Quinta, 02 de julho de 2026, 07:49h
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Minuano Pneus, localizada no distrito industrial, tem empresa moderna para atender os municípios da Região Sul
“O pneu é uma cachaça. Adoro o cheiro de borracha”. É dessa forma que Daniela Pizarro, de 44 anos, descreve a sua profissão. Mais que uma ocupação, ela vê como uma vocação, um vício, adquirido desde muito cedo. Seu avô, Pantaleão Pizarro, foi dono de uma borracharia, enquanto o pai, José Afonso Pizarro, adquiriu a atual empresa em 1993. “Passei minha infância dentro de um pneu. Minha mãe gritava para eu sair, saia toda suja. Eu saia do colégio e ia para a empresa do meu pai e avô”, relata. Em um determinado momento, no entanto, José Afonso Pizarro não quis mais administrar a empresa, e disse que iria arrendar o negócio. Os dois filhos, então, decidiram embarcar na empreitada e assumir a empresa criada pelo progenitor. Atualmente, ele não costuma mais frequentar o local, nem para visitas. “Quando assumimos, ele vinha, perguntava pelo fluxo de caixa, para ver se a coisa estava andando”, conta.
Trabalhando como administradora da Minuano Pneus desde 1997, quando tinha 27 anos, atualmente Daniela vê o negócio da família se firmar como um dos mais importantes no ramo de recapagem de pneus da Região Sul do Estado. Atendendo a diversos municípios, como Cristal, São Lourenço do Sul, Canguçu, Bagé, Rio Grande, Arroio Grande, Piratini, Camaquã, Tapes, Aceguá, Pedro Osório e Pinheiro Machado, a empresária divide a tarefa de comandar o empreendimento juntamente com o irmão, Guilherme. Ele fica mais envolvido com a área de produção do local, enquanto ela costuma se envolver com a área administrativa e financeira.
Situada no distrito industrial, em um prédio próprio, a Minuano Pneus oferece serviços de recapagem e recauchutagem, além da venda de pneus novos. Apesar de ser a única em Pelotas a possuir a reforma autorizada da marca Pirelli, hoje a empresa é também multi marcas. “O pessoal quer muito preço e qualidade. As marcas se igualaram, não há mais aquele disparate de uma para outra”, explica. No entanto, a caldeira é apontada por Daniela como o coração da recapadora. “Se ela dá problema, não tem outra maneira de resolver”. A atual caldeira é para mil quilos e economiza lenha. O objeto não pode ficar parado, sempre sendo mantido com água, já que é uma espécie de grande panela de pressão. Para evitar sustos, ela possui um grande sistema de alarmes, que avisam qualquer possível problema. A empresa possui duas caldeiras.
Trabalhando de forma moderna, a Minuano, que recebe este nome devido ao vento, famoso nesta região do Rio Grande do Sul, possui concertos artesanais, alem de ter uma recapadora onde o pneu jamais encosta no chão. “No momento em que sai do concerto, ele só anda pelo trilho. Apenas na finalização que ele vai para o chão”.
De acordo com Daniela, o cliente que os procuram poderão encontrar recapagens feitas através de processos conhecidos como quente e frio. Os reparos podem ser feitos tanto em pneus agrícolas, como em caminhões. Somente carros não são atendidos. A empresa se orgulha, ainda, de possuir o selo de aprovação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O pneu é buscado diretamente com o cliente. A recauchutagem é feita, quando possível, e o produto é devolvido novamente ao dono. Daniela descreve o processo feito de modo frio: “O pneu vai para o exame, onde se observa se tem algum furo, se há condições de ser recapado. Depois vai para raspa, para a cola, e então para uma estufa,onde passa por um processo químico. Em seguida, é a vez de ir para a banda, e para os autoclaves, onde fica a 180 graus entre 2h30 e 3h.” Já o processo feito de maneira quente consiste em uma banda lisa. “É a mesma coisa que por o pneu em uma forma”.
Atualmente, Daniela também se orgulha ao dizer que todas as compras da recapadora são feitas a vista. Preocupados, ainda, com a questão ambiental, a Minuano Pneus contrata o serviço de uma empresa de Porto Alegre para dar fim ao pó de borracha, reutilizado para fazer materiais como sola de sapato, tapetes para carro, e até mesmo tatames de academia. Do mesmo modo, eles também pagam para que seja feito o descarte de pneus. Se o cliente quiser, a Minuano descarta o seu pneu mediante uma taxa, já que é preciso enviá-lo para Nova Santa Rira. Daniela, no entanto, faz uma crítica: “Se pensar na quantidade de impostos que se paga, isso deveria estar ao alcance de todos”.
Para os colonos e motoristas, ela finaliza dizendo que a empresa é parceira de todos, procurando estar sempre atualizada para atender melhor os clientes.
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