Quarta, 03 de junho de 2026, 23:24h
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Evento foi marcado por muitos debates, trocas de experiências e celebração do pioneirismo de São Lourenço do Sul
Com o tema Saúde Mental na Atenção Básica: Fortalecendo as redes de saúde por um cuidado e(a)fetivo, o 14º Mental Tchê foi realizado nos dias 16 e 17 de maio reunindo pessoas de 55 municípios em debates marcado por anúncios de importantes avanços. O evento aconteceu no Galpão Crioulo do Camping Municipal, para uma ampla discussão sobre a saúde mental. Mais de mil pessoas participaram do encontro que comemora também o Dia Nacional de Luta Antimanicomial (18 de maio).
A programação contou com apresentações artísticas de grupos de centros de atendimento em saúde mental de várias cidades, evidenciando a importância e eficácia deste tipo de tratamento terapêutico. Ao longo dos dois dias, foram também realizadas mesas de debates com profissionais de várias cidades, com temas como Cuidado Compartilhado em Saúde Mental; Experiências de articulação da Saúde Mental na atenção básica: Experiências e desafios nos municípios; Dispositivos possíveis no cuidado intersetorial. Além de profissionais, as mesas reuniram usuários dos serviços de saúde mental falando sobre suas experiências.
Na abertura oficial do evento, foi destacado, especialmente, o pioneirismo de São Lourenço do Sul no tratamento em saúde mental, além da importância do Mental Tchê para discussões e avanços no setor. “Esta luta começou nos anos 1980 e mudou a trajetória da saúde mental”, lembrou Flávio Resmini, médico psiquiatra supervisor de Saúde Mental de São Lourenço do Sul, referindo-se ao trabalho iniciado no município e que se tornou referência ao país.
Ele ainda destacou que esta luta resultou em uma lei da reforma psiquiátrica. “Os serviços dão voz aos usuários”. A secretária municipal de Saúde, Jaqueline Bergmann, agradeceu o conjunto de órgãos e instituições envolvidas no sucesso do Mental Tchê e lembrou o pioneirismo do psiquiatra Flávio Resmini e da então secretária de Saúde Arita Bergmann, quando criaram o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de saúde mental do Rio Grande do Sul, em São Lourenço do Sul, o segundo no país: a Nossa Casa, que está completando 31 anos. “É com muita alegria que abrimos este Mental Tchê. Que possamos falar e aperfeiçoar a saúde mental, as possibilidades e as formas de fazer saúde no município”, disse a secretária, ressaltando que isto é construir um mundo mais justo e mais igualitário.
A secretária de Saúde do estado do Rio Grande do Sul, Arita Bergmann, também falou na abertura do evento e lembrou de quando era secretária do município e iniciou com Resmini o trabalho pioneiro em saúde mental. “É emocionante ver que toda a luta da reforma psiquiátrica se torna visível neste evento. Na época eu dizia: Estamos construindo uma nova história de cidadania na saúde mental”, relembrou a secretária.
O prefeito Rudinei Härter (PDT) iniciou falando que o próprio Mental Tchê evidencia que não há possibilidade alguma de retrocesso, apenas avanços e destacou sua alegria em ver tanta gente junta para discutir a saúde mental. “Estou muito contente de estar junto com vocês para discutir. Sei que daqui sairão muitas propostas positivas para esta área”.
A abertura contou ainda com falas do presidente da Câmara de Vereadores, Luis Weber (PT), da vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Silvana Freitas, da representante do Conselho Estadual de Saúde, Ivarlete Guimarães de França, do presidente do Cosems/RS e secretário da saúde de Rio Grande, Diego Espíndola e do representante dos usuários da saúde mental de São Lourenço do Sul, Laércio Nebel, que falou de sua felicidade pela oportunidade de mais uma vez estar junto com usuários, familiares e profissionais de tantas cidades, debatendo os serviços de saúde mental.
Antes do encerramento do evento, a secretária Jaqueline Bergmann, ao agradecer aos participantes e a sua equipe, destacou: “Este é um palco para compartilhar saberes, experiências e construir a saúde mental”. Ao lado dela, o médico psiquiatra Flávio Resmini anunciou o tema do Mental Tchê 2020: “Saúde mental na terceira idade”.
Pioneirismo
São Lourenço do Sul é referência em saúde mental, não apenas pelo pioneirismo na criação da Nossa Casa, mas pela grande rede de atendimento nesta área. Além de 14 unidades básicas de saúde na cidade e no interior, possui três Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 30 leitos psiquiátricos em hospital geral e conta com residência médica em psiquiatria e residência multiprofissional em saúde mental.
Avanços na área e anúncios da secretária estadual
Arita Bergmann aproveitou a oportunidade para anunciar conquistas na área da saúde, especialmente em saúde mental, como a habilitação de 38 leitos hospitalares em saúde mental e 14 novos serviços de saúde mental no Estado para que recebam verbas federais por meio do Ministério da Saúde.
Para São Lourenço do Sul, a conquista é na habilitação de uma Unidade de Acolhimento para adultos, especializada no atendimento de gestantes usuárias de drogas - primeira experiência na área a ser implantada no Centro de Saúde São João da Reserva. Este projeto da Secretaria Municipal de Saúde tem a denominação de Mãe Me Quer.
A secretária também anunciou que a Região Sul foi escolhida pela gestão estadual para ser laboratório da planificação em saúde mental, com objetivo de colocar a rede básica como ordenadora do cuidado. O laboratório será em São Lourenço do Sul. Deve ter também um ambulatório de especialidade em saúde mental. Por critérios técnicos, o município foi escolhido para o desenvolvimento do projeto da planificação através da equipe do Hospital Albert Einstein.
Redator: Tradição Regional
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