Quinta, 02 de julho de 2026, 07:49h
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Luiz Carlos Uarth e Mateus Bandeira da Silveira, motoristas da Kopereck, levam excursões de turistas dentro do Brasil e em países como Uruguai, Argentina e Chile
Passar dias fora de casa, conhecendo e oportunizando que outras pessoas conheçam diversos pontos importantes do Brasil e da América do Sul. Esta é a rotina de Luiz Carlos Uarth, motorista que faz viagens turísticas pela empresa de ônibus Kopereck. Rio de Janeiro, Fortaleza, Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Bolívia são palavras constantes no seu vocabulário, lugares que já fazem parte e contam um pouco de sua trajetória profissional e pessoal. Desde 1978 trabalhando como motorista, ele nunca fez linhas regulares. Sempre foi destinado as viagens turísticas. Somente na atual empresa, ele está há 16 anos. “Comecei trabalhando como motorista de caminhão, quando sai do exército. Depois fui para uma empresa de caminhão e carretas. Na Kopereck estou desde 1998”, relata.
Quando iniciou a conduzir excursões, não havia a facilidade dos dias atuais, como os modernos GPSs. As rotas eram traçadas através dos bons e velhos mapas, que agora já estão fora de moda. As viagens normalmente são feitas com dois profissionais, que revezam a direção do veículo para que um sempre possa descansar, já que muitas viagens são extremamente longas. Uarth já chegou a ficar 49 dias longe de casa, conduzindo grupos diferentes, saindo do Chuí e indo em direção ao litoral do nordeste. Com um único grupo, ele já chegou a ficar 31dias fora. Esta, aliás, é a única dificuldade que o motorista enxerga na profissão. “Uma das coisas mais pesadas é ficar fora de casa”. Casado e com quatro filhos, para continuar na profissão foi necessário construir uma família que aceitasse seus horários, ou a falta deles. Ele conta que, em uma ocasião, quando retornava de Minas Gerais, avisou a esposa que chegaria para o almoço de domingo. No entanto, atrasos e problemas na estrada, os quais ele se refere como “tranqueiras” que surgem no percurso, fizeram com que só conseguisse descer do ônibus e rever os parentes na segunda-feira. E esta não é a única história que ele tem para contar, já que brinca que, quando motoristas se juntam, sempre saem uma porção delas, afinal, a trajetória nas estradas é longa. Ele, por exemplo, calcula que, somente no Rio de Janeiro, já tenha estado mais de 200 vezes. “A mídia sempre mostra os aspectos negativos de lá, mas nunca vi nada ruim. Nós não vamos levar os turistas para verem coisas ruins”. Histórias curiosas e engraçadas também não faltam. Em uma das viagens, o ônibus precisou ficar parado no estado de São Paulo, em outra dessas “tranqueiras” a que ele se refere. Os passageiros então desceram do ônibus e pediram para que ele tocasse sanfona, objeto que costuma carregar. Quando a Polícia Rodoviária Federal chegou ao local, os passageiros dançaram com os policiais. “Foi uma risada só”. Do mesmo jeito que as histórias, amigos não faltam. Dias antes da entrevista para o Jornal Tradição Regional, por exemplo, ele foi chamado por uma pessoa, no Shopping de Pelotas, que já havia viajado com ele.
Com todo este tempo de experiência, Luis Carlos Uarth é um dos motoristas mais disputados na empresa pelos motoristas mais jovens, que desejam aprender com o “tio Luiz”, como é conhecido. “Para nós, ele é uma aula”, conta Mateus Bandeira da Silveira, que brinca ter, de idade, o tempo que o companheiro já tem de profissão. Aos 36 anos, Silveira está no ramo do turismo desde o ano 2000, sempre com a Kopereck, A escolha pela profissão era um sonho de infância. “Via os ônibus e os achava bonitos. Achava que era a melhor coisa do mundo”, relata.
Além do fato de estar longe do filho de 16 anos e da esposa, dificuldade também citada pelo colega, um dos maiores desafios descritos pelo motorista é a responsabilidade de carregar vidas humanas dentro do ônibus. “Quando se sai a viajar, se está carregando 52 vidas. São 52 famílias esperando por eles. Tu tem o compromisso de levá-los e trazê-los.” Apesar disso, as amizades que são feitas dentro dos veículos superam todos os percalços. Com estas pessoas, eles vivem, muitas vezes, momentos que não conseguem vivenciar em casa, devido aos longos períodos em que estão fora. Em uma dessas ocasiões, ele conta que o ônibus ficou cerca de 18 horas preso em uma estrada. O local ficava a 100 km de distância da cidade de Cuzco, no Peru, e o motivo da parada forçada era uma manifestação. O veículo não podia seguir, e não conseguia retornar. A solução foi deixar o ônibus ligado para manter a temperatura, por que fazia muito frio, e fazer pelo menos duas refeições para os turistas com a comida que os funcionários da empresa carregavam. “O pessoal tirou foto conosco preparando a comida”.
Tirando o sustento da estrada, ambos os motoristas dizem ser realizados com a profissão. “No momento que fazemos o que gostamos, as dificuldades caem por terra”, diz Silveira. Apesar disso, eles, tão conhecedores de tantos países, eles não deixam de ser críticos, e fazem uma análise do trânsito atual. Para Luiz Carlos Uarth, nos outros países existem menos veículos circulando, diferente do Brasil, onde o número é maior, tornando as vias mais tumultuadas. Ele relata que em Buenos Aires e também no Uruguai, por exemplo, a trafegabilidade é bastante tranquila. O problema é apontado de maneira semelhante por Silveira, que vai além, e afirma que os brasileiros não são tão educados no trânsito, além de estarem mal preparados. “O pessoal morre por falta de experiência. Não há prudência nenhuma”. Ele afirma, ainda, que as rodovias estão sendo duplicadas quando, na verdade, já deveriam estar sendo quadruplicadas. Os dois também explicam que é difícil conviver com os veículos pequenos, pois seus condutores não tem noção do tamanho real de um ônibus. Por esses motivos, ambos são categóricos, e pedem que os motoristas procurem tem mais paciência e serenidade quando estiverem no trânsito, para que possam fazer viagens tranquilas e responsáveis, como tem sido as suas dentro dos ônibus pelas estradas da América do Sul.
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