S�bado, 04 de julho de 2026, 05:01h
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Em lojas especializadas é possível encontrar ovos de Páscoa para pessoas com restrições alimentares
Saiba quais são as restrições de pessoas que possuem alergias alimentares, Intolerância à Lactose e Diabetes nesta Páscoa
Pegadas de coelhinho espalhadas pela casa, expectativa e uma manhã recheada de chocolates e surpresas de Páscoa. Neste domingo (20), muitas crianças – e adultos também – aproveitarão as delícias proporcionadas pelo “feriado do chocolate”, quando iniciar o dia com um bom pedaço de ovo de Páscoa é permitido. No entanto, não é assim para boa parte da população brasileira. Alergia alimentar, de 3% a 8%, Intolerância à Lactose, 40%, e Diabetes, 6%. Estas são as porcentagens divulgadas por órgãos oficiais referentes ao número de pessoas que possuem restrições alimentares com relação às doenças acima citadas.
Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), a alergia alimentar é uma reação a determinado alimento, envolvendo um mecanismo imunológico e com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrintestinal e respiratório. Já a Intolerância à Lactose é uma desordem metabólica, em que a ausência da enzima lactase no intestino determina a incapacidade na digestão de lactose (açúcar do leite) que pode resultar em sintomas intestinais. No caso da diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença é causada por uma elevação de glicose no sangue (hiperglicemia), causada pela deficiência na produção de insulina, substância produzida no pâncreas responsável pela utilização da glicose no organismo.
"O que é alimento para um homem pode ser potente veneno para outro."
Com essa frase do filósofo romano Lucrécio, o médico alergista e infectologista, Dr. Alcino Alcantara Filho, explicou o que acontece nos casos de alergias alimentares. Segundo ele, o mesmo alimento que causa graves problemas em uma pessoa, pode não causar nada em outra, explicando de forma mais simples o filósofo. “Há que se ter uma predisposição genética para desenvolver uma doença alérgica a um produto normalmente consumido pela população. Leite de vaca, ovo, carne de porco, chocolate, frutas cítricas, manga, abacaxi, entre outros, são substâncias mais suscetíveis às alergias alimentares e, o interessante, é que, depois de ingerido, o alimento vai para o tubo digestivo, mas as alergias acabam por se manifestar na pele”.
De acordo com o médico, na verdadeira alergia há um aumento dos anticorpos chamados de Imunoglobulina E (IgE), específico para o alimento que causou a reação alérgica, sendo que a doença se manifesta para qualquer quantidade ingerida. “A maioria das pessoas têm um quadro que simula a alergia, e é dependente da quantidade de alimento ingerida, especialmente com chocolate. Porém, na alergia verdadeira, qualquer quantia pode causar as reações, então são raras as pessoas que tem este tipo de problema”, explica Alcantara. Com relação à alergia lactose, o médico diz que também é rara, sendo a Intolerância à Lactose a doença mais comum, bem diferente da alergia. “A Intolerância depende da quantidade ingerida de alimentos contendo lactose, além do tipo de produto. A alergia no leite é em relação às proteínas do leite (lactoalbumina e lactoglobulina), sendo necessária a realização de testes para confirmar o problema”.
Chocolate como vilão
Controlando o consumo de chocolate desde os 12 anos, a estudante de direito Ana Paula Roxo, 22, diz que na época em que descobriu seu problema com chocolate, os sintomas foram manchas na pele e enjoo. “Fiz acompanhamento médico e o teste na pele para saber qual era o problema. Aí descobri que era o chocolate”. No entanto, Ana Paula consegue consumir pequenas quantidades do doce esporadicamente, sendo considerado seu problema, segundo Dr. Alcantara, uma simulação da alergia, relativa ao consumo demasiado do produto. “Mesmo não podendo comer muito, ganho sempre chocolate de Páscoa, e acabo dividindo. As pessoas não entendem, acham que é bobagem”, completou.
O mesmo acontece com a estudante de jornalismo Tanara Hormain, 21, que descobriu há dois anos que seus problemas de pele vinham do consumo do doce. “Sempre comi muito chocolate. O exagero acaba enchendo o rosto e a barriga de bolinhas, mas um ou dois ainda posso”. Tanara, que foi proibida em sua última consulta com um clínico geral de consumir chocolates, diz não ter ido mais a fundo para saber realmente se possui alergia ao alimento, não tendo feito, inclusive, nenhum teste alergênico, porém, como Ana Paula, seu caso também seria de simulação de alergia. “Apenas cuido o consumo dos alimentos por causa da quantidade de gordura que eles têm”, disse a estudante.
