Ter�a, 07 de julho de 2026, 22:57h
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Em uma entrevista coletiva na manhã de quinta-feira (02), o prefeito Gerson Nunes explicou a decisão tomada pela administração pública de assumir a gestão do Hospital de Caridade. Segundo o prefeito, o decreto expedido, que determina essa decisão, é um pedido antigo da comunidade e anuncia situação de calamidade pública no setor hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) no município.
“A nossa intenção é recompor a gestão hospitalar para que ela volte a ativar a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulta, que voltem a funcionar e serem feitas as cirurgias eletivas e que se resolvam todos aqueles problemas que nós vimos que a antiga administração do Hospital tinha, seja com o Estado, com o município ou com o SUS”, alegou Gerson.
A proposta de uma nova comissão para a administração do Hospital vinha sendo discutida há bastante tempo. “Tomamos esta decisão, um pouco pelas cobranças da comunidade que não estava sendo atendida adequadamente”, argumentou. O prefeito informou que todos os serviços prestados pela instituição serão mantidos, e que a ideia é ampliar o atendimento à população.
Segundo ele, a prefeitura possui uma parceria com o Governo do Estado, Secretaria Estadual de Saúde e Coordenadoria Regional de Saúde, cujos representantes acompanharam a nova comissão gestora na manhã desta quinta-feira no Hospital. Órgãos públicos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) também já foram informados da decisão. Gerson disse ainda que os funcionários da instituição não serão demitidos e que apenas a atual direção e alguns casos específicos serão afastados.
Veja os principais trechos da entrevista do prefeito Gerson Nunes
Gestão deixava a desejar pela falta de transparência:
Foi uma decisão difícil. É uma das decisões que nós, que estamos sentados aqui na cadeira da prefeitura, precisamos tomar e que há muito tempo já poderia ter sido tomada. A relação do Hospital se arrasta há muitos anos, com uma gestão que deixa a desejar pela transparência e pela participação popular. O que nós fizemos hoje foi devolver o hospital a quem realmente pertence, à comunidade de Canguçu.
Duração do decreto da prefeitura:
O decreto prevê 12 meses. Neste período iremos avaliar qual o procedimento será tomado em seguida. Mas, a princípio, ele esta sendo requisitado por 12 meses. O Hospital não deixou de existir, não vai parar de funcionar e os funcionários continuarão com o mesmo vínculo. As empresas terceirizadas que estão lá prestando serviços vão continuar, a não ser que elas não queiram.
Reabertura da UTI Neonatal:
Nós precisamos urgentemente abrir a UTI adulta, que foi fechada no dia 1º de abril. A UTI Neonatal é um segundo ou terceiro passo. Para compor uma UTI Neonatal, precisamos ter uma equipe muito bem preparada, e nós não sabemos se existe essa equipe na região para atender, levando em consideração que há a UTI Neonatal de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria. Então, existe esse atendimento na região.
Pronto-Socorro:
O Pronto-Socorro será mantido, vamos reforçar o seu atendimento, para qualificar o atendimento.
Decisão da Prefeitura está dentro da lei:
Temos uma situação em que as pessoas da cidade e do interior cobram do prefeito a necessidade de realizar cirurgias eletivas, que devido a falta de anestesiologista, não estão sendo atendidas. Precisamos tomar uma providência. Só para se ter uma ideia, aumentou muito, nos últimos dias, o deslocamento da nossa comunidade para municípios vizinhos. Isso não pode persistir. O artigo 67 da Constituição Municipal diz que o prefeito pode decretar, nos termos legais, desapropriação de necessidade ou utilidade pública de interesse social. Foi isso que fizemos, cumprimos a lei.
Ilegalidade na antiga administração:
Nós não sabemos de ilegalidade e, inclusive, estamos autorizando o Tribunal de Contas do Estado para fazer uma auditoria e tudo o que for possível. Queremos abrir para que a comunidade conheça a realidade do Hospital e que se entenda, de fato, onde está sendo utilizado o recurso público. Nós temos conhecimento de que o Estado repassa recursos, e somente nos últimos dois meses foi repassado mais de R$ 1 milhão. Isso demonstra que o Hospital precisa ter condições de manter a folha de pagamento e atender o seu compromisso. Neste momento, a comissão está fazendo um levantamento para conhecer a realidade do Hospital.
Dívidas do Hospital:
Nós não temos conhecimento das dívidas. Isto que o gestor está fazendo, é um levantamento, um diagnóstico de todos os problemas que o Hospital tem. A gente recebe notícias de que há dívidas, mas nós ainda não tivemos conhecimento de contratos, documentos que demonstrem a existência delas. Só foi noticiado pelos gestores anteriores de que há essa dívida.
Nova comissão gestora
A partir desta quinta-feira (2), uma nova comissão irá administrar o Hospital de Caridade. O secretário de Desenvolvimento Econômico e Cooperativismo, Beto Boemeke, foi exonerado do cargo e passa a ser o gestor presidente da instituição. A informação foi dada por um decreto oficial publicado no site da Prefeitura. A justificativa dada no documento para a decisão é o estado de calamidade pública no setor hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) do município, fazendo com que a Prefeitura requisite os bens, equipamentos, serviços, servidores, corpo clínico, móveis, utensílios, ativos, contratos, convênios, contas, títulos e demais consectários pertencentes ao Hospital.
Conheça a equipe
Beto Boemeke - Secretário de Desenvolvimento Econômico e Cooperativismo, foi candidato a vereador pelo PMDB em 2012;
Airton Pereira - Médico pediatra;
Giovani Boteselle - Bancário no Banrisul, foi candidato a vereador pelo PSB em 2012;
Arlei Idiartt Leal - Advogado;
Izair Leal - Funcionária Pública Estadual e guia de turismo;
Grace Bettin - Farmacêutica e bioquímica;
Luciane Bastos Silva - Assistente social;
Zilmar Lessa - Advogado.
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