Domingo, 07 de junho de 2026, 11:36h
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3,2% da população que tentou suicídio não tinha nenhum diagnóstico de psicopatologia
Segundo o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio no Brasil, divulgado pelo Ministério da Saúde, o número de suicídios aumentou 12%, entre 2011 e 2016. Por ano, cerca de 11 mil pessoas tiram a própria vida no país e, por dia, 32 brasileiros são mortos pelo autoextermínio, taxa superior às vítimas da Aids e câncer. Números alarmantes que despertam a atenção para o fato de que o suicídio é um problema de saúde pública e, como tal, deve ser combatido por meio da prevenção.
De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da Anhanguera de Pelotas Cynthia Yurgel, uma das frentes para essa prevenção é a desmistificação do assunto junto à população. Para ela, existe um tabu em torno do tema, que o torna um mal silencioso, já que as pessoas fogem do assunto e tendem a ignorá-lo, por medo ou falta de informação, sinais de possíveis suicidas. "O suicídio é uma questão de saúde pública e é possível preveni-lo. Os profissionais de saúde precisam estar aptos para reconhecer os fatores de risco e, se necessário, adotar medidas a fim de diminuir os riscos e evitar o suicídio", alerta.
Falar com alguém sobre o tema não aumenta o risco, pelo contrário, pode aliviar a angustia e a tensão que os pensamentos trazem. É fundamental informar a comunidade sobre o problema e canais de ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende todo o Brasil pelo número 188. O risco de suicídio deve ser considerado urgência médica, podendo ocasionar lesões graves, incapacitantes, e até a morte. Segundo a psicóloga, a avaliação sistemática nas práticas clínicas pode ser realizada por um clínico geral ou por profissionais de pronto atendimento.
De acordo com a Associação de Psiquiatria Brasileira (ABP), 3,2% da população que tentou suicídio não tinha nenhum diagnóstico de psicopatologia. O comportamento suicida é provável quando existe sofrimento intenso, independente de transtornos mentais. Ainda de acordo com a coordenadora, os suicidas demonstram sinais e expressam em dias ou semanas anteriores o desejo de cometer o ato. Tentativa prévia de suicídio e doenças mentais são considerados os principais fatores de risco. Os transtornos mais comuns são depressão, transtorno bipolar, alcoolismo, abuso ou dependência de drogas, transtornos de personalidade e esquizofrenia.
"A maioria das mortes por suicídio são prematuras e podem ser evitadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez casos poderiam ter sido revertidos. Portanto, é preciso falar sobre o assunto e dar visibilidade ao tema para alcançarmos uma rede de prevenção, com equipes bem treinadas e preparadas para a atenção a crise", conclui.
Redator: Assessoria de Imprensa
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