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APAE leonense possui projetos na área musical, de educação e artes para manter a atenção especializada aos alunos
Quem vê a farta mesa do café colonial realizado anualmente no aniversário de Capão do Leão pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) leonense não imagina ser este o mais fácil dos trabalhos da equipe da instituição. A ação, realizada durante festa do município com o intuito de arrecadar fundos para os gastos anuais, é feita com dedicação e a muitas mãos, da mesma forma que o atendimento a crianças e jovens com necessidades especiais, presente no município desde 2006.
Este atendimento, essencial para a manutenção da qualidade educacional de Capão do Leão, vem sofrendo com falta de estrutura física. A APAE, pela especialização na atenção aos alunos, possui turmas reduzidas, com no máximo dez alunos e professoras especialistas na área. “Estamos sem espaço físico, precisamos de mais umas quatro salas, no mínimo, porque o município está com uma demanda muito grande para crianças com deficiência, e muitos não conseguem ficar na escola comum. Temos 78 alunos matriculados, e mais aqueles que estamos avaliando, principalmente crianças pequenas, que estão sendo diagnosticadas”, afirma a diretora da entidade leonense, pedagoga Tatiana de Albuquerque Ferreira.
Segundo a diretora, o atendimento às crianças pequenas é a maior preocupação da APAE, pois quanto mais rápida a estimulação de acordo com a necessidade especial, melhor o diagnóstico. “Das crianças com autismo que chegaram na nossa APAE, a mais nova chegou com 1 ano e 10 meses. Foi a melhor coisa, porque o estímulo aconteceu mais cedo”, completou Tatiana, afirmando que, dos problemas tratados na APAE, depois da deficiência intelectual, o maior índice é de autismo, seguido pela Síndrome de Down. “As pessoas têm estudado mais sobre o autismo, buscado o diagnóstico e o tratamento”.
A equipe, mesmo que pequena – com uma psicóloga, três psicopedagogas, duas professoras, uma fonoaudióloga, uma terapeuta, uma estagiária de fisioterapia e um professor de educação física – se esforça para remanejar as aulas e projetos de acordo com as necessidades. “Perdemos uma professora de artes, mas conseguimos remanejar com a professora de artesanato, pois ganhamos um projeto na área, o primeiro que conseguimos, o que nos deixou muito felizes. A verba não é muito alta [R$ 24 mil], mas é para realização dos trabalhos de artesanato junto com as mães dos alunos, todas às quartas-feiras”, contou a diretora.
Dentre muitos projetos dentro da APAE de Capão do Leão, alguns ganham destaque, como a banda e o projeto de atletismo, que ainda está sendo organizado. É o trabalho nestas ações que impulsiona o desenvolvimento dos alunos da Associação. “As crianças que chegam até o quinto ano na APAE vão para a escola normal. Por isso que a nossa banda está sempre se renovando. Já tivemos muitos alunos que saíram da instituição. Sou muito a favor da inclusão das crianças na escola comum, mas quando isso faz bem pra elas e, entre o real e o ideal, fazemos o possível”, diz Tatiana.
Atualmente, a maior esperança da equipe é em ter um prédio próprio, mas a APAE não possui nem um terreno em Capão do Leão. “Já conversei com o prefeito, quando ele assumiu, e este ano fui vê-lo novamente. Segundo ele, em função de algumas dívidas, a prefeitura recebe terrenos, e, se conseguisse algum, doaria à APAE. Com o terreno, conseguiríamos entrar em um processo para construção de uma sede nova, mas sem ele, é como viver na casa da sogra”.
Financeiramente, quem mantém a APAE é a prefeitura, sendo que a instituição recebe poucas verbas através de doações. “A APAE de Pelotas, por exemplo, tem 50 anos, e consegue manter um trabalho de telemarketing para doações, e ter parceria com o governo do Estado. Nós, como temos apenas 6 anos, ainda não conseguimos”, explicou a secretária e “braço direito” da diretora da instituição, Mara Xavier Costa, dizendo ainda que o convênio com o Estado não ocorreu pela falta de alvará de licença da sede atual.
Com isso, além das dificuldades, a festa do município é o momento da comunidade conhecer a APAE e ajudar na arrecadação de verbas. No último ano foram vendidos 200 cafés coloniais da instituição, e a expectativa neste ano é de aumentar as vendas. O café é realizado ao domingo, custa R$ 10, e é oferecido das 15h às 19h, na escola Dário Tavares.
“Organizamos tudo. Fazemos os pães e as tortas frias, entre outras comidas que são oferecidas no café”, contou a diretora, explicando que a APAE ainda recebe doações da Biscoitos Zezé, Frigorífico Bonsul e Doces Crochemore, entre outras empresas que normalmente não são de Capão do Leão. “Da cidade, é difícil, a não ser algumas padarias e restaurantes pequenos, como a padaria Mamuts e o restaurante do Zeca. Entre as empresas maiores, são as de fora que ajudam, e este ano ainda está difícil na parte de doações. Mas é nesse momento que vestimos a camiseta, e realizamos o melhor dos trabalhos”, concluiu Tatiana
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