Quinta, 11 de junho de 2026, 05:14h
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Expor mensalmente o resultado de um trabalho que objetiva a terapia ocupacional é parte importante para os pacientes, principalmente àqueles que têm depressão, do Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), conhecido com CAPS Farroupilha, órgão que é uma extensão da Secretaria Municipal de Saúde e trata de pessoas com transtornos mentais.
Expostos na praça Inácia Machado da Silveira, o popular Palanque, as peças confeccionadas com bordados, crochê ou originárias da costura são partes importantes no tratamento que busca reinserir as pessoas que, por terem adquirido doenças mentais, são geralmente afastadas.
Leida Ortiz é um exemplo disso. Aos 60 anos, garante que as oficinas são necessárias para que o tratamento contra a depressão tenha êxito. “Desde que passei a integrar o grupo de apoio onde aprendemos os ofícios, me afastei da doença. As oficinas me fazem muito bem e o aprendizado que assimilei e me permitem confeccionar, guardanapos, bonecas, mantas, entre outros. Também é a minha única fonte de renda, pois me possibilitou, ainda, integrar uma associação de artesãs”, conta.
Marli Zenatti é uma das acompanhantes terapêuticas que além de ficar a frente do projeto, também participa ativamente dos grupos existentes no CAPS. Ela lamenta a falta de conhecimento e compreensão de uma quantia significativa da sociedade que exclui as pessoas que são consideradas “diferentes”.
“Somos tão iguais que asseguro: aqui não temos aprendizes, já que igualmente assimilamos e repassamos conhecimento, enfim, há uma ajuda mútua, o que traduz nossa igualdade. Todos nós, sem distinção, portadores ou não de um transtorno, temos nossos dias bons e ruins. Eles não são loucos, embora assim sejam apontados muitas vezes nas ruas”, salienta Marli.
As experiências vividas e trocadas no Centro de Apoio atraíram a estudante de psicologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Renata Peres, de 24 anos, que se voluntariou. Ela está no segundo semestre e além de destacar o trabalho desenvolvido, se soma a Marli ao falar sobre a exclusão.
“Eles são muito julgados. As pessoas não conseguem entender que eles têm uma vida normal, pois nós, que temos essa aparente “normalidade”, temos também nossos dias bons e ruins. Me voluntariei e está sendo uma experiência positiva, já que foi possível saber que vou aprender muito mais do que ensinar a essas pessoas que a sociedade deveria reconhecer mais e que aqui no CAPS lhes é dada a oportunidade de resgatar a autonomia”, salienta a estudante.
Redator: Tradição Regional
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