Quinta, 02 de julho de 2026, 00:49h
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Restaurante no centro de Pelotas propõe cardápio orgânico, através de produtos de pequenos agricultores
Proporcionar uma vida mais saudável, com equilíbrio, recuperando os laços afetivos com a natureza, cada vez mais perdidos por nós, humanos. Essas são algumas das justificativas encontradas por Liomar de Souza para a sua paixão: os alimentos orgânicos. O cozinheiro é o proprietário de um local que tem chamado muito a atenção dos pelotenses atualmente. O restaurante ECO, no centro de Pelotas, é nomeado por alguns de “restaurante natureba”. O rótulo, apesar de muitas vezes pejorativo, é verdadeiro dentro da proposta do proprietário: a de oferecer comida saudável e de qualidade, fugindo das tradicionais gorduras e frituras encontradas no ramo dos alimentos.
No cardápio, nada de produtos com agrotóxicos ou adubos químicos. Os alimentos são comprados de pequenos agricultores familiares, que produzem os produtos de maneira orgânica e sustentável, em feiras ecológicas. Uma delas é realizada na avenida Dom Joaqim aos sábados pela manhã. As outras podem ser encontradas no Mercado Público, às quintas-feiras, na Bento Gonçalves, às terças-feiras, e na Duque de Caxias, também aos sábados. Embora o restaurante exista há somente três anos, este não é o primeiro contato com a agricultura familiar. Filho de agricultor, foi através do trabalho com pequenos produtores que Souza, de 49 anos, conquistou o diploma em ciências domésticas pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Isso, após ter iniciado e desistido do curso de agronomia, motivo pelo qual veio de Tramandaí para a terra do doce. “Tinha a disciplina de educação do consumidor na faculdade de ciências domésticas. Quando eles começaram a feira, em 1996, iniciei um trabalho relacionado com a matéria. É um trabalho de longo prazo”, explica.
Antes de inaugurar o ECO, ele se envolveu com a cooperativa Teia, dona de um restaurante vegetariano na cidade. Foi quando entrou lá, em 1998, que aprendeu a cozinhar. Em seguida, se mudou para a Amazônia, onde deu aulas. De volta a Pelotas, ainda encontrou tempo para se formar em ciências sociais, antes de optar por sair da cooperativa e fundar o próprio restaurante. Apesar das vantagens, como o fato do crescimento coletivo, a falta de perspectiva que sentia e a instabilidade de não tem um projeto próprio o fizeram buscar voos solos. No entanto, ele alega que, mesmo não fazendo mais parte da cooperativa, ter um compromisso moral de comprar dos pequenos agricultores.
Um dos diferenciais do ECO é ter as carnes de frango e peixe, feitas de forma cozida ou assada. Sobre a produção da agricultura familiar, Souza revela que existem alimentos de grande importância para a dieta, incluindo plantas espontâneas, que nascem naturalmente na propriedade, como transagem e dente de leão. Além disso, as pequenas propriedades se diferenciam também pela variedade. “Eles não tem uma lavoura só de trigo ou só de milho. Tem de tudo um pouco.”
Segundo ele, a maior dificuldade ao optar por um restaurante de comida orgânica é a de se adaptar ao sistema de produção e aos produtos disponíveis em cada época. Os pratos são elaborados de acordo com a oferta. “Nunca reclamo de nenhum produto. Se algo vem bichado, eu transformo, faço o que consigo, porque é o que dá para fazer. Eles também se dedicam a produzir da melhor forma possível”, relata. O feijão e o arroz nunca faltam para os clientes. A salada de pão e o bolinho de soja são outros dois pratos preferidos dos fregueses.
O local tem agrado a população pelotense. Em média, cerca de 150 a 160 pessoas almoçam, por dia, no ECO. Um deles é Matheus Mazzochi, que já frequenta o restaurante a aproximadamente um ano, entre três e quatro vezes por semana, normalmente. O funcionário de uma agência de publicidade explica a escolha: “A comida é maravilhosa, tudo é saudável. E tudo é fresquinho. O atendimento também é muito bom. Além disso, o preço é acessível. É um lugar que se preocupa com a saúde do consumidor”, explica ele, que já indicou o restaurante para diversas pessoas. “
Para Souza, mais que proporcionar uma dieta saudável, os alimentos orgânicos ajudam a recuperar os vínculos e o ritmo com a natureza, muitas vezes perdidos pela correria do dia a dia. “Nós somos natureza. Esse é uma das grandes crises da humanidade: a separação dos vínculos com a natureza”, finalizou.
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