Domingo, 05 de julho de 2026, 17:38h
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Inaugurada na quarta-feira (30), a Casa de Harmonia realizará tratamentos no formato hospital-dia
Região Sul conta, desde quarta-feira (30), com Centro Terapêutico Especializado em Álcool e Drogas, em um modelo de tratamento sem internação 24 horas
Os problemas com drogas e dependência química estão cada vez mais visíveis na região, principalmente através dos casos de violência e furtos, consequência do tráfico, noticiados recentemente, não só em Pelotas, mas nas cidades vizinhas. Pensando na situação atual, e buscando novas formas de tratamento, começou a funcionar nesta quarta-feira (30) a Casa de Harmonia – Centro Terapêutico Especializado em Álcool e Drogas.
Formado em sociedade, e após um trabalho de pesquisa e organização que durou cerca de seis anos, o Centro traz uma inovação no tratamento da dependência, o modelo hospital-dia, que não usa de internação 24 horas, levando em conta que o Ministério da Saúde desconsidera a necessidade de internamento do usuário de substâncias psicoativas. “Em princípio pensamos em uma comunidade terapêutica, que era o modelo de tratamento existente, mas como tenho especialização na área, comecei a ver outros modelos de tratamento que ainda não existiam no Brasil, focados na dependência química”, disse Mônica Hartwig Reichow, a médica responsável pela Casa de Harmonia e especialista em dependência química.
Segundo Mônica, o hospital-dia é uma forma de tratamento muito utilizada fora do país e que busca aliar os cuidados ao paciente à vida em comunidade, manejando todos os ambientes onde ele vive. “Existe em São Paulo hospital-dia para saúde mental, mais específico para dependência química ainda não encontramos. Considerando que as comunidades terapêuticas da região estão lotadas, com lista de espera, esperamos poder atender às necessidades deste público”, completou a médica.
A Casa de Harmonia é um espaço de convivência organizado, amplo, bem arejado e claro, permitindo o tratamento adequado e harmônico do dependente químico. O Centro conta com diversos ambientes, preparados para ofertar as atividades necessárias durante a estadia do paciente, além de uma equipe composta por dois psicólogos, um educador físico, uma assistente social, dois técnicos em enfermagem, um terapeuta ocupacional e a médica responsável.
Mesmo sendo grande, a casa não atenderá mais do que 20 pacientes ao mesmo tempo. No início, durante a fase de adequação e adaptação do novo Centro Terapêutico, serão aceitos dez pacientes, para que todos recebam o tratamento correto. “Não adianta colocarmos muitas pessoas ao mesmo tempo para realização do tratamento, por que assim eu finjo que trato o paciente e este finge receber o atendimento e não acontece o resultado positivo que esperamos”, afirmou Mônica.
No hospital-dia, como não há internação 24 horas, os pacientes ficam na casa das 8h às 18h, realizando diversas atividades com uma equipe multidisciplinar, que conta com terapia ocupacional, educação física - para trabalhar as demandas da fissura, incentivando o relaxamento e proporcionando o desgaste físico, importante neste tipo de tratamento –, atividades de disciplina e lúdicas, psicoterapia individual e de grupo, bem como grupos de espiritualidade e de ajuda mútua, além de, paralelamente, os grupos de família ou atendimento individual, se necessário. Segundo a médica responsável, após este trabalho, à noite o paciente vai para casa, para conviver com o ambiente a que está acostumado. “Ele é manejado de alguma forma, vinculado à família, e com um responsável legal, de forma intensiva, mas não necessariamente internado em um hospital”, completou.
A participação da família é grande parte do tratamento na Casa de Harmonia, através do trabalho de psicoterapia de grupo. “Teremos, obrigatoriamente, durante a semana a participação da família em grupo, que será organizado por um psicólogo e uma assistente social da equipe, onde haverá a interação da família conosco e com o paciente, estruturando tudo ao mesmo tempo, o que é diferente da internação, que faz este trabalho esporadicamente e de forma não obrigatória”, disse Mônica.
No tratamento comum hoje, das comunidades terapêuticas, o paciente fica internado de 9 a 12 meses, dependendo do lugar, e acabam perdendo quase todo o contato com o exterior, recebendo visitas da família mais ou menos uma vez por mês, que acaba não participando muito, não havendo também vínculo com a comunidade. “A família é muito importante. O paciente ter um contexto social, para onde ele possa ser reinserido, o que é bem importante e necessário”.
O tratamento será intensivo. O modelo padrão do Centro traz um tratamento de 30 a 120 dias. No primeiro mês, o paciente frequenta a Casa cinco dias por semana, diminuindo, a cada mês, um dia por semana de convivência com a equipe, até que no final do tratamento ele esteja participando das atividades em apenas dois dias na semana. “Ele vai ter um desmame também da equipe, para não haver uma dependência muito grande da Casa. Primeiro vinculamos e depois começamos a desvincular, para que ele possa voltar ao mundo dele”, disse Mônica. Para a médica, esta é uma das maiores finalidades do hospital-dia. “Não retiramos o paciente do meio dele. Ele passa o tempo aqui, mas ele volta para a casa dele, onde estão os amigos, a família, e até os traficantes, e ele aprende a manejar isto, diferente da internação, em que ele é retirado do local, e depois volta para o ambiente não modificado”, frisou a médica.
A Casa de Harmonia – Centro Terapêutico Especializado em Álcool e Drogas fica na avenida Fernando Osório, nº 664. O atendimento externo funciona das 8h às 12h, e das 14h às 18h. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (53) 3227-0609 ou pelo Facebook da Casa de Harmonia.
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