Quarta, 08 de julho de 2026, 09:19h
Home Saude
Presidente em exercício avalia que Hospital teve 15 anos de prejuízos contabilizados em atendimento pelo SUS
O encerramento das atividades do Hospital de Caridade para pacientes do SUS já tem data marcada. A partir do dia 30 de abril, a instituição fechará as portas para todos que buscam atendimento gratuito de saúde. A afirmação é do vice-presidente da entidade – e atual presidente em exercício – Ernesto Arndt Neto. Segundo o médico, o déficit mensal do hospital ultrapassa os R$ 130 mil e a medida será adotada caso não seja firmado um novo convênio. “Se não efetuarmos o convênio com o SUS neste mês de abril, dia 30 será o último dia de atendimento”, afirma.
Em entrevista ao Jornal Tradição Regional, o médico explica que, apesar dos boatos de fechamento total da instituição, os atendimentos particulares e alguns convênios serão mantidos. Numa corrida contra o tempo, Arndt Neto esteve reunido na segunda-feira (1º) com o secretário municipal de Saúde, Arion Nunes. O diretor reconhece que os valores repassados pelo Governo Federal a Canguçu impossibilitam um apoio maior por parte do município. Na sexta-feira (05), estava prevista uma reunião com a Superintendência Regional de Saúde.
O atendimento aos pacientes
“O Hospital é um prestador de serviços. Falem o que falar. Nós prestamos um serviço de excelência perante o SUS, se formos comparar com outros locais do Brasil. Vejam no Hospital da Universidade Federal: cadeiras de madeira caindo aos pedaços. E isso que eles têm todo o dinheiro do mundo, porque os funcionários não são pagos pelo SUS, e sim pelo Governo Federal. O Governo deve entender que precisa pagar pelos serviços que nós estamos prestando”.
Relação com a prefeitura
“Entre o mar e o rochedo, quem se arrebenta é o siri. E na saúde, quem se arrebenta é o município. Estive reunido por mais de duas horas com o secretário Arion Nunes, analisando o orçamento. É uma vergonha o que eles (Governos Federal e Estadual) obrigam os municípios a cumprir em termos de legislação, mas sem repassar os devidos recursos. Isto é uma piada da política brasileira”.
Consequência do fim do atendimento pelo SUS
“Quem tiver condições (de pagar a internação), será atendido aqui. Mas a maioria das pessoas precisará se deslocar a Pelotas e permanecer na fila por dois, três, cinco ou seis dias – enfermo – até ser atendido. A prefeitura terá de fazer convênios com hospitais de Pelotas, criar Pronto-Socorro, colocar 50 ambulâncias e ônibus por dia transportando pacientes”.
A dívida total do hospital
“Não posso fornecer esses dados, porque precisaria entrar fundo na contabilidade do hospital. O que posso afirmar é que são 15 anos de prejuízos contabilizados, graças ao SUS. Se analisarmos o que o SUS paga hoje, não chega a 50% do que pagava a 15 ou 20 anos”.
A situação da UTI
“Não recebemos mais pacientes porque não há corpo médico para atender. E justamente por fatores econômicos. Abriram novas UTIs na região, inclusive particulares, pagando cerca de 70% além da nossa capacidade. Para reabrirmos a UTI, deverá ocorrer uma negociação com o Governo do Estado, viabilizando um aumento de recursos, atendendo a média mínima paga na região”.
Paciente que precisava de tratamento intensivo e morreu no dia 31
“Chegam pacientes necessitando de atendimento na UTI. Tentamos encaminhar, mas não existem vagas na região. Só para citar um exemplo, nesse domingo (31), uma paciente que já havia sido atendida com sucesso três vezes em nosso setor de UTI, precisou novamente de atendimento. Encaminhada para Pelotas, ela faleceu três horas após, porque precisou ficar no setor de emergência do Pronto-Socorro”.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados