Segunda, 06 de julho de 2026, 05:35h
Home Saude
Gestor do hospital voltou a defender que Canguçu não tem condições de manter a UTI Neonatal
Percentual destinado à Saúde deixou Canguçu na 388ª posição entre os municípios gaúchos; na Educação, ele aparece na 365ª posição
Com base nos dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), um levantamento realizado pelo jornal Zero Hora apontou o investimento de todos os municípios gaúchos nas áreas de Saúde e Educação. Os números são referentes ao ano de 2012.
Mesmo cumprindo os índices obrigatórios, Canguçu foi um dos municípios que apresentou investimentos abaixo da média nestas duas áreas. A atual legislação estabelece que cada município deve aplicar, no mínimo, 15% da receita líquida em Saúde. Na área da Educação, o investimento mínimo deve ser de 25%. Dos 496 municípios pesquisados, apenas a prefeitura de Canela não cumpriu estes percentuais.
Educação – percentual de investimento
Canguçu aparece na 365ª posição, atrás de cidades da região, como Encruzilhada do Sul, Cerrito e Pinheiro Machado. Segundo o TCE, o município investiu 26,76% da receita. O percentual está acima do que determina a lei, mas abaixo da média estadual. Imbé aparece no topo da lista, com 47,82% da receita destinada à educação. Na região, o destaque foi Piratini, que investiu 34,78%.
Educação – investimento per capta
Neste quesito, Canguçu ficou numa das piores posições. O município está em 492º lugar, somente à frente de quatro cidades gaúchas, com média de R$ 244,62 investidos em educação por habitante. Pinhal da Serra aparece no topo desta lista, com aproximadamente R$ 2,2 mil per capta de investimento. Na região, o destaque em 2012 foi Pedras Altas, com R$ 1,4 mil per capta.
Saúde – percentual de investimento
Com investimento de 17,78% da receita, Canguçu ocupa a posição 388 entre os 496 municípios gaúchos. O maior percentual é o de Panambi, que direciona 38,99% de sua receita para o setor. Na região, Arambaré, Tapes e Arroio do Padre destinam aproximadamente 25% para a Saúde.
Saúde – investimento per capta
O investimento médio por habitante em Canguçu foi de R$ 160, o sexto pior de todo o Estado. Vista Alegre do Prata aparece no topo da lista, com índice médio por habitante de R$ 1,3 mil. Na região, Candiota teve uma da melhores marcas, com R$ 628 per capta.
Alguns reflexos
Uma das consequências do baixo investimento em saúde tem sido vista na situação do Hospital de Caridade do Município, que mesmo tendo avançado em alguns pontos, como o aumento de leitos do setor da Pediatria e a melhoria no atendimento, ainda passa por um momento delicado.
Em entrevista a radio Liberdade AM, o gestor do hospital, Beto Boemeke, falou sobre a dívida que a instituição acumulou com duas estatais ligadas ao governo do estado. Segundo ele, os números são altos e chegam a R$ 3,6 milhões, sendo R$ 1,3 milhão com a Corsan e R$ 2,3 milhões com a CEEE.
Boemeke destacou que, mesmo a negociação sendo complexa devido ao valor elevado, os órgãos vem demonstrando sensibilidade em relação a situação, visto o papel social que o hospital desempenha. “Recebemos uma proposta financeira para quitar a dívida, mas ainda não chegamos a um ponto que tenhamos condições de cumprir”, explicou.
Outra fragilidade do Hospital é a questão das Unidades de Tratamento Intensivo. O gestor prefere não arriscar uma data para a reabertura da UTI Adulto, visto que o processo passa por detalhes contratuais ainda não definidos. “Por nossa vontade, já teríamos aberto a UTI Geral, mas estamos definindo alguns pontos do contrato com a equipe que assumirá este setor”, justificou.
Já sobre a UTI Pediátrica, assunto polêmico na cidade, Beto afirmou que a decisão sobre e permanência ou não da Unidade no município não dependerá dos gestores, mas de uma iniciativa do prefeito ou de uma medida judicial. Ele voltou a defender que Canguçu não tem condições de manter a estrutura. “Nós não temos equipe técnica para isso. Alguns me cobram que não foi procurada essa equipe de profissionais. Eu vou deixar de atender a urgência que está batendo na minha porta, com pessoas morrendo, para procurar uma coisa que, já se sabe, tem remota possibilidade de funcionar? Não. Vou agir com responsabilidade. Desculpem aqueles que não concordam, mas não vou priorizar coisas inviáveis. Gostaria de ter uma UTI Neonatal em Canguçu, mas vejo isso como inviável. Então prefiro fazer o arroz com feijão bem feito”, argumentou.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados