Quarta, 01 de julho de 2026, 21:15h
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Dona Renilda reabriu a padaria na terça-feira (02), mas diz que está com medo de trabalhar
Mulher de 78 anos atirou e matou jovem de 24 anos que tentava assaltar sua padaria na noite de sábado (30)
O olhar marejado e uma fala cansada evidenciam o abalo em que está dona Renilda Devantir após o trágico fim de um assalto em seu comércio. Seu bom dia é logo seguido por: “Estou fraca, fraca, fraca. Que coisa triste”. A lembrança da morte do jovem assaltante é constante e seu rosto é pesado pela tristeza, mas em seu redor estão amigos que a todo momento lhe animam com frases de apoio e compreensão.
A comerciante de 78 anos conversou com o JTR na manhã de terça-feira (2), quando reabriu o comércio após o assalto da noite de sábado (30). Foi quando ela, ao reagir a ação do assaltante atirou e matou Jonathan Silveira Ferreira (24 anos). O caso acabou ganhando grande repercussão na comunidade e na imprensa estadual. Porém, as manifestações são de apoio a conhecida vovó, comerciante no bairro Navegantes, onde mantém sua padaria há 28 anos.
Ao relembrar os acontecimentos do sábado, dona Renilda mostra os passos do assaltante e explica: “Ele entrou e parou na minha frente, do outro lado do balcão. Achei que era freguês e perguntei o que desejava. Então ele apontou a arma e disse que era assalto. Ele ainda foi fechar a porta para ninguém entrar e voltou, fez a volta no balcão e veio na minha direção. Quando ele me apontou a arma, dizendo que eu deveria dar o dinheiro ou me matava, acabei atirando. Percebi que ele ia apertar, ai eu apertei antes”, relembra a senhora.
Dona Renilda diz que agiu no susto quanto percebeu que o bandido iria atirar. Ela aproveitou um momento de distração do jovem que não tinha passagens pela Polícia, mas era usuário de drogas, para pegar a arma. Foram dois tiros, um que atingiu o pescoço de Ferreira. Assim que percebeu que tinha acertado o jovem, a comerciante diz que gritou por socorro de um ajudante que estava nos fundos da padaria. “Ai eu meio que desmaiei. O ajudante chegou e logo pediu para eu me acalmar e me levou para sentar na rua. Logo a polícia chegou”, lembra a senhora. Questionada, ela diz que a arma que usou foi encontrada anos atrás embaixo de um freezer da padaria. Ela então a guardou em um armário próximo do caixa, onde permaneceu até o sábado. “Nunca tinha usado, nem sabia que tinha bala. Só peguei no susto e apertei. Que coisa triste, eu nunca pensei que uma coisa dessas um dia ia acontecer”.
Após a chegada da Polícia, dona Renilda foi levada à Santa Casa de Misericórdia, onde ficou internada até a manhã de domingo em estado de choque. Já de volta ao trabalho na terça-feira, ela se mostra temerosa pelo que ainda deverá enfrentar. Naquela tarde, ela prestaria o primeiro depoimento na Polícia Civil.
O assalto não foi o primeiro. Na verdade, dona Renilda já perdeu as contas de quantos foram. “Eles simplesmente entram e levam o que querem”, conta. No ano passado dois assaltantes afogavam a comerciante em um vaso sanitário enquanto pediam que entregasse o dinheiro. O resultado foram vários ferimentos e a perda de uma importante quantia em dinheiro. Em outro caso, ela foi agredida por um soco de um assaltante.
Rodeada por amigos enquanto relembra os casos de agressão, dona Renilda lamenta. “Eu reabri, porque tenho que pagar as contas, nem sei como vai ser. Isso é muito triste, nem tenho forças pra trabalhar”, conta a senhora enquanto amigos debatem com ela a contratação de um segurança para ficar no estabelecimento. “Eu estou com medo de trabalhar”, diz a senhora, definindo seu sentimento.
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