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Saúde

04-10-2013

Secretário Municipal da Saúde de Piratini fala das denúncias e garante que fica 

Mesmo a oposição já tendo apontado possíveis irregularidades no fornecimento de oxigênio domiciliar, procedimento realizado em parceria com o hospital municipal, o secretário de Saúde, Diego Espíndola, passava ileso pelo momento complicado que o governo do prefeito Vilso Agnelo atravessa há cinco meses.


Mas o anúncio do Ministério Público sobre uma Ação Civil que investiga tais irregularidades abalou o governo do secretário. Além dos possíveis erros na compra e distribuição de oxigênio, integra a ação irregularidades envolvendo a contratação de agentes de saúde sem os  critérios exigidos por lei, onde a Associação Venda da Lata é ré no processo por manter o convênio que assinou e permitiu as contratações sem processo seletivo.



Espíndola, desde 2007 como gestor da área em Piratini, num primeiro momento se manteve quase em silêncio e recluso à propriedade da família, localizada ao final do perímetro urbano da cidade, limitando-se a uma única manifestação sobre o assunto publicada em sua conta na rede social.


Contrariando os conselhos de advogados, ele quebrou o silêncio e recebeu o JTR para uma entrevista exclusiva, onde concordou em falar sobre todas as acusações que pesam contra ele, inclusive da gravação feita por uma fonoaudióloga  e ex funcionária da refeitura, que embasa o processo do Ministério Público.


Classificou o atual momento como um dos piores de sua vida e demonstrou seu abalo com a situação, revelando que o pedido de demissão do cargo foi cogitado.


Oxigênoterapia


O secretário admitiu a falha que lhe rendeu um dos processos, mas argumentou que a necessidade em encontrar empresas interessadas, e em tempo hábil, é tão grande quanto à urgência que os pacientes têm em receber os cilindros.


“Todas as cidades enfrentam esse problema e fazem desta forma para que as pessoas não tenham que esperar por algo que as mantém vivas.  Preocupados com a comunidade, que muitas vezes precisa entrar na justiça para conseguir o tratamento, arrumávamos uma maneira de dar o oxigênio e ampliamos essa maneira quando adquirimos dez máquinas que tem mantido a vida delas. Se o Estado não cumpre com sua obrigação, o município é a saída mais próxima. Prefiro pecar por ação e não por omissão”.


Contratação de Agentes de Saúde e gravação 


Na ação do MP, baseada na gravação telefônica obtida em uma conversa entre uma fonoaudióloga e o secretário, ele é acusado de buscar favorecimento político ao, através da Associação Venda da Lata, contratar os agentes sem concurso público e segundo seu critério de escolha. Ele nega possíveis vantagens e duvida da veracidade do conteúdo. Mas quando questionado se tem consciência de que descumpriu a lei e poderá ser punido, inclusive com a perda dos seus direitos políticos, ele responde:


“Eu já poderia ter sido candidato nas duas últimas eleições e não fui. Minha paixão e projeto de vida é a saúde e devido as minhas ações nesta área obtive reconhecimento. Quanto à gravação, não me lembro desta mulher que saiu da prefeitura no inicio da minha gestão. Acho extremamente antiético que um profissional de saúde faça isso. Quero realmente saber se a voz é minha, já que outras pessoas usam meu telefone e caso seja, quero saber se não houve montagem, o que hoje é muito fácil fazer. Há várias vozes na ligação, vou pedir uma investigação da Polícia Civil”.


Com relação à contratação de agentes, o secretário diz ter errado e já assinado um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, onde se compromete a realizar concurso público. “Quero salientar que quase a totalidade dos municípios usa essa maneira através de associações, entidades e policlínicas, ou ainda através de convênios com hospitais, dado às dificuldades em se  fazer saúde pública. É algo comum em todo o país e aqui em Piratini isso já ocorre desde governos anteriores. Então todo mundo é réu no Brasil e outros já deveriam ter sido condenados em Piratini?”.


Cosems e Secretaria


Espíndola ocupa hoje uma posição de destaque na saúde regional e estadual, ao ser o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde da Zona Sul e vice-presidente do mesmo conselho no Rio Grande do Sul. Ele assegura que às denúncias não motivaram nenhuma manifestação contrária à sua permanência e sim, um apoio maciço para que se mantenha a frente dos órgãos.


“O que fiz na segunda-feira foi chorar. Não tinha como não fazer isso. Mas, recebi mais de cento e cinquenta ligações, grande parte delas de membros dos conselhos e autoridades na área de saúde em nível estadual e nacional. Vou permanecer. Quanto à Secretaria de Saúde, não tem como não balançar. Minha família está enfrentando dois grandes problemas de saúde e não queria trazer mais esse para meus pais, sem falar no meu filho, já que lá na frente gostaria de dizer a ele que o pai ajudou em algumas das conquistas que melhoraram a cidade.   


Mas recebi apoio da minha equipe e de muitos amigos e entendi que tenho muita responsabilidade com a minha comunidade. Acabei revendo ações que pretendia tomar e, se me deixarem, vou continuar, pois não serão boatos nem gravações duvidosas que vão derrubar um grande projeto”.


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