Ter�a, 09 de junho de 2026, 15:39h
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A Prefeitura Municipal já conseguiu parcerias para auxiliar na gestão da atual crise da casa de saúde
A semana começou com inúmeras incertezas quanto ao futuro do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC). Na última segunda-feira (11), a Prefeitura Municipal decretou estado de calamidade pública no setor hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Segundo o decreto, nos próximos dias, o Poder Executivo Municipal buscará firmar um pacto social e político no sentido de encontrar soluções para o não fechamento da casa com a manutenção dos seus serviços. O pacto deverá incluir toda a comunidade canguçuense, Câmara de Vereadores, direção, funcionários e médicos do Hospital de Caridade de Canguçu, 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS) e governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Começam a surgir alternativas
Ainda na terça-feira, o prefeito Vinicius Pegoraro (MDB) viajou a Porto Alegre buscando alternativas para a casa de saúde. Em entrevista concedida na noite de quarta-feira (13), o chefe do Executivo ressaltou a espera da administração por um retorno que o governo estadual ficou de dar ainda nesta semana. “Na tarde de hoje [13], na sala ao lado, nossa equipe se dedicou ao levantamento de dados do funcionamento do Hospital de Caridade para ajudar na tomada de decisão”, disse.
Ele também destacou que o Executivo já conseguiu parcerias para auxiliar na gestão da atual crise da casa de saúde. A partir da próxima semana, o hospital passa a participar do programa “Hospital Saudável” da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). O programa permite a doação direta de valores através da conta de luz e tem como objetivo estimular a arrecadação de contribuições espontâneas da comunidade. Segundo a CEEE, outros 34 hospitais já estão inscritos no programa.
“O convênio entre hospital e CEEE já ficou firmado. A partir da próxima semana, eles enviarão os dados para acesso ao sistema de cadastro dos doadores. O cadastro será feito diretamente no HCC e os doadores só precisarão levar um documento de identificação, uma conta de luz e informar quanto gostariam de doar mensalmente para a casa”, afirmou.
Além da inclusão no programa, Pegoraro explicou que a viagem de terça-feira trouxe bons resultados. Em agenda com o deputado estadual Fábio Branco (MDB) e com o delegado regional de Saúde no governo do Estado, Gabriel Andina, a reunião com o vice-presidente do Banrisul, Irany de Oliveira Sant’Anna Junior, trouxe novas perspectivas para a casa. Segundo o prefeito, o Banrisul irá prestar uma consultoria para o Hospital de Caridade, analisando as dívidas, os credores e a possibilidade de compilar, além de fazer um leilão desse endividamento.
Essa consultoria foi feita com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) em um momento de crise e permitiu o equilíbrio econômico-financeiro da instituição, que atende cerca de 4 mil alunos, além de mantê-la ativa, com novas condições, como o Hospital Universitário, responsável por 60% atendimentos do SUS na Região Sul.
Pegoraro reforçou ainda a possibilidade de aumento do contrato atual com o governo do Estado, atualmente em R$ 393 mil. Segundo ele, esse contrato já chegou a ultrapassar os R$ 900 mil em anos anteriores. “Na Secretaria Estadual de Saúde, ficaram encaminhados alguns processos. Ficou claro que se o hospital voltar a operar, pode pedir a ampliação do contrato. Então existe essa possibilidade e ela depende do hospital se organizar e retomar os atendimentos”, comentou. Atualmente, dos 126 leitos, somente 14 estão ocupados, entre SUS, convênios e particulares. Todas as internações foram suspensas e os corredores vazios da casa de saúde agora fazem silêncio em meio ao clima de insegurança que tomou forma nos olhares de funcionários e pacientes.
Associação pede que o Poder Executivo assuma a casa
Na terça-feira (12), a Associação do Hospital de Caridade convocou todos os associados para uma assembleia extraordinária em caráter de urgência, que foi realizada na quinta-feira (14), após o fechamento desta edição. Segundo o documento, a reunião aconteceria no salão de festas do hospital, às 18h30 com no mínimo 2/3 dos associados presentes.
Os três principais pontos que foram abordados na reunião são os seguintes: a solicitação ao Poder Executivo Municipal para que assuma a gestão da Unidade Hospitalar; a garantia do Patrimônio do HCC para qualquer aporte financeiro; e a autorização para qualquer aporte financeiro realizado pelo Poder Executivo.
Redator: Tradição Regional
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