Quarta, 01 de julho de 2026, 16:14h
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O advogado Maurício Dal Agnol foi preso nesta segunda-feira (22) pela Polícia Federal em Passo Fundo. Ele é acusado de lesar 30 mil clientes no Rio Grande do Sul.
Ele é réu em uma ação que o acusa de ter traído a confiança dos clientes e ficado com a maior parte de R$ 300 milhões obtidos de causas contra a empresa de telefonia Brasil Telecom (BrT), em nome de antigos acionistas da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).
O advogado recebeu R$ 50 milhões de honorários para fazer um acordo com a BRT, mas teria recebido o dinheiro dos clientes e repassado, em média, apenas 20% do devido — ou, em alguns casos, nenhum valor.
O advogado foi preso na avenida Brasil, a principal de Passo Fundo. No carro em que ele estava foram encontrados uma mochila com milhares de reais e um passaporte em nome dele, com visto válido para os Estados Unidos.
O Ministério Público acusa Dal Agnol de falsificar um alvará de acordo judicial no qual a empresa telefônica BRT repassa R$ 5 milhões a um grupo de clientes do advogado. Conforme os promotores, ele teria recortado o documento do acordo, falseado as informações e repassado R$ 50 mil.
Contraponto:
O que diz Maurício Dal Agnol:
Os advogados de Dal Agnol não se pronunciaram ainda. Em recente entrevista a Zero Hora, eles rebateram as principais acusações contra seu cliente. Veja os principais argumentos da defesa:
Valores justos: Dal Agnol afirma que os valores pagos aos clientes nas causas ganhas contra a BRT são corretos. Muitos descontos no valor nominal do pagamento são feitos porque o advogado arcou com despesas processuais e honorários, além de contratar outros advogados em Brasília para atuar no STJ. Além disso, há processos com vários réus, mas eles imaginam ter ganho o valor sozinhos. “Alguns moveram ação contra o Dal Agnol e já perderam, o valor era correto”, informa um dos advogados.
Clientes deram procuração: A PF diz que Dal Agnol não informou aos clientes que renunciaria a 50% dos valores questionados. Os advogados dele ressaltam que os clientes deram procurações amplas para Dal Agnol negociar, o que foi feito.
Dinheiro em conta poupança: Os advogados de Dal Agnol admitem que alguns clientes discordam dos valores recebidos e questionaram isso judicialmente. Eles garantem que Dal Agnol depositou os valores questionados em conta poupança, para pagar os descontentes, se for o caso.
Cheques não entregues: Dal Agnol emitia cheques para pagar clientes vencedores da causa contra a BRT. "Se alguns não receberam, não é culpa dele", diz um dos advogados. O dinheiro pode ter sido desviado por captadores de recursos da firma e isso será alegado em juízo.
Fonte: Zero Hora
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