S�bado, 06 de junho de 2026, 04:17h
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Gino Lemos é formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
As comemorações de final de ano são tradicionais no mundo inteiro. E com elas, vêm os shows de fogos de artifícios de todos os tipos e cores. No Brasil não é diferente, e não apenas nas metrópoles ou capitais. Os espetáculos pirotécnicos estão também no interior e no litoral. Comemorar com a família soltando alguns fogos se tornou comum nas áreas urbanizadas. Porém, com o passar dos anos, também se tornou tradicional a adoção de animais domésticos, como cachorros, para fazer parte do lar.
Com isso, animais e donos sofrem com o desespero dos quatro patas com as explosões. Além disso, o número de animais de rua continua muito alto no nosso país, e a região sul do Brasil não foge desse cenário. Por conta disso, o impacto causado pelos festejos dessa época de encerramento do ano nos pets é muito intenso e negativo.
Tentando mudar a situação, o deputado federal Ricardo Izar foi autor do Projeto de Lei 6881/2017, que previa a proibição de fogos de artifício com estampido. A proposta era para ser aplicada em todo território nacional, em recintos fechados e ambientes abertos, áreas públicas e locais privados, mas foi retirado de tramitação pelo próprio autor.
Segundo o médico veterinário Gino Lemos, cães e gatos possuem capacidades auditiva e visual maiores que a do ser humano. “A faixa sonora audível para os pets é maior do que em nossa espécie, o que configura um impacto maior nos animais causado pela poluição sonora da explosão dos fogos. Além disso, o elemento visual do estouro também tem influência na mudança de comportamento dos animais”, destaca.
“Esses dois fatores aliados causam uma explosão de adrenalina e cortisol (o hormônio do estresse), configurando uma mudança de comportamento, onde os animais podem apresentar sintomas mais leves como tremores e vômitos ou até mesmo desmaios e paradas cardíacas. Com isso, os relatos de fugas de animais são maiores por consequência disso, o que aumenta os riscos de atropelamentos. O Rio Grande do Sul também possui uma variedade grande de animais silvestres próximos a zonas urbanas que também são afetados pelos barulhos dos estouros dos fogos. Desde aves a primatas (como o bugio-ruivo) podem ter seu comportamento afetado pelos festejos e há até mesmo relatos de animais encontrados mortos”, comenta Lemos.
Ainda, de acordo com o veterinário, há algumas medidas que podem ser tomadas para diminuir o impacto sonoro nos pets. Confira abaixo:
Dicas
Evitar o disparo de fogos em zonas urbanas que tenham animais próximos;
Colocar pedaços de algodão pode diminuir a sensibilidade auditiva;
Existe também uma técnica para cães que consiste na passagem de um pano pelo dorso e ventre do animal que influencia na sua circulação sanguínea e diminui os efeitos da ansiedade;
Tomar bastante cuidado com portas e portões abertos por onde os cães possam fugir desnorteados pelo barulho dos fogos, evitando assim as fugas e possíveis acidentes que os animais possam sofrer;
Se possível, preparar um ambiente fechado, com menos barulhos, para o animal poder se refugiar até acabarem as explosões.
Redator: Tradição Regional
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