Quinta, 02 de julho de 2026, 03:03h
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Chuva em excesso, maquinário sucateado, imensa extensão territorial e, ao que depoimentos indicam, também certa falta de consideração com os estudantes, alguns deles desde a madrugada nas paradas de ônibus esperando o transporte escolar.
Estes são alguns dos fatores que acabam, muitas vezes, prejudicando o bom andamento do ano letivo nas escolas Adão Preto e Vieira da Cunha, instituições do 5º distrito de Piratini, que funcionam na mesma estrutura predial.
Ao protestar, Rosalete Lopes da Silveira, de 47 anos, mãe de dois estudantes que muitas vezes aguardam em vão o transporte à beira da estrada, não tem noção de que o caso dos filhos dela nem se compara a tantos outros, muito piores. Um exemplo é o de José Augusto, morador do 2º distrito, que pula da cama às 3h para, meia hora depois, estar pronto a acessar o transporte. Rosalete reclama: “Há épocas em que meus filhos e outros estudantes vão, no máximo, dois dias à aula. O transporte não passa, ou cruza fora do horário. É uma bagunça”, dispara, indignada.
Ela conta que, agora, devido ao péssimo estado da estrada do Passo do Sabugueiro, o motorista que conduz a linha decidiu não mais fazer o trajeto por falta de segurança. As preocupações da mãe são com a qualidade do que é ensinado e assimilado ou não pelos alunos. “Perda de aula, de conteúdo, da explicação como um todo. Outro dia, quando houve uma prova de matemática, meu filho foi até o asfalto para pegar o transporte privado e chegou às 10h no colégio, quando as aulas começam 07h30. Ele, por não ter assistido com frequência o ensinado, foi mal no teste.”
O que diz a diretora:
A diretora da Escola Adão Preto, Sandra Joanol, admite as dificuldades geradas pelo transporte, mas afirma que, além de registrar em ata a falta do aluno junto à justificativa, o que permite a ele não perder o ano por falta de assiduidade, em dias em que muitos estudantes faltam, não é dado novo conteúdo e sim, uma fixação da matéria já repassada. “A situação é complicada. Há dias em que temos 15 alunos em sala de aula quando o certo seria entre 35 e 40. Mas eles não podem sair prejudicados”, disse.
A versão da diretora de Educação
Falando em nome da Escola Municipal Viera da Cunha, a diretora de educação, Rosana Maneti, reconheceu o problema e disse que, além do abono das faltas por este motivo, há ainda uma orientação para que os professores repassem a matéria aos faltantes.
Quanto à decisão do motorista em não fazer o trecho da linha citado, Rosana disse estar ciente e que isso só ocorre quando realmente não há como trafegar. “Não depende somente de nós, mas também, da Secretaria de Infra Estrutura e Logística”, falou.
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