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Quando se fala em esportes, o que vem na mente das pessoas, ao menos na maioria das vezes, é o futebol. Embora seja o mais conhecido, praticado e popular dos esportes no país, ele não é o único a despertar o interesse de atletas. Este é o caso do Veloterra, esporte que tem crescido cada vez mais, principalmente na Região Sul, e que é praticado, com muita seriedade, por três pessoas do município de Capão do Leão.
Rogério Bruno, conhecido como Nenê, tem 31 anos, e está no Veloterra há cerca de três anos. A vontade de fazer esta prática, que é diferente do MotoCross por não possuir obstáculos ao longo do seu percurso, veio desde a infância, quando era levado pelo pai para assistir as corridas. Com o passar do tempo, eram poucas as oportunidades que apareciam, e normalmente, eram caras demais para Nenê. Envolvido na adolescência em corridas de rua, a prática do esporte foi um dos fatores responsáveis por fazer com que ele deixasse de lado as coisas que, hoje, considera erradas: “Com 23 anos, parei com tudo, entrei na Igreja, e me foquei. Com os irmãos iniciei as trilhas, mas não queria saber de competição. Porém, eles diziam que eu deveria competir, porque me daria bem. E acabei indo. Aquilo foi me motivando aos poucos. Fui melhorando a moto, e vendo que não precisava ser como era antes, me envolvendo em brigas”, relata.
Nenê participa atualmente na Força Livre Nacional, com motos nacionais e cilindradas livres, na categoria CRF 230 pró. No passado, já foi campeão da Metade Sul na Força Livre. Funcionário de um jornal e empregado de uma motopeças, o atleta diz que, futuramente, o Veloterra poderá ser a sua fonte de renda: “O bom é iniciar cedo, o que não foi o meu caso. Em pouco tempo, creio que não estarei mais correndo. Mas o veloterra está me trazendo amizades e possibilitando que eu me envolva na organização destes eventos. Acredito que se continuar assim, daqui a pouco esta vá ser minha fonte de renda”.
Já envolvido na organização e narração de alguns eventos, ele arranca elogios de Silvia Costa: “Ele narra com emoção, sabe mostrar isso ao público.” Ela é mãe de Arthur Barcellos, que com apenas 12 anos, já carrega um currículo invejável como esportista. Praticante do veloterra há dois anos, ele disputa nas categorias Mirim B Nacional, que vai até os 14 anos, e 150 importada, onde corre junto com os adultos. Entre suas conquistas, está o primeiro lugar no campeonato da Zona Sul, e o vice-campeonato Princesa do Sul. Na rotina de Arthur, existem treinos de 20 minutos realizados duas vezes por semana, por um treinador com curso no exterior: O objetivo é ser campeão gaúcho e brasileiro e, futuramente, participar do campeonato mundial.
Junto com Athur, outro leonense está na disputa. Mikael Teixiera, de 11 anos, participa das mesmas categorias que Arthur, e já foi duas vezes campeão Princesa do Sul e uma vez vice-campeão da Metade Sul. Assim como o adversário das pistas, ele também almeja os campeonatos gaúcho e brasileiro. “Eles não são fracos, possuem um cartel de títulos muito grande”, afirma Nenê. A rivalidade dos dois, no entanto, é restrita aos circuitos do veloterra: “Eles só competem dentro da pista. Fora são amigos, estão sempre na casa um do outro. Este é um esporte da família, que vamos com a família”, diz Sílvia.
Para ela, o esporte é um incentivo para que as crianças não andem pelas ruas utilizando substâncias ilícitas, mas ressalta, porém, que faltam incentivos para quem pratica a atividade. “Falei com um vereador, e ele disse que a Prefeitura está em crise. Eles ficam jogando uns para os outros, Já faz um tempo que busco essa ajuda, mas dizem que é difícil. Sempre tem uma desculpa.” Nenê complementa: “Mesmo com os pilotos se destacando na Zona Sul e no Estado, não há uma pista na cidade, um local adequado para treinar.” Para José Raimundo Teixeira, pai de Mikael, se os competidores recebessem apoio, também teriam retorno, pois o esporte está em diversos lugares.
Apesar dos problemas enfrentados com relação a incentivo e patrocínio, e dos perigos que o esporte traz, como os tombos, os três atletas não pretendem desistir da prática do veloterra, e esperam que mais pessoas o adotem como atividade. Segundo Nenê, o veloterra está crescendo cada vez mais, e um dos motivos é por ser um esporte que une as famílias. “Vai o pai, a mãe, o vizinho, os tios, os avós. Tu observa os acampamentos e encontra toda a família dos competidores. É um esporte que cresce cada vez mais porque as pessoas vão e acompanham juntos.” Sílvia Costa relata que são justamente essas famílias que mais incentivam os competidores, como é o caso de Arthur, apoiado principalmente pelo avô e de Mikael, apoiado pelo pai. Para Nenê, a paixão pelo veloterra é algo que está no sangue: “O que me apaixona é voltar para casa após uma competição, e encontrar , nas redes sociais, cerca de 40 convites de amizade, de pessoas com quem conversei pessoalmente na cidade em que estive.”. Silvia completa: “Ganhamos grandes amigos.”
O veloterra
O veloterra é realizado em circuito fechado, em uma pista de aproximadamente 1.500 metros, Esta modalidade surgiu no Uruguai, através da ideia de alguns pilotos de realizar corridas de motocorss sem saltos. Na zona Sul, o campeonato é dividido em 18 categorias, envolvendo cidades desde Porto Alegre até o Uruguai. Os vencedores são premiados com troféus e, no final do ano, é realizado um sorteio de três motos novas. Em 2014, a primeira etapa foi disputada em Pedro Osório, durante a festa da Melancia, enquanto a segunda foi no município de São Lourenço do Sul, a terceira em Camaquã e a quarta em Rio Grande. De acordo com Nenê, ainda deverão ter etapas em Pinheiro Machado e Canguçu. Durante a Copa do Mundo, a competição deverá ter um recesso, voltando logo em seguida para terminar as suas 10 etapas.
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