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Ainda não se sabe quais consequências que podem sofrer as vítimas que inalaram cianeto e monóxido de carbono
No dia 22 de fevereiro de 2013, dias antes de completar o primeiro mês da tragédia na boate Kiss, o Ministério da Saúde, as secretarias Estadual e Municipal de Saúde e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) assinaram um termo por meio do qual se comprometem a realizar os procedimentos técnicos e operacionais com um objetivo: cuidar da saúde das vítimas da tragédia pelo prazo de, no mínimo, cinco anos. Desde então, serviços ambulatoriais estão sendo prestados. Entretanto, ainda há vítimas – atingidas direta ou indiretamente – que não procuraram atendimento ou desistiram dele.
A preocupação com quem ainda não foi atendido é uma constante no ambulatório de fisioterapia do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). A chefe do setor, Ana Lucia Cervi Prado, destaca a importância do acompanhamento profissional para o bem dos pacientes envolvidos no caso. Ainda não se sabe quais consequências que podem sofrer as vítimas que inalaram cianeto e monóxido de carbono. Por isso, a prevenção é o melhor caminho. O ambulatório de fisioterapia atende os sobreviventes com lesões internas – nas vias respiratórias – e externas, como queimaduras.
A intenção é garantir a saúde das pessoas, e o tempo, nesse caso, é valioso para os tratamentos. A equipe do Husm alerta que quem ainda não procurou o Centro de Atendimento a Vítimas de Acidente (Ciava) no hospital precisa fazê-lo, já que há prazos para a recuperação. A fisioterapeuta Isabella Albuquerque está preocupada com os queimados. Ela explica que quem não tratar corretamente ou demorar para procurar atendimento pode ficar com sequelas, pois existe uma janela de tempo para o tratamento desse tipo de caso – de um ano e meio –, para intervir com fisioterapia. Após esse período, as chances de recuperação são praticamente nulas.
“Caso esse paciente (com queimaduras) demore a procurar o atendimento ou não faça o tratamento de maneira adequada, ele evoluirá de uma incapacidade temporária para permanente, com perda da amplitude dos movimentos das articulações envolvidas, tornando a realização das atividades de vida diária (tais como alimentação, banho, pentear os cabelos, entre outras) algo extremamente difícil”, explica Isabella.
Conforme as fisioterapeutas, os problemas pulmonares – causados pela inalação da fumaça tóxica liberada na queima da espuma que revestia o teto da Kiss – poderão ocorrer a curto, médio e longo prazos, principalmente nos casos relacionados às terapias de remoção de secreções brônquicas. Dessa forma, os pacientes devem receber acompanhamento clínico e fisioterapêutico para evitar o desenvolvimento de doenças como bronquite crônica, asmas, infecções respiratórias secundárias, entre outras. “Uma gripe para mim, que não fui exposta à fumaça, não é a mesma para uma pessoa que esteve lá. Por isso, a necessidade de avaliação”, explica Ana Lucia.
Fonte: Zero Hora
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