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17-04-2014

Uma Páscoa de “Doces e Sabores”


Foto: Manuelle Motta Giovana buscou especialização para atender a demanda de trufas e doces que aumentaram significativamente desde que ela começou no ramo

Descobrindo um novo dom, professora viu na produção de trufas e doces a chance de recomeçar profissionalmente


Há cerca de um ano e meio, a pedagoga, Giovana Nunes Alves Mota, de 30 anos, não imaginava que sua vida mudaria tanto e que de suas mãos, literalmente, sairia o sustento de sua família. Coincidência ou não, foi justamente na época da Páscoa, quando os cristãos relembram a ressurreição de Cristo, que ela renasceu e, depois de uma fase de decepções e sacrifícios, vendo a profissão que exercia desde os 14 anos lhe fechar as portas, decidiu mudar e tentar uma oportunidade em uma área nunca explorada por ela profissionalmente: a culinária.



A decisão não foi fácil, mas como ela mesmo diz, não tinha nada a perder. Desempregada há três meses, e desiludida de trabalhar com educação infantil há certo tempo, resolveu investir em um novo setor. Ao longo de 15 anos, cuidou, ensinou e alegrou crianças nas escolas em que trabalhou. Os ensinamentos que passava para os pequenos vieram do curso de magistério, da faculdade de pedagogia e dos semestres que cursou na pós-graduação em educação especial, uma paixão descoberta ao longo da carreira.


Mas diante de imprevistos e da necessidade do dia a dia, resolveu adiar por um tempo, ainda indeterminado, o sonho de trabalhar com essas crianças, e investiu em um novo dom: a arte de misturar ingredientes e deles fazer trufas de chocolate. O momento era propício e de uma conversa com amigos surgiu a ideia de aproveitar a Páscoa, que se aproximava, para tentar um novo negócio. Da mãe, veio o capital inicial, R$ 50, investidos em chocolates e recheios para as primeiras trufas, que seriam ou não, o divisor de água na vida de Giovana. De uma amiga, vieram as formas, receitas e embalagens. E a produção começou.


Já nas primeiras tentativas ela viu que produzir o bombom recheado não era tão simples como mostravam os livros de receitas. Alguns truques eram indispensáveis e por ser iniciante, Giovana os desconhecia. “Hoje, um ano depois, parece engraçado, mas na época foi difícil”, relembra ela, em meio a muito chocolate e “tirando de letra” o que um dia foi um desafio. As dificuldades iam desde o ponto dos recheios, o momento de desenformar as trufas e a junção das duas partes. Ela conta que os amigos e familiares eram as cobaias. “A casa estava sempre cheia e cada vez que eu fazia um recheio novo ou experimentava uma nova mistura, eles eram os primeiros a experimentar”.


No início, foram 30 trufas, disputadas em uma reunião do grupo de mulheres da igreja que frequenta. “Eu não sabia nem quanto cobrar, as pessoas é que me diziam”. As semanas foram passando, as encomendas chegando e em menos de um mês a produção já tinha aumentado cerca de 230%. As vendas ficavam a cargo do marido, Fabrício Mota, que usava a experiência de vendedor para comercializar nos finais de semana os bombons. Os bares e comércios do bairro onde moram absorviam toda produção.


Para sua primeira Páscoa no ramo, criou kits diversos. Sabores diferentes. Embalagens atrativas. E a propaganda das trufas da Gigi, marca de seus bombons, foi se espalhando. Mas não foi em Pelotas, cidade onde mora, que o negócio realmente se expandiu. Pensando em abrir novas portas, o irmão de Giovana levou alguns bombons para a empresa que trabalha, em Rio Grande. Primeiro foram dez. Depois 20. E um dia, devido à demanda, levou cem e os vendeu em menos de uma hora.


