S�bado, 04 de julho de 2026, 11:13h
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Em Boa Vista, rodovia terá 7 m de largura e passeios para pedestres dos dois lados
Ordem de início das obras nos 8,5 km restantes entre São Lourenço do Sul e Canguçu foi assinada na sexta-feira (14)
A comunidade de Boa Vista, no 6º distrito de São Lourenço do Sul, recebeu na tarde da sexta-feira (14), autoridades municipais e estaduais para a assinatura da ordem de início das obras para conclusão do asfaltamento da ERS-265, no trecho entre Canguçu e São Lourenço do Sul. O ato foi em frente à Cooperativa de Crédito Rural Solidária (Cresol) e a Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar). Ambas enfrentam dificuldades operacionais devido à falta do asfalto.
A rodovia tem 36,5 km entre os dois municípios, dos quais 8,5 km ainda estão sem asfalto, entre as localidades de Boa Vista e Posto Branco. As obras que concluirão a ligação asfáltica terão investimentos de R$ 9,99 milhões, com trabalho realizado pela Construtora Pelotense, vencedora do processo licitatório realizado pelo governo do Estado. O prazo para a conclusão das obras é de 16 meses, porém, o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer) acredita que o término poderá ser antes do prazo. “O mais importante é que será concluído o asfaltamento. As comunidades e as prefeituras podem ser as fiscalizadoras caso haja algum problema, mas desta vez será sim finalizado”, garante o diretor geral do Daer, Carlos Eduardo Vieira.
Além do asfalto, a rodovia contará com sistema e drenagem e receberá atenção especial em Boa Vista, uma área que, mesmo no interior, tem características urbanas. Neste trecho, a pavimentação será com blocos intertravados, em pista com 7 m e passeios laterais de 2 m em cada lado.
O secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, João Victor Domingues, salienta a importância da conclusão da obra para o desenvolvimento econômico e social da região. “Uma ligação regional como essa, com um acesso municipal pavimentado, é muito mais do que dar condições de conforto e de trafegabilidade. É uma estratégia de desenvolvimento econômico e de integração regional, por que uma comunidade que tem o acesso asfaltado, comparado a outra que não tem, está em melhores condições de disputar atração de investimentos, paga um frete mais barato, e proporciona melhores condições para aquela agricultura familiar que está ali instalada consiga produzir tecnicamente melhor”, avalia o secretário.
Além do diretor do Daer e do secretário de Estado, o ato contou com presença dos prefeitos de São Lourenço do Sul e Canguçu, Daniel Raupp e Gerson Nunes, o ex-prefeito lourenciano, José Nunes, a presidente do Legislativo local, Carmem Rosane Roveré, os deputados federais Henrique Fontana e Fernando Marroni, a deputada estadual Mirian Marroni, secretários municiais, vereadores e representantes das empresas vencedoras dos processos licitatórios.
20 anos há espera de desenvolvimento
Nos discursos durante o ato de assinatura da ordem de início das obras, as autoridades locais destacaram a importância de muitas pessoas das comunidades às margens da rodovia que lutaram por seu asfaltamento. Há cerca de 20 anos, foi criada uma comissão pró-asfaltamento da ERS-265, composta por moradores de localidades do interior de São Lourenço do Sul. Atualmente, quem preside o grupo é o ex-prefeito, José Nunes, que é morador da Boa Vista. “Eu lembro de muitas pessoas que lutaram conosco para chegarmos a este dia, algumas que infelizmente não estão aqui para comemorar conosco este momento”, disse Nunes, que ainda relatou: “Essa é uma luta que daria um livro. O trabalho foi forte, tivemos momentos até de trancar governadores no gabinete para garantir estas obras que tiveram vários anúncios e paradas para chegarmos até aqui”.
O asfaltamento da rodovia iniciou em 1994, na gestão do então governador Alceu Colares. Dé lá pra cá, entraves políticos, burocracia, falta de recursos e até liminares judiciais impediram a conclusão das obras. O último reinício foi durante o governo de Yeda Crusius, porém, a troca de comando no Executivo estadual e suspeitas de irregularidades, até hoje não comprovadas, voltaram a paralisar as obras que foram retomadas na última segunda-feira (17).
