Quarta, 01 de julho de 2026, 22:29h
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Dia do Soldado marca uma missão permanente
No dia 25 de agosto é comemorado, em todo o país, o Dia do Soldado. A data foi criada em homenagem a Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que é o patrono do Exército Brasileiro, igualmente conhecido como o Pacificador, que nasceu no dia 25 de agosto de 1803.
O título de Soldado é uma graduação do fundo da hierarquia militar, que tem como missão maior servir a sua pátria e, nesse dia simbólico, o profissional confirma seus feitos, através da busca incessante da manutenção da paz, dentro e fora do país.
De acordo com militares em diversas situações, as características da profissão, representadas pelo risco de vida; sujeição a preceitos rígidos de disciplina e hierarquia; dedicação exclusiva; disponibilidade permanente; mobilidade geográfica; vigor físico; formação específica; aperfeiçoamento constante, dentre tantas outras, apontam um caminho árduo e ao mesmo tempo de muita disciplina pessoal.
No túnel do tempo: 58 anos de história do Batalhão Suez no Oriente médio
Pela primeira vez na história da humanidade, soldados que sempre foram treinados para a guerra e para defender o seu país, iriam defender a paz em outras terras. Essa Força de Emergência era formada por contingentes dos exércitos de dez países e, dentre eles, o Brasil, composto por um grupamento militar em média de 600 homens divididos em praças e oficiais. Logo os “boina azuis” entraram em cena estabelecendo-se na Faixa de Gaza, numa área de 100 km de extensão por 10 km de largura, criando uma zona neutra ao longo da “Armistice Demarcation Line” (ADL - linha de demarcação do armistício), nada mais do que a fronteira física e política entre Israel e Egito, estabelecida pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), após acordo.
Devido aos problemas do conflito, o presidente Nasser do Egito, buscava proteção da ONU, que em 05 de novembro de 1956 cria a Forças de Emergência das Nações Unidas (UNEF) com a finalidade e função de supervisionar o fim da discórdia e de manter a paz, neutralizando a guerra entre o Egito e Israel.
O batalhão foi formado pelo Exército Brasileiro como III/2º RI (3º Batalhão do 2º Regimento de Infantaria), no Rio de Janeiro, com a denominação de Batalhão Suez, devido à área de atuação estar próximo ao Canal de Suez e que viria a integrar a recém força internacional de paz, com a responsabilidade de representar o Exército Nacional, e o povo brasileiro, perante outros exércitos, na Palestina, região do Oriente Médio, mais precisamente na Faixa de Gaza e o Deserto de Sinai, na composição da primeira Força de Paz que o mundo iria conhecer até então.
12º e 13º Contingentes brasileiros Batalhão Suez rumo ao Oriente Médio
As datas de 8 de dezembro de 1962 e 4 de julho de 1963 marcaram a vida de dois pracinhas gaúchos, integrantes na missão de paz do Oriente Médio, os quais relatam com muita emoção esse tempo que ficou na memória.
“Lembro-me como se fosse hoje. Ansioso e emocionado, saí do Rio de Janeiro a bordo do Navio de Transportes de Tropa Barroso Pereira com destino a Port Said, Egito, em direção ao desconhecido”, comenta o capitão R1, do 9º.BIMTZ, Pelotas/RS (9º. Batalhão de Infantaria Motorizado), Gleny Azambuja.
Sua companhia era a nona e estava destacada para a faixa de fronteira entre a Faixa de Gaza e o Estado de Israel, muito distante do Batalhão.
Segundo relato do Capitão Gleny, esse Contingente (12º.) ficou 13 meses na Faixa de Gaza, sendo substituído em 50% de seu efetivo a cada seis meses, para dessa forma, assegurar uma orientação aos novos que estavam chegando.
Em relação ao 13º. Contingente, partiram de Porto Alegre no Navio de Transportes de Tropa Ary Parreiras rumo a Port Said no Egito, um efetivo de 380 pracinhas gaúchos para permanecer 15 meses na fronteira de Israel e Egito.
“Nossa maior dificuldade era a ‘comunicação’ tanto no Oriente Médio, com Egito, Israel como também com a família, pois só tínhamos contato uma vez por mês, através da FAB (Força Aérea Brasileira)”, relata o Capitão R1, igualmente do 9º.BIMTZ, Pelotas/RS, Iltamir Pereira Machado.
Em meio a questionamentos e fatos curiosos, o Capitão Iltamir lembra com alegria a sua passagem pela linha do Equador. “Não tem como esquecer, a Marinha Brasileira passa o comando do navio a um dos seus tripulantes, construindo uma piscina com água salgada, na parte interna do navio e, nesse exato momento, é feito o Batismo do Rei Netuno, com farinha, óleo e água e todos eram fiscalizados pela patrulha do Rei, para serem devidamente batizados" diz.
Na marcha da história o presente sempre alerta
Em meio a festividades, a história se desenrola nas missões continuadas, onde militares relatam seus feitos.
Em destaque, a Força de Pacificação Operação Arcanjo VI, realizada em 2012, no Rio de Janeiro, com o espírito preparado para construir junto com as comunidades um futuro melhor, reviveio 9º.BIMTZ.
A escolha da palavra ‘arcanjo’ para a missão,segundo o tenente-coronel Lauro Ferreira de Melo “foi escolhida por representar os anjos, representando o anjo da guarda daquela comunidade, como uma forma de proteção ante a insegurança, a incerteza, a falta de liberdade, a dependência dos traficantes entre tantas outras situações que colocava em risco a vida daqueles moradores”, relata.
Para o capitão Régis Fernando da Silva, esta operação representou muito. “Foi um amadurecimento profissional porque além de ter sido um aprendizado de relacionamento humano, também contribuiu para exercitar o controle emocional até então desconhecido nessa situação em que me encontrava”, fala.
Já para o capitão Tiago Fantini Feliceti, a missão foi uma oportunidade única na carreira de colocar em prática tudo aquilo que se aprende na escola, pois sempre estamos nos preparando para uma situação real, mas sempre esperando que ela não aconteça e, quando esta se torna real, precisamos estar prontos, por isso é um crescimento pessoal também”.
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