As trufas da Gigi já tinham conquistado um público fiel e foi exatamente desse público que veio o novo desafio: doces de Pelotas. Giovana e o marido estavam diante de uma nova oportunidade. Para eles, naquele momento, a proposta significava o crescimento do negócio e com o apoio da família resolveram não fechar essa porta. Também sem conhecimento na produção de doces, foi atrás de cursos que dessem a ela a qualificação necessária para atender aos pedidos, que semana após semana, só aumentavam. Mas ela lembra que assim como nas trufas, as dificuldades iniciais foram grandes. “Eu precisava acertar. Tinha me comprometido com as pessoas. Mas diversas vezes me senti frustrada e tive vontade de chorar. Os bombons de morango desmanchavam, os quindins rachavam.... e eu ia testando, procurando coisas diferentes”.


Aos poucos, as técnicas aprendidas nos cursos foram fazendo sentido na prática, a segurança veio e os amigos já viam o perfeccionismo e a criatividade da mais nova empreendedora serem impressos nos detalhes e sabores. A marca Gigi Doces e Sabores estava definitivamente consolidada e o volume de encomendas aumentava cada dia mais.  A demanda da cidade vizinha era tanta que o irmão já não tinha mais como levar, então ela e o marido resolveram fazer um teste e ver se trabalhando juntos o retorno seria maior. Fabrício então tirou férias do emprego de vendedor, que exercia há dois anos, e durante um mês uniu forças com a esposa. No caso deles, que comercializavam a maior parte do que produziam em outra cidade, a grande diferença é que poderiam ir, pelo menos uma vez por semana, levar os doces e lidar diretamente com os clientes, vendo a receptividade, ouvindo sugestões e quem sabe abrindo novas portas.


O resultado foi surpreendente. A produção aumentou, já que ela não precisava mais se preocupar com as compras e outros detalhes, e novos clientes foram conquistados diante do conhecimento de mercado de Fabrício. “Eu via potencial nela e no negócio e sabia que a minha experiência com fornecedores poderia agregar”, ressaltou ele. A decisão então foi tomada, Fabrício saiu do emprego em outubro do ano passado e se juntou a esposa. “Até hoje nos dá um certo “medinho”. Mas essa é a hora de arriscarmos, já que ainda não temos filhos. Ou arriscávamos ou o negócio ficaria estagnado. Não adiantaria eu aumentar a produção e não termos para quem vender”, destacou ela.                                                                  Vieram as festas de final de ano, que resultaram em noites de trabalho para atender a demanda de 2000 doces por data, além de aniversários, formaturas e dos clientes de rotina, que continuam fiéis ao casal. Atualmente, a produção semanal fica em torno de 800 doces, sem contar as encomendas. Destes, cerca de 600 são vendidos todas as sextas-feiras em Rio Grande, num período de três horas. Além dos doces e das trufas, que voltam a ser produzidas com a proximidade do frio, a Gigi Doces e Sabores produz tortas, cupcakes e cakpops, utilizando por semana uma média de 10 kg de chocolate, 120 caixinhas de leite condensado e 300 ovos de galinha.



Contato


Interessados em conhecer o trabalho da Gigi Doces e Sabores ou contratar os serviços podem acessar a fanpage www.facebook.com/gigidocesesabores, ou ligar para o telefone (53) 3223-4171.


O futuro


O próximo passo de Giovana é buscar a regularização como microempreendedora individual. Segundo ela, tornar-se oficialmente uma pequena empresária lhe possibilitará benefícios futuros, como aposentadoria e financiamentos, que possibilitem a ampliação da cozinha e a expansão do negócio, quem sabe até contratando um funcionário.


O que é o MEI


Microempreendedor Individual (MEI) é a pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário. Para ser um microempreendedor individual, é necessário faturar no máximo R$ 60 mil por ano e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular. O MEI também pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria.


Entre as vantagens está o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais.


Além disso, o MEI será enquadrado no Simples Nacional e ficará isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL). Assim, pagará apenas o valor fixo mensal de R$ 37,20 (comércio ou indústria), R$ 41,20 (prestação de serviços) ou R$ 42,20 (comércio e serviços), que será destinado à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS. Com essas contribuições, o Microempreendedor Individual tem acesso a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença, aposentadoria, entre outros.


*Informações do Portal do Empreendedor


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