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Na manhã da última quinta-feira (20) a Prefeitura Municipal de Canguçu deu início a uma intervenção dada de forma consensual pela comissão de administração do Hospital de Caridade de Canguçu. A partir desta data, o Poder Executivo assume a gestão da instituição.
A intervenção foi anunciada a partir do decreto 7765/2018 por um período de 180 dias, até que o Executivo apresente um caminho para o enfrentamento da crise.
Na coletiva foi apresentado ainda o novo gestor da casa. Gabriel Andina, aos seus 29 anos, carrega a experiência de ser coordenador regional de saúde no governo do Estado.
Em entrevista, Andina abordou alguns pontos.
A problemática e o norte
“Eu assumi esse desafio justamente, por ser um desafio. Estou em um momento da minha carreira em que gosto de assumir compromissos desse porte. O hospital de Canguçu é referência para vários hospitais da região, um dos maiores da região sul, com exceção de Pelotas e Rio Grande.
Eu vejo isso como uma missão de vida a partir de agora. Vou me dedicar integralmente a esse processo de recuperação e as medidas são muitas. São anos de desajuste fiscal, econômico e assistencial.
Estamos elaborando um planejamento de curto, médio e longo prazo, onde colocaremos em execução a partir de agora. Temos um número de dívidas muito grande e a gente vai achar um meio de conseguir ao longo do tempo, paulatinamente, ir quitando.”
As prioridades da intervenção
“Estamos definindo quais serão as prioridades, trabalhando com a consultoria do Hospital Sírio Libanês e com uma possível ajuda do Banrisul, que é quem está financiando essa consultoria.
Nosso planejamento é estratégico e começa primeiramente por reduzir o déficit mensal, fazendo o hospital voltar a funcionar, dar assistência a comunidade e voltar a produzir para que nos próximos meses tenhamos um horizonte melhor.”
Intervenção passada x intervenção atual
“O que eu posso garantir é que não irá se repetir o que aconteceu na última intervenção realizada no Hospital de Caridade.
Não posso avaliar a outra intervenção pois eu não estava aqui e não acompanhei, sei o que li em alguns veículos de notícia e no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está ocorrendo na Câmara, então não me sinto confortável de falar sobre algo em que não participei e não vivenciei naquele momento.
Estamos estabelecendo processos de toda ordem, transparentes, onde faremos uma gestão como se faz em um órgão público. A partir de agora iremos organizar todos os processos, desde os mais simples até os mais complexos, com toda a transparência possível para que toda a comunidade volte a sentir segurança no hospital.”
Os maiores desafios
“A principal perda nesses anos todos do hospital foi a credibilidade. Os funcionários não acreditavam mais, nem os médicos, e nem a comunidade.
Então, nossa primeira missão de curto prazo, é resgatar essa credibilidade, com seriedade e transparência em todos os processos.”
Objetivos a médio-longo prazo
“São muitos os pontos que iremos colocar em prática, pois tem muita coisa pra mudar, entre eles, uma otimização dos custos, reduzindo custos, sem perder a qualidade no atendimento, evitando desperdício dentro da instituição.
Estamos em um trabalho grande para ter um incremento de receita, melhorando o contrato com o Estado.Temos uma renovação em abril de 2019. Nosso planejamento se volta para tentarmos um contrato mais substancial, diferente do que se tem hoje. Além disso, esperamos também um incremento de receita em um contrato junto a Prefeitura Municipal.
O prefeito Vinicius Pegoraro já nos assinou como positivo buscar outras fontes de renda, na particular e em cartões de sócios, começando a atuar já nesta ótica.
Temos um hospital com uma estrutura excelente, uma das melhores estruturas físicas que eu já vi na nossa região, mas ainda com processos de gestão hospitalar muito antigos. Então a ideia é modernizar, usando sistemas de gestão modernos, evitar desperdício, aumentar a receita e qualificar prestação dos serviços para a comunidade.”
Redator: Tradição Regional
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