Sexta, 05 de junho de 2026, 01:42h
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Profissinais se reuniram em frente ao hospital para tratar sobre indicativo de greve
Desde o dia 25 de fevereiro, funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas estão em greve. Dentre os temas das reivindicações estão o pagamento integral do salário no quinto dia útil e melhores condições de trabalho.
Em entrevista ao Jornal Tradição Regional, o provedor Lauro Ferreira de Melo salientou algumas articulações já realizadas em relação aos pedidos.
Uma das reivindicações da categoria é o pagamento integral do salário no quinto dia útil. Atualmente, os pagamentos são realizados a cada quinzena do mês, sendo pagos 50% do valor em cada efetuação. Isso ocorre porque a maior receita do hospital é relativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), quase 80%, sendo que o pagamento ocorre a cada 15 dias.
Sem repasse de recursos desde setembro do ano passado pelo governo estadual, somado em R$ 1,35 milhão, serviços da Casa de Saúde são prejudicados. Em consequência disso, houve atrasos nos salários. Segundo ele, este problema já foi resolvido. “Os valores de janeiro foram pagos e, inclusive, já pagamos 30% da folha de fevereiro no primeiro dia de março. Nesta semana, esperamos concluir os 20% restantes, cumprindo os 50% do início do mês”, afirma.
Com a incerteza dos valores referentes ao período de setembro a dezembro, há um impacto na Santa Casa. “Passamos a ter menos valores para comprar materiais simples e até mesmo medicamentos. Até agora não tivemos a interrupção no fluxo de medicamentos, mas de materiais simples sim. Estamos priorizando o mais relevante, que é a vida das pessoas”, comenta, ressaltando que houve uma adaptação da administração para conviver com a falta de incentivo do estado. Ainda, ele destaca que não tem conhecimento de procedimentos realizados com carência de material.
Segundo Melo, o vale-transporte foi pago no dia 20 de fevereiro. Caso algum trabalhador ainda não tenha recebido, é preciso entrar em contato com o setor de Recursos Humanos.
Já o não recolhimento devido do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de cada trabalhador está com impasses. Em 14 de março, acontecerá uma reunião em Porto Alegre com a Caixa Econômica Federal para tratar de uma negociação relativa as dívidas do FGTS. “Isso pode favorecer o pagamento”, ressalta.
Outro pedido está relacionado à creche para filhos de trabalhadores. Por mais de 40 anos o hospital teve um espaço de apoio, porém com a legislação de educação infantil, na qual exige a abertura de uma empresa-escola para administrar o local, foi encerrado o serviço. Hoje as crianças são matriculadas em um educandário e a Casa de Saúde destina um aporte financeiro, equivalente a uma bolsa, atendendo atualmente cerca de 59 crianças. “É um benefício que a Santa Casa está tentando manter”, disse.
Serviços e repasses do governo
Os setores do hospital estão com atendimentos restritos. De acordo com o provedor, o pedido é que os técnicos de Enfermagem fiquem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva, com 100% do serviço.
Ainda, ele destaca que as 105 Autorizações para Internação Hospitalar (AIH) estão sendo cumpridas, conforme contrato. “Hoje cumprimos o valor estipulado, mas não temos pessoal suficiente para aumentar o número”, disse.
Recentemente, foi assinado o Fundo de Apoio financeiro e de recuperação dos hospitais privados, sem fins lucrativos e hospitais públicos (Funafir). A estimativa é de que até hoje (8) a Santa Casa receba esse valor. O montante de R$ 574 mil será destinado à pagar 20% da parcela do salário referente a fevereiro e a compra de material para dar continuidade aos serviços do hospital no restante do mês.
Indicativo de greve
Em uma reunião entre os enfermeiros, profissionais e os sindicatos que representam os fermacêuticos e radiologistas na última quinta-feira (7), em frente à Santa Casa, foi firmado o indicativo de greve. A comunicação foi dada no mesmo dia para a provedoria e iniciará em até 72 horas.
“A luta é essa: salário na conta, negociação de acordo coletivo, questões de condições de trabalho, assédio moral, vale-transporte e o mais importante: que os profissionais que respondem aos seus registros não respondam por negligência da administração por não fornecer as condições de trabalho”, disse a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde de Pelotas, Bianca D’Carla Macedo da Costa.
Segundo ela, o movimento é unificado e recebe apoio do Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul) e do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região. “A Santa Casa é de todos nós”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
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