Dieta livre de lactose
Ao ler uma matéria de jornal sobre Intolerância à Lactose e doença celíaca a auxiliar administrativa Beatriz Suzin, 49, viu “que tudo se encaixava”. Beatriz sofria com problemas como dores ou distensões abdominais, gases e irritação intestinal até descobrir, há três anos, que seu problema era a Intolerância à Lactose. “Fui ao médico quando descobri, após ler a matéria, e depois não fui mais, porque o tratamento envolve apenas cuidar da alimentação”, disse a auxiliar administrativa, que consome atualmente leite sem lactose e cuida sempre na hora de comprar, consultando as tabelas nutricionais, os alimentos que levam leite na produção. “Só com relação à Páscoa, nunca pensei em comprar ovos sem lactose, pois eles não me causam os sintomas, mas procuro comer chocolates amargos, comendo os outros de vez em quando”.
Também se mostrando informada, a estudante de relações internacionais Julia Garim Dias, 22, disse ter descoberto a Intolerância à Lactose há pouco tempo. “Minha endocrinologista, há cerca de seis meses, pediu entre vários exames o de intolerância á lactose, e descobrimos um alto índice no meu organismo. Aparentemente eu não tinha nenhum sintoma relacionado à ingestão de leite. Contudo, após cortar da minha alimentação, percebo que tenho menos enxaqueca, dores abdominais além de não sentir aquele “peso” após as refeições”, contou Julia, que restringe não só a lactose de sua dieta, mas o glúten, como opção para uma vida mais saudável, considerando que ter uma boa alimentação é parte de seus interesses pessoais. “Sigo vários médicos, nutrólogos e pessoas que cuidam bastante a alimentação em sites, blogs e Instagram”.
Diferente de Beatriz, Julia prefere produtos mais específicos na Páscoa, como chocolates sem lactose. “Mas tenho bastante cuidado com os componentes, porque algumas indústrias acabam substituindo a lactose por outras substâncias mais nocivas ao organismo. Fora isso, também tomo um remédio que fornece a enzima lactase, que faz a quebra da lactose, mas ele deve ser usado moderadamente”.
Hábitos saudáveis desde criança
Para muitas crianças, aproveitar a Páscoa rodeada por chocolates é algo normal, mas para Catherine Scherrer Menezes, hoje com 20 anos, estudante de medicina, a infância não foi desta forma. Os pais de Catherine descobriram, aos seus cinco anos, que ela possuía Diabetes Mellitus tipo 1. “Fui ficando fraca, perdendo peso e meus pais viram que tinha algo errado”, disse a estudante, aproveitando para explicar: “Existem dois tipos de Diabetes Mellitus. A tipo 2, que geralmente acontece com pessoas mais velhas e é relacionada à obesidade, sobrepeso e maus hábitos alimentares, e a tipo 1, a que eu tenho, que é uma doença autoimune, minhas células de defesa atacam as células do meu pâncreas, que são as produtoras de insulina, então eu não produzo. Se não tem insulina, o açúcar fica acumulado do lado de fora das células. Aí acontece a glicemia [concentração de açúcar no sangue]”.
Com isso, Catherine diz que seus hábitos incluem comer alimentos diet, não ingerir açúcar e cuidar os carboidratos, ou seja, manter uma alimentação saudável, além de usar a insulina por via injetável seis vezes por dia. “A única coisa que quem tem Diabetes tipo 1 não pode comer é veneno e bolacha com veneno. É brincadeira, mas as restrições alimentares consistem em evitar o consumo de açúcar, considerando que às vezes é necessária a ingestão quando há uma hipoglicemia [queda excessiva do nível de açúcar no sangue], além de manter um estilo de vida saudável, não comer muita gordura, sal e praticar atividades físicas, mas é o que toda pessoa deveria fazer para manter a saúde”.
A estudante, que mantém acompanhamento médico desde criança, acredita que a descoberta da doença tenha sido mais difícil para seus pais, considerando que a doença não era muito difundida na época. “Mas pra mim, como eu era tão nova, não entedia direito o que acontecia. E eles sempre me cuidaram muito, me traziam docinhos diet, minha mãe fazia insulina em mim, eu me sentia até especial. O problema é quando a gente vai ficando mais velha, tendo que comer um pouco diferente nas reuniões com amigos e tomar insulina na frente dos outros”, completou.
