Segunda, 08 de junho de 2026, 03:37h
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Na última segunda-feira (6), a família de Carmem Lúcia Camargo Macedo, que faleceu aos 58 anos, em 23 de agosto de 2016, trouxe à tona um caso vivenciado por eles. Ela morreu por câncer de colo de útero cinco meses após receber atestado de que sua saúde ginecológica estava normalizada.
O caso pode ser o primeiro envolvendo óbito por câncer de colo de útero depois de um diagnóstico contrário à doença, em que o material coletado da paciente foi testado e emitido pelo Serviço Especializado de Ginecologia (SEG), situado em Pelotas. Atualmente, o laboratório é suspeito de não ter realizado análises de possíveis amostras.
“Temos o exame em mãos feito em Piratini, que teoricamente deveria ter sido analisado pelo SEG. Assim, temos convicção de que nossa mãe não está hoje com a família devido a um diagnóstico que não condizia com a situação que ela já estava enfrentando e não sabia, e quando tomamos ciência da gravidade era tarde demais”, disse o pecuarista Nero Tiago Pedroso, 34 anos, que recebeu a reportagem junto à irmã Jaciane Pedroso, 36 anos, dois dos quatro filhos que Carmem deixou.
Eles contaram que foi uma corrida contra o escasso tempo que tiveram para tentar salvá-la com um procedimento feito de forma particular, pois a situação se agravou rapidamente e não foi possível aguardar pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Dois meses depois que ela fez o pré-câncer, surgiu um corrimento, indicativo de que algo não ia bem. Ela consultou um especialista que, mesmo diante do exame negativado para um possível tumor, decidiu realizar a raspagem - coleta de material de parte do útero. A amostra seguiu para biópsia e esta atestou um carcinoma”, revelou o filho.
Carcinoma é uma espécie de tumor maligno desenvolvido a partir de células epiteliais, glandulares que tende a invadir tecidos circulares originando metástase, que é quando o câncer se espalha além do local onde começou.
E foi o que aconteceu. Diante do diagnóstico grave, um segundo médico cirurgião foi procurado e novamente diante do resultado do teste analisado pelo SEG, tentou tranquilizar a paciente.
“O cirurgião aconselhou que nossa mãe realizasse uma histerectomia, ou seja, a retirada do útero e seus adjacentes, como ovários e trompas, por exemplo”, relembra a filha Jaciane.
Neste momento, acreditava-se que o câncer estava circunscrito ao interior do útero, portanto com a retirada de todo o aparelho reprodutor se impediria que o mesmo se espalhasse, o que infelizmente já era realidade.
“Quando o médico abriu a região, em 27 de julho de 2016, viu que o tumor já havia migrado para as paredes do abdômen e havia também um nódulo no fígado, e em agosto, estávamos sepultando ela”, recordou o filho.
Depois da situação envolvendo o laboratório contatado pela Prefeitura de Pelotas - referência para exames de pré-câncer para a região que reúne dez municípios - os irmãos decidiram, após terem convicção de que houve um erro, buscar a justiça para pedir uma reparação.
“O principal é impedir que isso aconteça com outras mães e filhas, já que casos da doença já estão surgindo após o mesmo tipo de análise”, conclui Nero Pedroso.
Redator: Tradição Regional
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