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23-05-2014

Artista plástica carioca procura por parentes em Canguçu


Foto: Xiru Gonçalves Marli vive em Campo dos Afonsos, na cidade do Rio de Janeiro. Ela promete retornar à Canguçu em setembro

Marli Correia Garcia veio pela primeira vez ao Rio Grande do Sul em busca de uma parte importante de seu passado


Uma história de amor separou a vida de duas famílias canguçuenses na primeira metade do século passado. José Gabriel Correia da Silva, que nasceu em 1895, nunca aprovou o casamento entre a filha, Maria Correia da Silva, e o carioca Rubens Ambrózio Garcia. Foi nesse cenário, entre a tradição familiar conservadora e o amor que sentia, que a gaúcha fez as malas e deixou para trás o frio do Sul. Décadas depois, uma carioca faz o caminho inverso. A artista plástica Marli Correia Garcia, uma das filhas de Maria e Ambrózio, deixou o calor de quase 40ºC em busca de reconstruir uma parte importante de seu passado. Ela desembarcou em Canguçu no dia 13 deste mês para procurar seus familiares.



Como os registros formais são escassos, Marli conta com os relatos deixados por sua mãe para encaixar as peças de um complexo quebra-cabeças. “Sei que meu avô, José Gabriel, era fazendeiro. Ele tinha terras no interior de Canguçu”, relata a carioca, que encontrou registros de nascimento e casamento de José Gabriel em cartórios do município. A artista plástica conta que seus avós eram racistas e não aceitavam o casamento da filha com Rubens Ambrózio, que pertencia a uma família negra. “Por isso, minha mãe decidiu fugir. Mas não sei como isso ocorreu nem onde eles se conheceram. Meus pais sempre foram muito fechados para esse assunto”, explica.


Mais tarde, morando no Rio de Janeiro, a mãe de Marli reestabeleceu o contato com a família através de cartas. As duas famílias, porém, nunca mais se reencontraram. Entre elas, havia uma barreira intransponível de orgulho: José Gabriel nunca aceitou o casamento da filha e Rubens Ambrózio se recusava a buscar qualquer contato com o sogro. “Quando eu era criança, morávamos em um sítio, que foi assaltado. Levaram tudo, inclusive, as cartas que minha mãe trocou durante muito tempo com os parentes gaúchos”, lamenta. Marli, que não reencontrou os parentes, ainda não desistiu da busca. Antes de retornar ao Rio, empolgada, ela revelou que sua mãe sempre preservou costumes levados do Sul. “Eu e minha irmã tomamos chimarrão até hoje. E eu sequer conhecia o Rio Grande do Sul”, relata.


Pelas heranças culturais que preserva, a carioca costuma ser chamada de “gaúcha” entre as amigas, o que a deixa contente. Nos dias em que permaneceu no município, Marli visitou uma mostra fotográfica na Casa de Cultura Marlene Barbosa Coelho. “Fiquei encantada! As fotografias retratavam a época de meu avô. Ali, no museu, estavam as coisas que minha mãe contava. As armas de luta, as revoluções”, diz, fascinada. No último final de semana, a artista plástica embarcou para o Rio sem ter encontrado os parentes que buscava. Ela garante que a viagem valeu a pena e projeta retornar em setembro, com a irmã, para acompanhar as comemorações da Semana Farroupilha.


Procura por familiares


Marli Correia deixou endereço e telefone do site de notícias Canguçu On Line (www.cangucuonline.com.br) para tentar fazer a ponte com a família que procura. Seus pais, Rubens Ambrózio e Maria, já são falecidos. Ela tenta encontrar os descendentes de seus avós e tios, que possivelmente morem no Sul. São eles:


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