Sexta, 03 de julho de 2026, 20:34h
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Casal foi beneficiado por uma decisão do Conselho Nacional de Justiça, que obriga todos os cartórios a realizar casamento civil entre homossexuais
Momento histórico celebrou oficialmente a união de Mateus Kämmer e Henrique Lapa
Um grupo restrito de aproximadamente 40 convidados acompanhou, na noite do último sábado (31), o primeiro casamento igualitário realizado em Canguçu. O momento histórico celebrou oficialmente a união de Mateus Kämmer e Henrique Lapa. O casal se beneficiou de uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em vigor desde maio do ano passado. A determinação obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.
Mateus e Henrique estão juntos há dois anos e já oficializaram a união estável. Mais do que a reafirmação do amor, a iniciativa tem um caráter militante, conforme explica Mateus. “Hoje observamos muitos casais homossexuais que querem casar e ainda não sabem por onde começar, não sabem que têm os mesmos direitos”, explica.
Foi através do Facebook que a aproximação entre os dois cabeleireiros começou. Eles eram amigos na rede social e, depois de algumas conversas, decidiram marcar um encontro, que ocorreu em Canguçu. “A partir daí seguimos nos encontrando em todos os finais de semana. Partimos para o namoro e logo para uma mudança radical de vida. Abrimos um salão e resolvemos morar juntos”, recorda Mateus. Henrique, que vivia em São José do Norte, trocou a proximidade do mar pelos encantos da Serra. Foi nessa época que eles começaram a militância em busca do direito ao casamento igualitário. Mateus explica que conversou com várias pessoas em busca de informações, inclusive com o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), um dos principais parlamentares ligados à defesa dos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros).
O casamento
O casal fez mistério sobre o horário e local do evento, apenas informando que seria uma cerimônia restrita para aproximadamente 40 pessoas, incluindo familiares e amigos próximos. No salão onde trabalham, o Studio M&H, o assunto não poderia ser outro durante os dias que antecederam ao casamento. “O pessoal recebeu bem a ideia. Parabenizam a gente e desejam felicidades”, conta. Mas há também quem prefira advertir sobre uma possível rotina na vida a dois. “Nossas vidas têm ganhado uma plenitude a cada dia. Às vezes as pessoas falam que no início tudo é bom. Acontece que comigo e com o Henrique tem sido cada vez melhor”, revela.
Mateus e Henrique vivem uma realidade diferente da maioria dos casais homossexuais. Eles recebem apoio dos familiares, que inclusive participarão do casamento. “Para nós, esse é um dos maiores presentes que poderíamos receber”, comemora. Apesar do mistério sobre a cerimônia, Mateus revelou a presença de uma ilustre convidada de 87 anos. “A avó do Henrique me ligou. Estava feliz e disse que não perderia por nada esse momento”, relata, entusiasmado.
Preconceito
Fatores culturais, familiares, cultura regional ou mesmo religião. Difícil definir de onde nasce o preconceito, que fecha os olhos para o amor e estende o dedo para julgar. “Se eu falar que não existe mais preconceito, serei hipócrita. Existe, sim. E muito desse preconceito é maquiado. As pessoas fingem não ter”, avalia.
Religião
Mateus conta que frequentou algumas religiões que “ensinaram que ser homossexual era errado”. Apesar disso, ele não culpa as religiões pelo preconceito. O cabelereiro considera que a maior responsabilidade cabe às pessoas que fazem uma interpretação equivocada da religião. “O que existe de mais divino é o amor. E onde não existe amor, não existirá o divino. Sem amor não há como gerar o espaço sagrado. Não se pode falar em religião sabendo apenas o que é julgamento”, avalia.
O legado
O primeiro casamento igualitário do município não é apenas uma conquista individual ou do casal. Mateus considera que o legado dessa iniciativa poderá ajudar outras pessoas. “Que a gente possa deixar um legado para que outras pessoas se questionem e vejam que também pode acontecer com elas”, finaliza.
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