Quinta, 02 de julho de 2026, 07:49h
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Dona Romilda lembra com carinho das receitas que aprendeu com as avós e que hoje oferece a comunidade lourenciana
Produtos típicos de dona Romilda Grimm Hax preservam a cultura dos antepassados, conquistando os paladares na Feira do Produtor
Há quem diga que comida, para ficar gostosa, deve ser temperada com carinho. E em alguns casos, uma pitada do sabor de saudade ajuda e muito nesse preparo. É o caso de produtos típicos que mantém viva a tradição culinária dos imigrantes alemães que colonizaram São Lourenço do Sul. E quem é especialista no assunto é dona Romilda Grimm Hax.
A senhora, de 74 anos, mantém há 30 anos uma rotina intensa: prepara muitas delícias típicas de seus antepassados e as oferece à comunidade lourenciana na Feira do Produtor, todos os sábados na praça central da cidade. E orgulha-se de dizer que nestes 30 anos, só não esteve na praça em duas oportunidades. Ela também lembra do início da Feira com apenas cinco produtores rurais. “Eram poucos e eu lembro que as extensionistas da Emater diziam que não terminariam a implantação da Feira sem que houvesse a presença de mulheres”, conta dona Romilda, que iniciou na Feira com um grupo da localidade de Prado Novo, onde vive até hoje.
Mais do que uma fonte de renda, o trabalho de dona Romilda mantém viva a culinária alemã e pomerana, com produtos preparados, principalmente, com carinho e um cuidado familiar. “Eu pedi, quando era ainda muito nova, para minhas avós me ensinaram as receitas que faziam. E aqui tem todo um carinho familiar no preparo, eu lembro muito das minhas avós quando preparado os produtos”, conta a senhora que recebe ajuda das filhas Márcia e Maristela, além de vizinhos, que define como amigos.
Com todo este carinho, seus produtos são comercializados a cada sábado para 350, 400 pessoas que visitam sua banca na Feira. São pães, cucas, schimiers, patês, linguiças, entre tantos outros, que ela garante: são receitas familiares. “Não uso conservantes, é tudo colonial, ainda utilizo tachos de cobre para preparar as schimiers. Conservo todas as frutas em freezer e preparo as schimiers novinhas todas as semanas”, conta. E na preferência dos clientes, estão, em primeiro lugar, as cucas, seguida da linguinça defumada e do pão de milho. “Estes são os produtos que sempre faço em maior quantidade”. Sua banca ainda preserva um importante prato: o peito de ganso defumado, petisco típico que tem na colônia lourenciana um de seus últimos refúgios no mundo.
Com tantos anos de trabalho, dona Romilda já pensou em parar. Porém, incentivada pela família e amigos e com o carinho dos clientes, repensou. Acabou investindo na aquisição de uma van para transportar e expor os produtos e revela o que lhe anima no trabalho. “Me sinto cada vez com mais força, me sinto jovem quando vejo como as pessoas gostam dos meus produtos e os procuram todos os sábados”. E ela também sabe, e fala com muito carinho da importância de seus produtos e de sua contribuição para manter viva a cultura alemã em São Lourenço do Sul.
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