Quinta, 04 de junho de 2026, 14:43h
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Passeata marcou o início das atividades da Semana Municipal do Autismo
Nesta semana, Canguçu promove a 1ª Semana Municipal de Conscientização do Autismo. A ação é uma parceria entre Câmara de Vereadores, Prefeitura Municipal e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e acontece até este sábado (6).
A proposta é informar a comunidade sobre o que é o Autismo, as características e as dificuldades para a inserção no ambiente social e escolar. Para a assessora de imprensa e organizadora Roberta Pereira, a importância da Semana está em promover a oportunidade da comunidade se inteirar melhor sobre o espectro.
“Tem muitos autistas que não sabem que são. O Autismo tem vários graus e, às vezes, ele é tão fraco que os pais não conseguem identificar que o filho tem. No interior, onde muitas famílias estão afastadas da cidade, muitos pais não conseguem identificar o autismo nos filhos”, explicou Roberta.
Na última terça-feira (2), crianças e pais realizaram uma passeata no Centro da cidade. As faixas e os sorrisos tomaram conta da via principal. Panfletos sobre a conscientização foram distribuídos para os pedestres e comerciantes. E assim, foi o início da 1ª Semana Municipal de Conscientização sobre o autismo, pautada no tema: “O Autismo é uma forma diferente de ver o mundo”.
Na quarta (3) e na quinta-feira (4), o Cine Teatro Municipal sediou duas palestras sobre o tema. Rose Mery Krevin abordou o autismo como uma lição de amor e Gitania Vargas falou sobre a família. A Câmara de Vereadores promoveu também na quinta (4), uma sessão especial sobre o Autismo.
Hoje (5) e no sábado (6), alguns alunos autistas e seus pais estarão na IV Feira do Livro de Canguçu para explicar pontos sobre o autismo e apresentar livros e materiais sobre o tema. Além disso, estarão sendo expostos na feira os materiais usados no desenvolvimento motor e na capacidade cognitiva das crianças.
“Começamos de uma forma pequena, mas unido com a IV Feira do Livro e com a Conferência de Saúde abre mais o espaço para falar sobre o Autismo no município, a partir dessa primeira Semana de Conscientização”, explica a organizadora.
Para a psicóloga da Apae, Míriam Neutzling, quem tomou à frente pela criação do evento de conscientização foram as mães dos alunos, quando propuseram ao Poder Público uma semana de ações e palestras. Segundo ela, os pilares da ação foram o contato e a sensibilização da comunidade para o tema.
Para a assessora, a relação entre a prefeitura e a Apae na ação foi “uma parceria unilateral”. O Executivo ajudou na organização da logística, na realização das palestras e na viabilidade da passeata, contatando o Departamento de Trânsito para fechar a rua durante o ato.
“Tudo foi feito em conjunto. Canguçu conta com um número grande de autistas e é referência no atendimento, graças ao trabalho excepcional desempenhado pela Apae”, destaca Roberta.
Aumento de repasses garantiu continuação do atendimento
No final de 2017, o atendimento oferecido às 36 pessoas com Autismo corria o risco de ser interrompido. Com aporte limitado de recursos financeiros, que cobriam parcialmente o pagamento aos técnicos contratados, a instituição precisou realizar promoções coletivas e arrecadar doações para manter os atendimentos.
Na época, a Apae realizava o atendimento de 180 crianças com deficiência intelectual e múltipla. Não havia previsão de aumento nos repasses do Estado e o número de crianças com espectro autista na fila para serem atendidas só aumentava. Para não comprometer as finanças e os atendimentos, optou por comunicar o município sobre a possibilidade cada vez mais real de reduzir os atendimentos.
“Quando as crianças apresentavam uma melhora, tinham que sair para dar espaço para outros alunos. Isso dificultava o tratamento, porque quando elas tinham um avanço, acabavam tendo que procurar outro lugar para continuar”, relembra Roberta.
Pais de alunos em tratamento se reuniram no gabinete do prefeito e expuseram sua insegurança. Um Termo de Fomento e Acordo de Cooperação aumentou o recurso de R$ 70 mil ao ano, para R$ 270 mil para 2018, zerando a fila, ampliando a capacidade de atendimento e garantindo a manutenção de serviços. O acordo de cooperação cedia ainda 15 professores, um estagiário, um técnico em suporte pedagógico, um servente e um motorista.
“Várias situações foram pensadas na época, para auxiliar a instituição. Temos uma parceria grande com a Apae, e tem uma questão específica, que ao meu ver, é um diferencial: a aptidão para fazerem esse atendimento. Os profissionais tem amor pela causa e toda a qualificação técnica. Não havia motivo para a prefeitura criar um Centro Municipal para atender o autismo. Nós tínhamos que apoiar a entidade que sempre foi parceira do município, então nos programamos e remanejamos um orçamento de R$ 200 mil”, afirma o prefeito Vinicius Pegoraro.
Neste ano, o repasse foi ampliado para R$ 380 mil. Segundo o Executivo, o intuito é manter o atendimento e promover melhores condições de trabalho aos professores e cuidadores.
“É importante fazer calçamento, botar o tijolo e o cimento. Isso mostra que o município está crescendo. Agora a felicidade a gente não consegue medir por metro quadrado, linear ou pela quantidade de cimento. A gente mede por programas como este, em que se consegue transformar a vida das pessoas. É um processo lento, que muitas vezes não chama a atenção, mas ele é extremamente importante para transformar a realidade do município. Esse é o grande diferencial deste atendimento. É a transformação que a gente promove no município, a possibilidade de inclusão e, principalmente, de conscientização das pessoas que não conhecem o Autismo e não sabem como lidar com ele”, comenta o chefe do Executivo.
Atualmente, 42 crianças autistas são tratadas na Escola Saber Viver (Apae). A instituição frisou que a parceria com o Poder Público tem sido muito importante para conseguir suprir a demanda dos atendimentos.
São sintomas e características do autismo:
- Dificuldade na interação social, como contato visual, expressão facial, gestos, dificuldade em fazer amigos, dificuldade em expressar emoções;
- Prejuízo na comunicação, como dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo da linguagem;
- Alterações comportamentais, como não saber brincar de faz de conta, padrões repetitivos de comportamentos, ter muitas “manias” e apresentar intenso interesse por algo específico, como a asa de um avião, por exemplo.
Estes sinais e sintomas variam de leves, que podem até passar despercebidos, mas também podem ser moderados a graves, que interferem muito no comportamento e na comunicação da criança.
Redator: Tradição Regional
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