentos do Pronto-Socorro e em três áreas: Pediatria, Obstetrícia e Anestesia. Sem falar na cedência de dois médicos, também pagos pelos cofres do município.
Nova diretoria nas próximas semanas
Até o dia 10 de maio devem estar definidas as chapas que irão concorrer para assumir o comando da casa de saúde. Segundo o atual presidente da casa, até o momento, nenhum grupo se apresentou para o pleito.
“É o que está acontecendo agora: O governo está mal de recursos, então ele nos manda o que é de direito, mas desconta o que ele pagou a mais na diretoria anterior. Ninguém vai fazer milagre. No momento em que o Estado cumprir com a obrigação dele com o hospital e houver a colaboração de todos da casa, estaremos caminhando para o melhor. Esperamos que no dia 10, uma nova chapa assuma a diretoria. Não queremos continuar diante do quadro que se estabeleceu. Já demos toda nossa contribuição, dentro do que poderíamos fazer”, ressaltou Borges.
A busca pela nova contratualização
Na quarta-feira (25), o governo do Estado renovou o contrato com o HCC. O encontro com o diretor do departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial (Daha), Rogério Sele, aconteceu na Secretaria Estadual de Saúde, em Porto Alegre e contou com a presença do deputado estadual Fábio Branco (PMDB).
A comitiva de Canguçu foi liderada pelo prefeito Pegoraro. Além do presidente do HCC, o gestor administrativo, Mário Fonseca, e a Irmã Cecília Rigo representaram a instituição.
O deputado e o chefe do Executivo solicitaram também ao diretor do Daha a liberação, com a maior brevidade possível, de R$ 400 mil oriundos de emenda parlamentar e de R$ 116 mil referentes aos incentivos pagos aos hospitais.
O diretor do Daha sinalizou que o pagamento deve ser feito nos próximos dias.
Segundo o presidente do HCC, o valor de repasse mensal estabelecido no contrato para esse ano gira em torno de R$ 420 mil, cerca de 50% menor do que no ano passado (R$ 816 mil).
“A nossa prioridade agora é pagar os salários em atraso dos funcionários”. Apesar da greve, afirmamos que o atendimento do Hospital vai continuar, finalizou o presidente da casa.
Redator: Tradição Regional
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