S�bado, 04 de julho de 2026, 11:13h
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Ao lembrar das características da gaita, Arno diz que precisará se adaptar ao novo instrumento musical
A história de um homem simples despertou a atenção da comunidade de Canguçu na última semana, através das redes sociais. Arno Dannenberg, de 73 anos, comoveu os amigos ao juntar nove mil latinhas para conseguir realizar o sonho de comprar um violino. Segundo ele, foram dois anos juntando todo o material necessário. As latinhas surgiam de diversas formas: além das que ele catava pelas ruas, também recebia doações de famílias ou de comerciantes do município. A ideia surgiu quando um conhecido lhe informou que estava armazenando latas para comprar uma televisão LCD. “Ele explicou que tinha comprado uma televisão só com a venda de latinhas. Então comecei a juntar também para poder adquirir o violino”, contou.
A justificativa para buscar nas latinhas a realização do sonho vem dos diversos gastos que possui com remédios, já que há 12 anos convive com quatro pontes de safena. “Sou empregado da Dilma Rousseff, e ela não paga muito”, brinca, ao comentar sobre sua aposentadoria.
Alex Pinz, diretor da loja onde Arno comprou o violino, disse que um mês antes ele havia informado que estava juntando as latas com esse objetivo, e que no mês seguinte já daria para fazer a compra. “Dito e feito. Esse mês [ele] voltou pra comprar com dinheiro. A nossa reação foi de admiração e mais motivação para trabalhar, porque pessoas assim nos provam que a fé remove montanhas e que não há nada que não possamos atingir”.
A música não é uma novidade na vida de Arno. Há cerca de 45 anos ele tocava trombone em uma banda chamada Becker. As apresentações ocorriam ao longo dos finais de semana, normalmente em casamentos, bailes e festas de igreja, principalmente no município de Morro Redondo. “Casamento era a grande alegria naquele tempo, quando se tocava o ‘chulé da noiva’, pegando o sapato da noiva para juntar dinheiro”, lembra.
Foi através de um dos colegas da banda, que tocava violino, que ocorreu o primeiro contato com o instrumento. Após casar, no entanto, Dannenberg abandonou a carreira de músico a pedido do sogro. Somente agora, em março, quando adquiriu o instrumento de R$ 299, é que finalmente segurou um violino pela primeira vez. “Eu tinha o sonho de que um dia conseguiria, que chegaria lá. Na minha banda tinha um companheiro que tocava. Eu tinha adoração por violino”, relata.
Embora não tenha experiência com o instrumento, Arno, que é natural de Morro Redondo e vive em Canguçu há 38 anos, pretende se dedicar, e acredita que em três ou quatro meses já estará familiarizado e fazendo música com sua nossa aquisição. Ao longo da vida, o músico amador desempenhou diversas profissões, entre elas servente de pedreiro. Atualmente, trabalha no escritório de contabilidade Beira-Rio. Casado há 54 anos, pai de um filho e com dois netos, ele pretende seguir juntando latinhas para adquirir dois pistões, instrumentos semelhantes ao trompete.
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