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Saúde

14-09-2018

Situação cada vez mais agravante da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas

Foto: Divulgação Representantes da Saúde debateram sobre fechamento da traumatologia

*Com informações das Assessorias de Imprensa


Na última quarta-feira (12), foram realizadas duas caminhadas pela cidade a favor do funcionamento da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas: a “Caminhada em Socorro à Santa Casa”, organizada pela instituição, pela manhã, e a “Em Luta para Reerguer a Santa Casa”, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde (SindiSaúde), pela tarde. A primeira passeata, que reuniu diretoria e funcionários, teve como objetivo conscientizar a comunidade pelotense e região sobre a situação financeira do hospital. Esta foi a segunda mobilização da instituição em menos de um mês para chamar a atenção da população e dos governantes sobre a crise instaurada. 



No último dia 17 de agosto, ocorreu um minuto de silêncio, em frente ao hospital, que mobilizou diretoria e funcionários para protestarem pacificamente contra a situação financeira. Durante o protesto, o provedor da Santa Casa, Lauro Melo, falou sobre o motivo do atraso: na época, segundo a direção, os repasses estaduais de maio e junho ainda não haviam chegado, representando R$ 680 mil a menos no orçamento do hospital. 


Agora, com a situação sem melhora e repasses de julho e agosto em atraso, a “Caminhada em Socorro à Santa Casa”, realizada nesta semana, saiu da instituição, percorreu o centro comercial da cidade pelas ruas Sete de Setembro, Andrade Neves (Calçadão) e Marechal Floriano, até chegar na praça Coronel Pedro Osório, onde os manifestantes se direcionaram para o prédio da Prefeitura Municipal. Sob salva de palmas, assobios e cartazes na mão, participantes gritavam frases como “Saúde unida jamais será vencida” e “Santa Casa”, chamando atenção de quem passava pelo local. Os funcionários, que estão com salários parcelados, pediam respeito e solução para a crise. “A caminhada foi um pedido dos funcionários, pois eles sentiram a necessidade de fazer algo maior que o minuto de silêncio. Algo que passasse pela cidade e mobilizasse toda população, então decidimos pela passeata”, comenta Melo. 


À tarde, o vice-prefeito Idemar Barz e a secretária de Governo, Clotilde Victoria, receberam funcionários e representantes do SindiSaúde na Prefeitura. O grupo responsável pela segunda caminhada do dia entregou um ofício em que solicita providências quanto aos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão fechados e relatou problemas com falta de equipamentos e materiais. 


Neste mês, os incentivos estaduais referentes a junho foram repassados na segunda-feira (10) e a primeira parcela da folha foi quitada em 4 de setembro. Mais dois pagamentos devem ser feitos ainda neste mês. Já os honorários médicos referentes a cinco meses estão atrasados. 


Consequências para a região


Dos 328 leitos da Santa Casa de Pelotas, atualmente 40 leitos SUS estão fechados, além da maternidade e do risco do fechamento da ala de traumatologia. Com déficit mensal de R$ 1,3 mensal, o difícil momento para o hospital também tem como consequência, o aumento dos atendimentos no Pronto Socorro de Pelotas, no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE/UFPel) e o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), causando superlotação, principalmente, para o SUS. 


Referência na região na área de traumatologia, o hospital corre contra o tempo para evitar o fechamento em decorrência do alto déficit e a dívida bancária acumulada, a provedoria e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizaram mais uma reunião na última quarta-feira (12) para discutir formas do município complementar a verba já repassada mensalmente. Hoje (14), um ofício da Santa Casa deverá ser encaminhado a SMS com uma proposta para análise da administração municipal. A princípio, o atendimento só está garantido até o final de novembro.


Além disso, os trabalhadores da Santa Casa podem deflagrar greve por tempo indeterminado, ainda neste mês, para ecoar a preocupação quanto ao salário pendente e o fechamento dos leitos SUS e Maternidade. Alguns funcionários defendem também que seja realizada uma auditoria nas finanças do hospital.


IPHAN


No dia 6 de setembro, a Santa Casa de Pelotas recebeu o diretor de Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Andrey Schlee, que entregou o certificado que oficializa o tombamento do prédio da Santa Casa de Pelotas como Patrimônio Cultural Brasileiro. Além de entregar o certificado, ele visitou algumas instalações históricas do hospital, em especial a Capela, que necessita de reforma no seu telhado. 


A partir de agora, como Patrimônio Cultural Brasileiro, a Santa Casa pode ter acesso a recursos das leis de incentivo à cultura e usá-lo para reforma em setores importantes como salas cirúrgicas e enfermaria.


 


Redator: Tradição Regional



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