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25-07-2014

Majestade há mais de 50 anos 


Foto: Cristian Iepsen Dona Virgínia lembra com saudade dos momentos de rainha e diverte-se com a inocência juvenil da época

Virgínia Schnorr foi rainha do Centenário da Imigração Alemã e ainda hoje é reconhecida como a primeira rainha do colono


O sorriso largo e a simpatia natural da senhora de 72 anos são características que ela mesma define como atributos que, talvez, tenham sido responsáveis por lhe dar momentos inesquecíveis. É que quando tinha 15 anos, Virgínia Schnorr foi titulada a Rainha do Centenário da Imigração Alemã de São Lourenço do Sul. “Eu nem era bonita. Acho que me escolheram porque era simpática, me dava muito bem com todo mundo”, diverte-se ao relembrar os momentos de majestade.



O título que dona Virgínia recebeu deu origem ao concurso da Rainha da Colônia e Rainha do Motorista. A festa do centenário, em 1958, foi realizada na Coxilha do Barão, onde até hoje é realizada a Festa do Colono e do Motorista. Dona Virgínia lembra que, na época do concurso, representou a Boa Vista (6ª distrito), onde vivia. Até hoje, o concurso é promovido desta forma, com as meninas representando os sete distritos do interior de São Lourenço. Ano a ano, desde então, jovens são tituladas e passam o título a suas sucessoras. Porém, a faixa de dona Virgínia nunca foi repassada a uma sucessora. O título, ainda hoje, é da senhora, mãe de três filhos, um deles adotivo, que dedica seu tempo a cuidar da casa e de sua boutique de roupas femininas.


Ela conta que entrou no concurso por acaso e acabou eleita. “Com 15 anos eu não tinha muito conhecimento, era despreparada. Sinto que não aproveitei o título”, lamenta. Ainda assim, recorda com saudade de bailes e festas onde foi apresentada como rainha e da homenagem recebida no Jóquei Clube de Pelotas. O vestido que usava foi confeccionado por um estilista do Rio de Janeiro e quem sempre a acompanhava nos compromissos era a senhora Margarida Thofern, de quem dona Virgínia lembra com carinho.


Durante a festa do centenário, a rainha acompanhou o então governador do estado, Ildo Meneghetti. Era também período eleitoral e ela recebeu a visita dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola e Walter Peracchi Barcelos. E esses momentos renderam lembranças que divertem a senhora: “Quando estávamos almoçando, percebi que tinham esquecido de colocar talheres no meu lugar. Então o Peracchi me deu os dele. Depois, o Brizola me perguntou em quem eu iria votar. Eu era tão nova, nem votava ainda, mas respondi que ia votar no Peracchi”, conta aos risos dona Virgínia, recordando de sua simplicidade e inocência juvenil.


Apesar do título recebido ainda muito jovem, a rainha do centenário diz que sempre foi mais ligada ao cuidado com os filhos e nunca teve preocupações com beleza. Após 56 anos do reinado, ela considera que foi uma rainha muito querida pela comunidade: “Até hoje as pessoas me conhecem como a primeira rainha da colônia e não acreditam que eu envelheci”.


Dona Virgínia voltou a desfilar anos atrás durante o Baile da Integração, quando todas as rainhas de São Lourenço do Sul, inclusive todas as da colônia subiram à passarela. E esta noite de festa oportunizou uma sabia reflexão: “Foi neste dia que eu percebi que as meninas hoje aproveitam mais esses títulos. Mesmo me sentindo despreparada para o cargo, eu vejo que fiz história. E a vida é tão curta, temos mesmo é que fazer história”.


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