Quarta, 01 de julho de 2026, 05:06h
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Trecho que liga Piratini e Canguçu é um dos mais avariados
Tendo uma extensão total de 179,470 km, a ERS-265 é responsável por servir as cidades de Pinheiro Machado, Piratini, Canguçu e São Lourenço do Sul. “Servir”, seria o termo correto, se boa parte da rodovia não se encontrasse em estado precário, praticamente inviabilizando o tráfego de veículos.
As chuvas da última semana, aliadas a falta de manutenção do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), levam o trecho que liga Piratini à Canguçu novamente a ser alvejado por moradores, políticos e imprensa. São centenas de buracos, muitos podendo até mesmo ser comparados a crateras, devido ao seu avantajado tamanho e espessura. Além destes, pedras, valos e outros problemas, tornam ainda pior a realidade vivenciada por aqueles que utilizam a via.
Em uma viajem de automóvel pequeno ou veículo de carga, é quase impossível atingir uma velocidade superior a 20 km/h. Vira um desafio ao condutor, desviar dos inúmeros obstáculos e adversidades. Consequentemente, outra grande prova de capacidade para qualquer motorista ao transitar pela ERS é escapar de ficar com pneus furados ou ter sua viajem interrompida devido a avarias em amortecedores e suspensões.
Este seria o lugar perfeito para talvez, sediar eventos de Rally ou outros do gênero, que necessitem de carros equipados e preparados para enfrentar adversidades de tal tamanho. Porém, nunca para ser comparado com uma rodovia estadual, que na teoria deveria ter manutenção e amparo constantes dos órgãos competentes.
A empresa de transporte coletivo Expresso Embaixador, que tem concessão para fazer a linha entre os dois municípios, ficou mais de duas semanas sem a prestação do serviço. Esta foi a segunda ação do mesmo feitio, em pouco mais de dois meses.
A justificativa segundo a Embaixador, seriam as condições da estrada, que não davam nenhuma possibilidade de trafegabilidade. Prejudicados e aflitos com a reiterada e com a situação, moradores recorrem desde então a todos os veículos de comunicação disponíveis para pressionar o Daer a fazer seu serviço e dar a devida atenção a estrada.
Onorino Crespo Lima, mais conhecido como “Liminha”, de 45 anos, presidente da Associação Comunitária União Independente do Rodeio Velho, localizada no 3º distrito, há 30 km da sede de Piratini, demonstrou-se totalmente frustrado ao externar a situação vivenciada por aquela comunidade. “Podemos dizer que estamos em uma “ilha seca”. Sem estradas não temos ônibus e sem esse meio de locomoção ficamos isolados. A patrola se encontra em péssimas condições, praticamente toda desmanchada. Acho que é mais velha do que eu”, relatou.
Moradora da Cruz de Pedra, Sueli Silveira, de 65 anos, reclamou do automóvel da família, prejudicado devido a rodovia. “A estrada está péssima! Não podemos andar de carro porque ele estragou aqui. A vida inteira estivemos desguarnecidos, mas agora a gravidade ficou muito séria”, relatou a aposentada.
Vereadores fazem requerimento solicitando providências do Daer
Na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de terça-feira (28), o vereador Daniel Morales (PMDB) e seu correligionário Mauro Castro, apresentaram um requerimento endereçado ao chefe da 7ª Unidade do Daer, solicitando que fossem tomadas providências sobre as precárias condições do trecho.
Em defesa do pedido, Castro ironizou o fatídico estado da via. “Há meio século atrás, nós cruzávamos pela 265 com juntas de boi e correntes. Agora, somente com trator ou caminhonete 4X4”, descreveu. Já Morales enfatizou o descaso do Daer com a rodovia. “É uma falta de respeito com os moradores destas localidades. Pessoas que dependem e precisam do transporte coletivo para chegar até a cidade. Essa precariedade afeta muitas pessoas”, argumentou.
Corede Sul está engajado em melhoras na rodovia
Cássio Mota, mesmo tendo se licenciado do cargo de presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Sul (Corede Sul), devido ao processo eleitoral, argumentou que o órgão está veementemente engajado para que o Daer dê atenção para o local. “Nossa intenção era que toda a via fosse pavimentada. Entretanto, sabemos que isto não é viável neste momento, por isso pedimos ao menos a manutenção deste trecho”, explanou.
Como ex-prefeito de Canguçu, Mota pondera a importância da ERS, bem como sustenta o empenho do Corede nesse tocante. “Sou morador de Canguçu e reconheço as dificuldades. Tenho convicção que a nossa presidente Roseli Sodré da Silva, está pautando esse local nos debates do Conselho. Cabe saber se nossos pedidos serão ou não acatados pelo Daer”, disse.
Parlamentar promete interditar 265 em protesto
O parlamentar piratiniense Sérgio Castro (PDT), comoveu-se com o desleixo do órgão competente e visitou na quarta-feira (29) lideranças comunitárias das localidades Rodeio Velho, Venda da Lata, Solidão, Cruz de Pedra, e da vila do Cancelão, para organizar uma interdição da estrada.
Para Castro, será preciso fazer uma ação mais radical para dar notoriedade ao caso, que é levado com pouca importância pelo Daer. “Precisamos mostrar a situação da comunidade. Tentamos em diversas oportunidades conversar pacificamente, mas não surtiu efeito algum”, argumentou.
Ele ainda não definiu a data da interdição, contudo a expectativa é de reunir cerca de 300 pessoas no movimento. “Nesse primeiro contato, conversei com líderes das localidades, para eles comoverem o resto da população. Acreditamos que teremos uma adesão em massa, pois a locomoção está realmente caótica e isso incentiva aos moradores”, frisou.
Superintendente diz que situação será normalizada
Por contato telefônico com a reportagem do Jornal Tradição Regional, o superintendente da 7ª Superintendência Regional do Daer, Luiz Antônio Moreira Teixeira, rebateu algumas das críticas feitas pela população. Segundo ele, durante a última sexta, sábado e segunda-feira, uma motoniveladora, pá carregadeira e caçamba trabalharam na ERS-265.
Teixeira atribuiu o problema a uma máquina que dava assistência a rodovia e está sendo consertada. Ele também salientou que para o trabalho ser efetuado com êxito, é necessário a liberação de uma jazida. “A patrola responsável pelo trecho está em manutenção e isto nos causou um grande transtorno. Uma jazida precisa de liberação ambiental, mas creio que isto aconteça em pouco tempo também”, analisou.
O superintendente externou que será feito um trabalho com a colocação de material no local. “Por enquanto, essa medida será um paliativo, porque queremos colocar um cascalho de qualidade e assegurar o bom fluxo de veículos”, informou.
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