Quinta, 02 de julho de 2026, 03:01h
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Há dez anos, engenheiro agrônomo de Pelotas adotou as bicicletas como hobby, colecionando bikes antigas e materiais relacionados as suas histórias
Um meio saudável e ecologicamente correto para se locomover. Em tempos onde se prega a sustentabilidade, preocupação com o planeta e qualidade de vida, a bicicleta vem sendo adotada pelos habitantes de diversas cidades do mundo. Um bom exemplo é a capital da Holanda, Amsterdã, onde é comum encontrar ciclistas com os mais diversos trajes, até mesmo de terno e gravata, além da integração com os transportes públicos, como barcos e trens.
O veículo, no entanto, não desperta a curiosidade e chama a atenção somente nas capitais europeias. Em Pelotas, um homem procura, através das bicicletas do passado e de suas histórias, um olhar para o futuro, na busca por uma vida saudável, além de distração e entretenimento. Sua paixão fica clara assim que a conversa com o Jornal Tradição Regional inicia. Munido de uma pasta, o engenheiro agrônomo Nelson Luiz Finardi, de 67 anos, logo espalha pela mesa materiais dos mais variados gêneros e épocas, que ele começou a colecionar há aproximadamente 10 anos. A forma como a coleção começou foi quase involuntária. “Moro no centro de Pelotas, e havia um rapaz que cuidava os carros. Um dia, meu filho disse que ele não tinha bicicleta, e eu dei a minha para ele. Só depois percebi que então eu é que havia ficado sem. Decidi adquirir outra, mas não queria comprar em lojas. Fui atrás de uma antiga”, relata Finardi, que é natural de Rio do Sul, em Santa Catarina, mas que vive em Pelotas desde 1966, quando veio para cursar agronomia. A bicicleta antiga, da marca inglesa Briston, foi então encontrada no bairro Fragata, a um custo de aproximadamente R$ 50. De lá para cá, ele nunca mais parou. Pesquisa e procura onde possa haver mais bicicletas antigas, e também as ganha de presente. “Nunca recuso”, diz. O primeiro contato com bicicletas, no entanto, é bem mais antigo, e Finardi lembra com carinho. Ele tinha cerca de 10 anos quando ganhou uma pela primeira vez. Na época, elas não eram baratas, e por isso geravam expectativa nas crianças.
A paixão pelas bikes ele descreve como um hobby, que muitas pessoas, sobretudo os jovens, deveriam ter, como forma de preencher as horas vagas, restaurando e fazendo passeios. “Faz muito bem para a gente, para o ego”, relata, com orgulho, no quintal de casa, mostrando apenas alguns dos exemplares que coleciona e já estão restaurados. Para ele, as bicicletas antigas possuem muitas histórias, e por isso passam a ter grande valor na atualidade. “Praticamente não tem preço, mas valem em torno de R$ 3 a R$ 5 mil. Tem gente que paga isso, até mais”, explica. No entanto, Finardi já avisa que as suas não estão a venda, pois possuem valor sentimental, e talvez, um dia, ele as doe para algum museu. “Não vendo. Prefiro dar ou doar. Não gostaria de ver uma bicicleta minha jogada”.
Um dos itens mais interessantes da coleção de Finardi foi um presente. “O dono sabia do meu gosto e disse que tinha um presente para me dar”. O presente era uma bicicleta, da década de 1930, junto com uma multa que o dono do veículo recebeu. O motivo da penalização foi por andar na calçada, ou como está escrito, a lápis, no próprio documento, por andar em cima do passeio público. Materiais como a multa, inclusive, também fazem parte da coleção do engenheiro agrônomo, que procura não somente as bicicletas em si, mas tudo o que lhes diz respeito. De sua pasta de tesouros, saem publicidades antigas, recibos de compra e venda, fotos, e um curioso estatuto do Club Ciclista Pelotense, também da década de 1930, fundado por João Simões Lopes Neto, que sagraria seu nome como autor de obras como os Contos Gauchescos. Questionado sobre como consegue estas relíquias, ele não titubeia: “Quando não se tem envolvimento com as bicicletas, não se conhece o mundo que tem por trás. Qualquer atividade tem um mundo sem limites.“ Ele explica que esses materiais são conseguidos através do “boca a boca”. Em uma feira, na cidade de Montevidéu, por exemplo, Finardi encontrou uma antiga lanterna, acessório considerado raro, e que foi um dos primeiros utilizados para iluminar os caminhos dos ciclistas.
Suas bikes são reformadas na propriedade da família, localizada no interior de Morro Redondo, e ainda há uma fila grande de bicicletas esperando a reforma. Quando a pintura é original, ele procura mantê-la. Entre elas, está uma bicicleta, de uma marca inglesa que também produzia outra bike, dobrável, que pudesse ser levada pelos paraquedistas. Suas relíquias, no entanto, ainda são utilizadas para a atividade de pedalar, feita, normalmente, aos finais de semana, na companhia da esposa. O veículo é visto por ele como uma forma sustentável e saudável para viver nas cidades futuramente. Ironia ou brincadeira do destino, uma das poucas ciclovias pelotenses passa, justamente, em frente a sua casa.
A bicicleta
A bicicleta já tem mais de 200 anos de existência. Considerada o primeiro meio de transporte mecanizado para o transporte individual, seu inventor foi o conde francês J.H. de Civrac, no ano de 1791, quando a batizou de celerífero. A segunda forma de bicicleta surgiu em 1817, na antiga Prússia, atual Alemanha. Por volta de 1838, um ferreiro escocês desenvolveu um veículo de duas rodas dotado de bielas de acoplamento montadas no miolo da roda traseira e acionadas por duas alavancas. Os pedais foram inventados em 1860, na França. Foi nessa época que a bicicleta teve sua primeira explosão de consumo. Em 1890, a “Humber” lançou o quadro trapezoidal, até hoje a base geométrica de qualquer bicicleta.
Cidades adotam bicicletas como meios de transporte
Em 2013, um ranking enumerou as melhores cidades do mundo para andar de bicicleta, considerando critérios como a existência de ciclovias e o amparo legal para carregá-las em locais como os metrôs, por exemplo. Amsterdã, na Holanda, ficou em primeiro lugar, com todas as suas ruas adaptadas às necessidades dos ciclistas. Em segundo lugar ficou a capital dinamarquesa, Copenhague, onde o meio de transporte é utilizado por 50% da população. Em 18º lugar, o Rio de Janeiro aparece como a única cidade brasileira a estar entre as 20 melhores cidades.
Veja o ranking:
1º – Amsterdã
2º – Copenhague
3º – Barcelona
4º – Tóquio
5º – Berlim
6º – Munique
7º – Paris
8º – Montreal
9º – Dublin
10º – Budapest
11º – Portland
12º – Guadalajara
13º – Hamburgo
14º – Estocolmo
15º – Helsinki
16º – Londres
17º – São Francisco
18º – Rio de Janeiro
19º – Viena
20º – Nova York
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