Sobre a Páscoa, Catherine fala que hoje há muitas opções de chocolates diet e produtos para que tem Diabetes, apesar de ela não comer muito chocolate. “Só acho que a indústria poderia pensar mais em chocolates diet para crianças, com brinquedos e atrativos como os outros, já que fica difícil explicar para a criança porque ela não pode ter o chocolate que vem com brinquedo”. Interessada não só no que diz respeito à Diabetes, mas em dicas para pessoas “especiais”, como afirmado por ela, a estudante, aprofundando seu conhecimento, está lançando um blog sobre alimentação saudável – o imdiet.blogspot.com.br. “Ele [o blog] é principalmente para pessoas que tenham Diabetes, anticelíacos e com Intolerância à Lactose, para facilitar o acesso à informação para essas pessoas que queiram ter uma vida mais saudável”.
Saiba mais
Alergias alimentares
Sintomas: os mais comum são os que envolvem a pele (urticária, inchaço, coceira, eczema), o aparelho gastrintestinal (diarréia, dor abdominal, vômitos) e o sistema respiratório, como tosse, rouquidão e chiado no peito. Manifestações mais intensas, acometendo vários órgãos simultaneamente (reação anafilática), também podem ocorrer.
Como se investiga: de acordo com o Dr. Alcino Alcantara Filho existem dois tipos de teste/exames de laboratório. O teste de exclusão-provocação, padrão ouro na alergia alimentar, que é quando a criança ou o adulto fica um tempo sem o alimento e depois se faz uma provocação com uma pequena quantidade da substância. O teste necessita de material especializado para o caso de reações fortes. E o teste de puntura, em que se coloca na pele da criança ou do adulto cerca de 20 gotas de uma bateria de alimentos alergênicos, uma gota para cada alimento, e se faz uma pequena picada no local onde está a gota. O resultado, se for mediado pelos anticorpos IgE, aparece em 15 minutos.
Intolerância à Lactose
Sintomas: náusea, dor ou distensão abdominal, gases, irritação intestinal, diarréia, dores de cabeça, vômitos
Como se investiga: O diagnóstico é feito por dois testes. No primeiro, o paciente recebe uma dose de lactose em jejum e, depois de algumas horas, são colhidas amostras de sangue que indicam os níveis de glicose. Se não houver alteração, a pessoa é intolerante à lactose. Há também um exame respiratório que monitora a quantidade de hidrogênio nos gases exalados após a ingestão da lactose. Para um teste “caseiro”, basta retirar da alimentação os leites e derivados durante uma semana. Caso o desconforto desapareça, recomenda-se uma consulta médica para tratar o problema.
Diabetes
Sintomas: quando presentes, os sintomas mais comuns são, urinar excessivamente, sede excessiva, aumento do apetite, perda de peso, cansaço, vista embaçada ou turvação visual e infecções frequentes. Na Diabetes tipo 2 os sintomas são mais gradativos, enquanto na tipo 1, eles se instalam rapidamente.
Como se investiga: Um simples exame de sangue pode revelar a presença do diabetes. O exame mais comum é feito com uma gota de sangue e glicemia capilar, não demora mais que 3 minutos para saber o resultado. Mas esse não é um resultado concreto. Para ter certeza do resultado e assim começar o tratamento, o médico deve solicitar o teste oral de tolerância à glicose.
Mais do que uma loja de alimentos
Após descobrir que seu filho recém-nascido possuía alergia ao leite, e sofrer para encontrar não só em Pelotas, mas na Capital, produtos que pudessem substituir o alimento fundamental para crianças, Lisiane Zatta, 33, pode ser considerada uma entendida no assunto. Proprietária desde janeiro deste ano da JV Clínica de Alimentos, loja especializada em alimentos para alérgicos, celíacos, diabéticos e pessoas que desejam uma vida mais saudável, Lisiane, com incentivo dos médicos de seu filho e da família, resolveu trazer para a Cidade do Doce, produtos com um pouco menos de açúcar.
A loja, que conta normalmente com uma variedade de produtos como biscoitos, chocolate, leite, leite condensado e doce de leite – cada um com determinadas especificidades para cada necessidade do cliente –, além de produtos veganos, ainda tem ovos e chocolates especiais para a Páscoa. “Buscávamos algumas coisas em Porto Alegre, porque não achávamos nos supermercados aqui. Apesar de lá existirem lojas de produtos naturais e grãos que vendem esses alimentos para quem é alérgico, não conheço nenhuma que seja realmente só desses produtos”, disse a proprietária. A JV Clínica de Alimentos fica na av. Domingos de Almeida, 1146, loja 10. Para entrar em contato, ligue para (53) 3027-3127 ou acesse www.jvclinicadealimentos.com.br.
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