Quarta, 01 de julho de 2026, 20:54h
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Papel relevante na cadeia alimentar, segue na rotina diária a sua saga singular e valiosa, a árdua missão de prover com produtos de qualidade a sua clientela. O Feirante é muito mais do que o seu personagem, ele promove um envolvimento mágico na comunidade, interagindo e executando um papel catalisador e irradiador de cidadania, fomentando e convertendo um encontro sadio e respeitoso, em um momento de lazer.
Não se sabe ao certo onde ou quando foi realizada a primeira feira na história, todavia existem fontes, que permitem afirmar tal atividade em 500 a.C., no Oriente, nomeadamente na cidade-estado Fenícia de Tiro.
As referências a feiras na Antiguidade e na Idade Média aparecem correlacionadas a festividades religiosas e a dias santos. Nelas se reuniam ‘mercadores’ de terras distantes, trazendo os seus produtos nativos para trocar por outros. A etimologia da palavra ‘feira’ demonstra que a religião andou de mãos dadas com o comércio. A palavra latina ‘feria’ que traduz ‘dia santo ou feriado’, é a palavra que deu origem a portuguesa ‘feira’.
Daí o motivo da ‘feira’ ser um local público em que as pessoas, em dias e épocas pré-determinadas, expõem e vendem mercadorias, assim como, é uma designação complementar dos cinco dias úteis da semana: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira.
A Feira na visão da Cooperativa Sul Ecológica dos Agricultores Familiares
Uma associação cooperativada que congrega os produtores ecologistas da microrregião de Pelotas com o intuito de contemplar a organização social da produção, através do planejamento feito com os agricultores, é a filosofia da instituição, fundada em dezembro de 2001 por agricultores familiares ecologistas de vários municípios do extremo sul do Estado do Rio Grande do Sul, que viram no cooperativismo uma ferramenta para enfrentarem os desafios da modernização da agricultura e manter viva a ação do feirante.
Desde então a Sul Ecológica, localizada na rua Barão de Santa Tecla, nº 510, Pelotas, vem desenvolvendo, junto a seus cooperados, o incentivo para a produção de alimentos com base na Agroecologia, uma vez que, a monocultura do tabaco havia nos últimos anos tomado o lugar das culturas tradicionais da região,segundo o seu presidente, Paulo Medeiros.
Para a Cooperativa em questão, a agricultura familiar de Pelotas pode ser entendida como um grande desafio e, necessária atenção e responsabilidade por parte daqueles que têm a possibilidade de efetivar mudanças, visto que, esta entidade surgiu para atender a esse agricultor que apresenta um olhar voltado para a ecologia, mas que ainda encontra muitas dificuldades no que tange a mão de obra cada vez mais escassa e a evasão do jovem do meio rural em direção ao meio urbano na busca de uma oportunidade de trabalho.
Conforme Paulo de Medeiros, “nós ainda vivemos num mundo capitalista, onde o capital é que dita as regras, o que não é diferente no nosso ramo, é preciso que haja melhores investimentos para a educação, com o objetivo de tornar a escola um local também compatível com o armazenamento, produção e distribuição da alimentação escolar segura, aí é que entra o olhar do agricultor voltado para o orgânico”, diz.
Por meio da Lei nº 11.947/2009, a Agricultura Familiar passa então a fornecer gêneros alimentícios a serem servidos nas escolas da rede pública de ensino.
Sobremaneira, pode se relacionar o Dia do Feirante com a Semana da Alimentação Orgânica, pois uma complementa a outra, é preciso uma atenção voltada para o pequeno produtor que pode ser ao mesmo tempo, o próprio feirante, que vai fazer toda a diferença na tão necessária alimentação saudável.
No recorte do tempo o Projeto Empreender impulsiona Feirantes...
Na comemoração ao Dia do Feirante, que foi festejado em 25 de agosto, ações voltadas para o beneficiamento desta classe merecem ser lembradas e pontuadas, para que dessa forma, possa servir de exemplo e incentivo a novas articulações.
Vale então resgatar o programa Empreender em Pelotas, também desenvolvido pelo Sebrae/RS em parceria com a Associação Comercial de Pelotas (ACP), em 2006, o qual contemplou 38 feirantes, através do repasse de informações em cursos e consultorias sobre a missão, a visão e as ações estratégicas que foram desenvolvidas, naquela época na Associação dos Feirantes desta cidade.
O porquê de lembrar este cenário?
O núcleo de feirantes do Programa Empreender foi um dos últimos a ser articulado em Pelotas e o que obteve êxito em menor tempo, pois coordenou a organização de feiras livres nesta cidade, em conjunto com a Prefeitura Municipal e, igualmente implementou a uniformidade entre as bancas em relação à apresentação dos produtos e ao atendimento do público. Dos 38 empreendedores, 24 ligados ao núcleo, continuam promovendo a Feira do Entardecer, realizada em horário especial, contando com excelente receptividade dos consumidores.
Tal projeto encontra-se após oito anos, vivo e referenciado na própria infra-estrutura das feiras de Pelotas, a partir do layout, do visual, das boas práticas de manuseio de alimentos, bem como, na própria postura do Feirante, aspecto este, comentado pela gerente regional do Sebrae/RS, Rosâni Boeira Ribeiro.
“Inclusive a gente vê, hoje em dia, os feirantes padronizados e mantendo o perfil trabalhado naquele período, atualmente não temos mais aquele programa específico para os feirantes, mas temos ações que podem ser customizadas e trabalhadas pelo grupo que tiver interesse de retomar alguma associação e/ou entidade que represente esta classe”, declara a gerente regional.
A dinâmica da fiscalização das feiras
Segundo o fiscal das feiras de Pelotas, Milton Pereira Mendes, a fiscalização tem todo um regramento, que vai desde a planilha presencial até a relação com os consumidores.
As mesmas são classificadas em grupos de hierarquia, por exemplo, a feira do grupo A corresponde a mais antiga do município, sua inauguração data de 1946; logo as feiras maiores, como a da avenida Bento Gonçalves, realizada no sábado, só podem fazer parte, os profissionais do grupo em questão.
Milton relembra que nos governos de Marroni (PT) e de Fetter (PP) foram criadas respectivamente, a Banca padrão e a Feira ao Entardecer e, relata que “a feira do Big, como é comumente chamada, tem grande importância para o consumidor, tanto em relação ao horário que é mais extenso quanto a sua localização praticamente estratégica”, diz. FOTO 4
Dia do Feirante: A difícil rotina de quem vive das Feiras
Em cena para nos passar um pouco de seu diário de bordo, o presidente da Associação dos Feirantes do Grupo A de Pelotas (AFAPEL), Rogério Afonso relata o seu trabalho diário: “a gente passa o dia inteiro envolvido com a feira, todo dia é dia de trabalho, o cuidado com os produtos, arrumação das bancas, é um ofício que envolve toda a família, por isso o Dia do Feirante é tudo pra nós, pois é daqui que vem o nosso sustento”, afirma.
15-06-2015 - 20h28min
Francisco Viegas, de pelotas-RS, disse:
Parabéns pelo texto muito bem escrito!! sou aluno da ufpel e estou fazendo um trabalho sobre as feiras da cidade e também vai ser meu tema de TCC. Pergunto: Houve alguma bibliografia usada para realização desta matéria??
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