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"Temos o dever de lutar por uma sociedade justa", afirma a educadora, que atua na escola Oziel Alves Pereira
Raquel Monteiro foi atrás de um sonho antigo: ser professora e viver no meio rural
“Descobri que o fundamental na vida é lutar por um mundo melhor e conscientizar o povo”. A frase dita pelo jovem Oziel Alves Pereira poderia resumir parte da caminhada da educadora Raquel Monteiro, 39 anos, moradora do Assentamento Renascer e professora da escola que leva o nome do militante morto em abril de 1996. Oziel – na época com apenas 17 anos – e outros integrantes do MST, foram vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás, quando a polícia paraense executou militantes que participavam de uma ocupação. Dois anos mais tarde, em 1998, Raquel deixava para trás sua cidade natal, Porto Alegre, disposta a seguir um sonho: juntar-se ao movimento. “Conheci o MST por famílias assentadas em Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, que fazem a feira ecológica nos bairros Menino Deus e Bonfim, em Porto Alegre. Me tornei amiga dos agricultores. Visitava os assentamentos da região metropolitana quando surgiu o acampamento”.
O acampamento e a escola itinerante
Com o acampamento que nascia em Piratini, no campo de uma antiga escola, veio o convite para se juntar aos demais na luta pela terra. Raquel decidiu ir em frente. “Sempre quis morar no interior, ser professora de uma escola do campo. Vivi muito este campo, mesmo morando na cidade, e tinha um entusiasmo muito grande em fazer a diferença em minha vida e na vida das pessoas que estavam comigo”, recorda. A professora já tinha afeição pela proposta pedagógica da educação popular e iniciou sua carreira como educadora em fevereiro de 1998, na escola itinerante do movimento. “Desde o início fui apaixonada pela proposta de democratização da terra e dos meios de produção: a essência para a humanização”, avalia.
Seu trabalho como educadora na escola itinerante durou dois anos, até ser assentada em Canguçu, no assentamento Renascer, localizado no 2º Distrito. Depois de cursar Pedagogia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), ela atuou no Centro de Formação Sepé Tiaraju, entidade sediada na zona rural de Viamão e ligada ao MST.
O trabalho na escola Oziel Alves Pereira
A educadora, que hoje vive e trabalha no assentamento Renascer, revela que dois grandes objetivos foram alcançados. “Ser educadora em um assentamento é um sonho realizado, mas a conquista da terra foi o primeiro passo”, conta Raquel, que atua na escola desde 2009. Na instituição de Ensino Fundamental, boa parte dos 80 alunos é oriunda do próprio assentamento. Raquel é professora do 2º ano e compara a experiência de educadora à de mãe. “O amor e a dor estão juntos e aprendemos a suportar. Essa mudança, sim, foi forte”, revela, ao explicar que há muitas diferenças entre a educação popular fora da escola e os mecanismos tradicionais de ensino. Superar essas diferenças é, atualmente, um desafio na sala de aula. “O sistema engessa, limita, poda a criatividade do educador e do educando. Para mim é um conflito diário fazer caber dentro da sala de aula o mundo que gostaria de mostrar aos meus educandos”, avalia.
Novos rumos
Ampliar políticas públicas que garantam a permanência das famílias no campo. Essa é uma das metas que devem ser adotadas pelos governos, conforme opina a pedagoga. Se depender de seu trabalho, as mudanças para a geração futura já estão encaminhadas. “Temos o dever de lutar por uma sociedade justa, com divisão de terra, renda e acesso ao básico para uma vida plena. É isso que conduz o planejamento de minhas aulas: provocar esse despertar nas crianças e nas famílias, essa vontade de fazer”, finaliza.
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