Segunda, 06 de julho de 2026, 13:30h
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Titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde afirmou que haverá maior investimento do governo do estado no setor da saúde em Canguçu.
A paralisação dos médicos pediatras e obstetras, prevista para iniciar nesta sexta-feira (9) foi suspensa. A decisão foi tomada entre os profissionais e o Hospital de Caridade durante reunião na terça-feira (6). A informação foi divulgada pelo gestor do Hospital, Beto Boemeke, em entrevista à Rádio Liberdade. No encontro, a direção da instituição propôs a contratação de mais quatro pediatras, que cumprirão plantões de 12 horas na urgência e emergência para diminuir a sobrecarga dos cinco obstetras e quatro pediatras que atendem atualmente no setor.
Os médicos aceitaram a proposta. “Prevaleceu o bom senso, a responsabilidade com a nossa sociedade, prevaleceu o diálogo. Afinal, com o nível de informação que eles têm, e que nós temos também, não se poderia esperar algo diferente”, disse Boemeke. Beto também afirmou que as contratações dos novos médicos estão sendo formalizadas e os atendimentos deste novo plantão podem começar na segunda-feira (12).
Acusações
O gestor presidente do Hospital de Caridade, Beto Boemeke, contestou as informações lançadas em nota pelo Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul, sobre a paralisação dos atendimentos de urgência nas áreas de pediatria e gineco-obstetrícia, que aconteceria a partir de sexta-feira (9), e acabou sendo suspensa. Segundo ele, a informação de que há seis meses os médicos estariam buscando, sem resposta, a renovação dos contratos, não procede, já que existe um documento assinado pelo gestor e pela clínica responsável pelos médicos da área com a data de 31 de maio.
“Talvez eles (os médicos) estivessem negociando antes, com a gestão anterior, e esqueceram que assinaram o contrato com a nova gestão em maio de 2013. Isso aqui cheira a brincadeira de mal gosto, cheira a abuso, a pressão desnecessária e que não levará a lugar nenhum. O problema da nota é querer comprometer a direção do hospital”, disse, em entrevista à Rádio Liberdade AM.
Boemeke também afirmou que o Hospital valoriza o serviço prestado pelos médicos. Ele explica que na gestão anterior, o contrato que teria sido assinado em janeiro de 2012 estava orçado em R$ 79,2 mil para a clínica responsável pelos médicos. Já em abril de 2013, antes da intervenção da prefeitura, teria passado para R$ 84,8 mil. Após 29 dias da intervenção, a nova gestão teria feito um contrato com mais de 11% de aumento, com investimento chegando a R$ 94 mil. “Esta história de que o Hospital ou o poder público, não estão querendo valorizar o trabalho dos médicos também é mentira”, afirmou.
O gestor disse que a principal reclamação dos profissionais é a sobrecarga, em função dos encaminhamentos do pronto-socorro, pronto-atendimento e posto de Saúde. “Eu reconheço que eles estão sobrecarregados, e quero resolver o problema. Não quero ficar fazendo fofocas e colocando a sociedade contra o hospital ou contra quem quer que seja, sem antes ter ao menos uma alternativa de solução”, argumentou.
A questão financeira do Hospital ainda é complicada. No entanto, houve uma diminuição na dívida da instituição, que era de R$ 13 milhões e está em R$ 10,5 milhões. “Nós estamos buscando soluções para os problemas, que são muitos, e esse dos pediatras é apenas mais um. Os médicos, como profissionais que atuam na entidade e que são de extrema importância, tinham a obrigação de compreender”, alega. Em relação à sobrecarga, Beto ainda declarou que é exagerada a afirmação de que os médicos estariam fazendo de 30 a 40 consultas por dia. “Podem ter dias em que isso aconteça, mas não são em todos”, salienta.
Como solução para o problema, o gestor propôs a realização de plantões de 12 horas no pronto-socorro. “Os médicos contratados da clínica ficariam responsáveis por atender o bloco obstétrico, enfermaria, pediatria e maternidade e nós, estabeleceríamos um horário de 12 horas para colocar um plantão pediátrico direto no pronto-socorro. A partir dessas 12 horas, aqueles médicos que estarão de plantão 24 horas por dia no bloco obstétrico, maternidade e pediatria, assumiriam essas consultas, já que no horário da madrugada, só irá chegar lá urgência e emergência”, argumentou.
Equipamentos
Durante a audiência pública realizada na Câmara de Vereadores na sexta-feira (02), o titular da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, Milton Martins, defendeu o encaminhamento de equipamentos da UTI Neonatal de Canguçu para o Hospital Escola da UFPel. Ele lembrou que os equipamentos foram comprados com dinheiro público oriundo da Consulta Popular e de emendas parlamentares e que, portanto, devem estar a serviço do interesse público, salvando vidas. “A UTI Neonatal está parada há mais de um ano, sem prestar atendimento”, lamentou.
Para o coordenador, as equipes especializadas estão nos centros de maior complexidade, o que teria sido decisivo para o fechamento da UTI. “É por isso que o hospital não conseguiu contratar uma equipe. Foi uma aventura terem instalado essa UTI em Canguçu”. Martins revelou que para a abertura da UTI Neonatal, não houve sequer parecer técnico favorável. O CREMERS teria um processo volumoso denunciando as irregularidades. “Abriram uma UTI sem nenhuma condição de funcionar, sem equipe. É por isso que morreram 12 crianças aqui num curto espaço de tempo”, denunciou.
As críticas não pararam por aí. O responsável pela 3ª CRS revelou que existem denúncias de graves irregularidades ocorridas durante o período de funcionamento da UTI. Milton Martins defendeu o encaminhamento dos equipamentos para Pelotas. “Nós temos um pedido formal do Hospital Escola de Pelotas solicitando parte dos equipamentos da UTI Neonatal de Canguçu. Remeti esse pedido para o nível central, foi à Procuradoria Geral do Estado e teve parecer favorável. Porque se a UTI não pode funcionar em Canguçu, que funcione em Pelotas, que tem equipe e estrutura pronta para receber esses equipamentos”, argumentou.
Para justificar a transferência, o coordenador lembrou que Canguçu já tem a confirmação de maior investimento do governo do estado no setor da saúde. A garantia teria vindo de uma reunião, da qual participaram o secretário de Saúde do Estado, Ciro Simoni, o prefeito de Canguçu Gerson Nunes, o secretário Arion Nunes e o gestor do Hospital, Beto Boemeke. “Aumentarão as cirurgias, os procedimentos, os partos, os leitos de longa permanência. O Hospital de Canguçu, num curto espaço de tempo, será transformado em referência na região. Já foi assinado um contrato de R$ 12 milhões e novos recursos virão”, afirmou.
Martins frisou que, com o investimento do Estado e a transferência dos equipamentos, a região sul passará de 24 leitos de UTI Neonatal e Pediátrica para 54. Já em relação ao novo convênio do Estado com o Hospital, ele disse que agora o repasse é maior devido ao fato de haver controle da gestão municipal.
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