Quinta, 09 de julho de 2026, 11:01h
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Dotado de esperança, o casal Maicon Gabriel Cavalheiro Silveira, 31 anos, e Débora Garcia de Farias Silveira, 33, aguardam a chegada do primeiro filho. O administrador de empresas e a agrônoma curtem a quinta semana de gestação e entregam o sentimento de felicidade ao contar que o bebê tem previsão de nascimento para julho de 2013.
O momento vivido pelo casal demonstra superação pelo drama enfrentado nas primeiras horas deste ano. No dia 31 de dezembro, Débora deu luz ao casal de gêmeos Gabriel e Luísa. Com 29 semanas de gestação, eles nasceram prematuramente no Hospital de Caridade e logo foram internados na recém-inaugurada Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
Em janeiro, Maicon foi informado de que o menino estava com uma grave infecção. No dia 13 do mesmo mês, Gabriel morreu. Luísa teve mais resistência e suportou a um coágulo nos pulmões até o dia 20 de fevereiro. Naquele dia, o mundo desabava sobre o jovem casal. Um sonho havia sido interrompido.
No dia 12 deste mês, a UTI neonatal de Canguçu completou um ano de inauguração. O que era para ser motivo de nova festa com presença de políticos do Estado e discursos saudosistas – a exemplo do que ocorreu no dia da inauguração -, é lembrado com dor por, pelo menos, uma dezena de famílias, que viram bebês prematuros perderem vida dias depois do nascimento. O índice de 13 mortes para 45 nascimentos alarmou a Secretaria de Saúde do Estado, que determinou o fechamento da unidade no final de fevereiro, 105 dias depois de ter sido aberta. “Lembro do nome de cada uma das oito crianças que chegaram e partiram enquanto nossos bebês estavam lá. Somente dias depois da internação é que ficamos sabendo que cinco crianças prematuras já haviam morrido na UTI. Foi um susto” conta Débora.
A transferência de Luísa para outra unidade do Estado chegou a ser cogitada, mas não foi recomendada por um médico neonatologista de Rio Grande, que acompanhava o caso, e lembrou que a UTI possuía equipamentos de 1º mundo e só seriam encontrados exames mais avançados fora do país. “Vai ser uma alegria ver a UTI neonatal aberta novamente. Sabemos que vai ter outras mortes, pois os bebês nascem em delicado estado de saúde, mas o Hospital precisa ter condições de atender crianças como elas precisam” avalia o administrador.
Na casa localizada na rua Fernando Osório, no bairro Uruguai, o quarto que havia sido decorado para os gêmeos não guarda mais móveis e brinquedos infantis. Esta foi uma das decisões tomadas pelo pai, para não relembrar o pesadelo vivido.
A outra decisão foi anunciada pela futura mãe, quase no final da entrevista. “Uma certeza nós temos: o bebê não nascerá em Canguçu. Sabemos das falhas que ocorreram na UTI e ficamos receosos. Temos medo de passar por novos riscos, além das lembranças de voltar ao mesmo hospital. Acreditamos que, em Pelotas, os recursos são mais avançados. Mas nosso filho ou filha será canguçuense de coração” adianta a agrônoma.
Até julho de 2013, quem seguirá alegrando a casa são as duas cachorrinhas de estimação do casal: a poodle Polly e a boxer Lyka. O próximo ano também é visto como positivo no campo profissional para Maicon, que abrirá uma agropecuária na avenida 20 de Setembro. A inauguração está prevista para o dia 2 de janeiro.
Secretaria de Saúde do Estado cobra comprovação de médicos
Segundo o jornal Diário Popular, a Secretaria de Saúde do Estado (SES) informou, no final de setembro, que o Hospital de Caridade de Canguçu ainda não havia apresentado comprovação de ter corpo clínico para manter o serviço. Em agosto, o hospital havia encaminhado ofício à SES com o nome de uma empresa terceirizada que forneceria os profissionais para atender no local.
Contudo, o Conselho Regional de Medicina (Cremers-RS), ao ser consultado pela Secretaria, informou que a empresa não possuía registro no órgão, sendo que a legislação exige o cumprimento dessa norma para a habilitação do serviço. Esse registro, segundo o Cremers, já teria processo aberto no conselho. Porém, para que o atendimento pudesse ser feito, a empresa precisaria estar com o trâmite concluído.
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