Também morador da Boa Vista e integrante da comissão há cerca de 20 anos, o empresário de transportes Aldino Zielke acredita na mudança de vida que o asfalto trará para as comunidades do interior. “Eu vou muito a São Lourenço e sei que o asfalto fará muita diferença”, prevê o empresário. Ele também relembra o trabalho na busca pela melhoria: “Foram muitas lutas, reuniões, viagens a Porto Alegre, grandes comitivas para cobrar os governos. É uma alegria muito grande ver que finalmente a obra será concluída, é algo que renova nossas esperanças”.
Economia da região beneficiada
Para os prefeitos de São Lourenço do Sul e Canguçu, municípios mais beneficiados pela obra, não é apenas bem estar e segurança que o asfalto trará. Ambos destacam também a importância econômica com a ligação asfáltica.
“A conclusão desta obra sem duvida é muito importante para ligação dos municípios e o acesso à Porto Alegre. É uma RS sem pedágios, nova, e que tem condições de atender nossa comunidade. Estamos muito felizes com a retomada da obra que vai propiciar o desenvolvimento, pois nossa economia está ligada ao tabaco. Tanto São Lourenço quanto Canguçu estão entre os maiores produtores de tabaco do Brasil, além das produções de leite, soja e outras que poderão escoar por esta rodovia”, lembra o prefeito de Canguçu, Gerson Nunes.
O chefe do Executivo lourenciano, Daniel Raupp, também vê na rodovia uma importante oportunidade de crescimento econômico. “Esta obra é de suma importância, pois estamos em meio a duas rodovias federais, a BR-116 e a BR-392, duas importantes rodovias que levam ao Super Porto de Rio Grande, diminuindo o espaço de toda a região da produção, das regiões Centro-Oeste e Noroeste do Estado, que poderão acessar empreendimentos que queiram se instalar em São Lourenço para trabalhar a industrialização de soja, por exemplo, fazendo nosso município servir como uma importante estrutura logística em relação ao Porto de Rio Grande”, sugere Raupp.
Para os dois prefeitos, o asfalto também representa qualidade de vida à população. “De Canguçu rumo à capital, a redução é de 100 km por esta rodovia, sem a necessidade de ir à Pelotas ou Pantano Grande, assim saímos direto na BR-116. É tempo, quilometragem, com reflexos em toda a economia do município”, avalia Nunes. Raupp completa: “É um beneficio fantástico para a produção do interior do nosso município, diminuindo distâncias, facilitando o escoamento da produção e a circulação das pessoas com mais qualidade de vida no meio rural”.
Manutenção e conservação de estradas garantidas
No mesmo ato, foi assinado contrato do Estado para a conservação e a manutenção de 406 km de rodovias pavimentadas e 304 km de rodovias não pavimentadas da região atendida pela 7ª Superintendência Regional do Daer, com sede em Pelotas. O trabalho ficará sob a responsabilidade da empresa Encopav.
O contrato no valor de R$ 13 milhões inclui a malha rodoviária de 43 km da ERS-265 de Canguçu a Piratini, 27,5 km da RSC-473, da BR-116 à Vila Santa Isabel, entre outras. Domingues e Vieira também assinaram um ofício visando um projeto de engenharia da continuidade da ERS-265 até o município de Pinheiro Machado.
Até o momento, com parte da ERS-265 sem asfalto, a manutenção do trecho era realizado pela Prefeitura de São Lourenço do Sul. Além de custo com pessoal e equipamentos, cerca de R$ 8 mil eram gastos por mês com o serviço. “Nós somos a estrutura administrativa local, então esta demanda da comunidade caía sobre nós e acabávamos fazendo o investimento para possibilitar a trafegabilidade neste trecho sem asfalto”, conta o prefeito Daniel Raupp.
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