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25-07-2014

A herança do leite no interior de Morro Redondo


Foto: Manuelle Motta Oscar, Ivonis e Ernildo, em meio à diversidade oferecida pela propriedade localizada no interior de Morro Redondo

Vendo o pai trabalhar no campo, Ivonis da Silva Peter adquiriu visão empreendedora e abriu uma leitaria, que atualmente produz 800 litros de leite por dia


Abandonar a vida rural nunca passou pela sua cabeça. Na hora em que as dificuldades apareciam, alternativas, ali mesmo no “pátio” de casa, eram buscadas. E hoje, aos 50 anos, ela e a família se dividem entre as atividades da propriedade, localizada no Passo das Pedras de Cima, em Morro Redondo. O resultado do trabalho diário, não tão leve, mas também não tão pesado como antigamente, faz mais do que sustentar a família Peter: os mantém unidos em torno de um ideal, de uma paixão e, até quem sabe, de um legado para as próximas gerações.



A produtora Ivonis da Silva Peter não herdou da família só o gosto pelas coisas do campo, mas o jeito e a visão empreendedora. Desde criança viu o pai trabalhar com leite e logo que casou passou a cuidar, ao lado do esposo, Ernildo Peter, da leitaria do sogro. O trabalho não rendeu como eles gostariam e decidiram seguir somente com o serviço na lavoura. Mas o clima e as instabilidades de cada estação, destacadas por eles como os maiores desafios para quem depende do campo, os colocaram diante de uma escolha: ou Ernildo ia trabalhar no centro da cidade ou eles teriam que investir em uma nova atividade. Foi nesse momento que a experiência de Ivonis, o gosto pelo trabalho com as vacas, e a estabilidade proporcionada pela produção de leite falaram mais alto.


Desde então, há 12 anos, ela se dedica ao cuidado das vacas e de tudo que envolve a produção leiteira, mesmo tempo em que é associada da Cooperativa Sul-Riograndense de Laticínios (Cosulati). Atualmente, conta com a ajuda de mais duas pessoas para realizar as atividades diárias. “Quando se trabalha com produção de leite é sempre segunda-feira”. Ao dizer isso, a produtora se refere ao serviço com os animais, ao todo 80, entre novilhas e vacas adultas, que ocupa praticamente todo o seu tempo, que ainda precisa ser investido no cuidado com a casa, cercada de cães, gatos e muita tranquilidade. Já da lavoura, que inclui 110 hectares de soja, 65 de arroz e 65 de milho, cuidam o esposo, o único filho homem do casal, e mais duas pessoas. Essa é só uma das vantagens de uma propriedade que oferece diversas opções, dando a oportunidade para cada um fazer aquilo que realmente gosta.


Diferente do campo, que funciona por safras, o trabalho na leitaria é constante, assim como o retorno financeiro. Mesmo acordando às 5h30, nem sempre tendo hora certa para dormir, e trabalhando de segunda a segunda, Ivonis não vê essas como as maiores dificuldades, pelo contrário, já acostumou e até gosta. Na opinião dela, a alimentação dos animais é o maior desafio. Nas fases onde o campo não oferece o pasto adequado, ela garante a média da produção com silagem. Além disso, mesmo com tantos anos de experiência, não despreza novos conhecimentos, adquiridos em cursos e acompanhamentos com a extensão rural.


Da renda da propriedade, cerca de oito pessoas são mantidas, resultado da constante busca por melhorias. Recentemente, a família expandiu o local onde ordenha as vacas, adquiriu uma ordenhadeira nova, que permite coletar leite de um número maior de animais ao mesmo tempo, e em breve terá um galpão de alimentação, que facilitará o manejo com os ruminantes. No momento, 29 vacas estão em produção, gerando diariamente uma média de 800 litros de leite. Algumas delas precisam ser ordenhadas até três vezes por dia, o que justifica o intenso envolvimento de Ivonis, da filha, que mesmo formada em educação física continuou trabalhando na propriedade, e de Oscar, o funcionário que auxilia nas atividades da leitaria.


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